Ricciardo cita ingenuidade e vê silêncio como “parte do problema” no racismo

Daniel Ricciardo apoiou a iniciativa da Fórmula 1 para promover diversidade, mas ressaltou que a ação não pode ficar restrita à posts em redes sociais

Daniel Ricciardo afirmou que percebeu o mundo de forma diferente nos últimos dias. O australiano se percebeu ingênuo, mas explicou que abriu os olhos para o racismo após os protestos resultantes da morte de George Floyd nos Estados Unidos.

Em 25 de maio, Floyd, um homem preto de 46 anos, morreu após o policial branco Derek Chauvin passar mais de 8 minutos ajoelhado em seu pescoço. Acusado de tentar pagar compras com uma nota falsa de US$ 20 em Minneapolis, George repetiu diversas vezes que não conseguia respirar, mas suas suplicas foram ignoradas não só pelo policial que o imobilizava, mas também pelos outros três policiais que acompanhavam a ação ― Thomas Lane, J. Alexander Kueng e Tou Thao.

Daniel Ricciardo torceu por mudanças no esporte (Foto: Renault)
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As imagens da abordagem policial foram divulgadas nas redes sociais, provocando uma onda protestos nos Estados Unidos e também em diversas partes do mundo. Único preto na Fórmula 1, Lewis Hamilton foi voz ativa nas redes sociais em prol do movimento Black Lives Matter [Vidas Pretas Importam, em português] e cobrou ação de seus colegas, que apenas romperam o silêncio após a advertência do hexacampeão.

Ricciardo foi um dos que se manifestou somente após a cobrança de Lewis e reconhece que o silêncio é parte do problema.

“Certamente, aprendi muito nas últimas semanas”, disse Ricciardo em entrevista à emissora britânica Sky Sports F1. “Tenho lido, assistido e isso abriu os meus olhos. Eu aprendi que não é o bastante que você não se considere racista ou uma pessoa de conflito. Você tem de falar, educar a si e as pessoas ao seu redor, pois o que eu entendi é que ficar em silêncio é parte do problema”, seguiu.

“Me senti um pouco… não sei se é culpa ou algo do tipo: ‘Como posso ser tão ingênuo com tudo que está acontecendo?’. E não é só nas últimas semanas, são meses, anos”, apontou. “É bom que mais do mundo esteja sendo exposto a isso e que as pessoas apoiem. Além disso, entender que é ok falar, você não será julgado, não será criticado, e acho que o volume de pessoas que está se envolvendo, e todas as raças se envolvendo, isso tem sido muito poderoso”, opinou.

Ricciardo também exaltou a iniciativa da Fórmula 1 para promover diversidade e torceu por mudanças no esporte.

“Provavelmente, em todos os aspectos de tudo que fazemos na vida, nós podemos fazer melhor, podemos ser melhores. Mas uma coisa é pensar nisso, aí temos de falar disso, agir a respeito, e acho que agora finalmente ações estão sendo tomadas, e nós precisamos nos responsabilizar”, frisou. “Não é só uma fase, não só algo que fazemos por uma semana, aí esquecemos e dizemos: ‘Fizemos nosso post nas redes sociais e não precisamos nos preocupar mais’. Para que uma mudança real aconteça, isso precisa continuar. Então estou feliz por estarmos fazendo o que podemos agora. É um começo”, completou.

No último fim de semana, Hamilton participou de um protesto nas ruas de Londres.

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