Vettel vê F1 sob “ameaça real” com mudanças climáticas: “Canadá quase foi cancelado”

Embora aposentado, Sebastian Vettel ainda se preocupa com os caminhos que o esporte a motor tem seguido e teme que competições automobilísticas comecem a ser proibidas em alguns países

Sebastian Vettel foi muito vocal em relação às mudanças climáticas durante seus últimos anos na Fórmula 1. Embora não esteja mais nas pistas, o tetracampeão segue ativo em suas manifestações e se vale da maior flexibilidade no dia a dia para seguir lutando pela causa. Durante o Festival de Goodwood, que aconteceu entre os dias 13 e 16 de julho, o alemão alertou que o esporte a motor pode estar em perigo caso não se torne mais sustentável.

No evento, Vettel guiou os clássicos Williams FW14B e McLaren MP4/8, de 1992 e 1993, respectivamente. Porém, para seguir fiel ao que acredita e promover o projeto “Race without a trace” (correr sem deixar marcas, em tradução livre), os modelos foram abastecidos com combustíveis sustentáveis.

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Sebastian Vettel acredita que o esporte a motor precisa ser ainda mais sustentável (Foto: Aston Martin)

Durante o festival, ‘Seb’ falou sobre como as mudanças climáticas já impactaram a Fórmula 1 em 2023. Como exemplo, foram citadas as inundações que cancelaram o GP da Emília-Romanha e as queimadas em Montreal, que quase comprometeram a realização do GP do Canadá.

“Ímola foi cancelada. Existe uma relação direta entre o clima extremo e o mundo em mudança, o mundo em aquecimento. Acho que, desde que você não esteja olhando completamente para o outro lado, você vê que a crise climática já tem um impacto em muitas pessoas hoje, em muitos lugares ao redor do mundo”, pontuou Vettel.

“Tivemos a corrida em Miami [em risco] porque duas ou três semanas antes, novamente houve inundações, e a pista estava submersa, então a corrida poderia ter sido cancelada se acontecesse três semanas depois. Aconteceram os incêndios florestais no Canadá, com ventos diferentes durando mais tempo, [a corrida em] Montreal poderia ter sido retirada do calendário, então é uma ameaça real”, disse o tetracampeão.

O ex-piloto ainda fez um alerta. Em um momento em que os países — principalmente os da Europa — estão passando por um plano de eletrificação nos carros homologados para as ruas, o esporte a motor como conhecemos hoje pode estar em risco.

“Em algum momento, os governos estarão olhando para coisas que podem cortar e proibir. O automobilismo pode ser um deles, e, se isso acontecer, o esporte vai estar em perigo”, finalizou.

A partir de 2026, a F1 dará um passo importante em busca da sustentabilidade, com a introdução da nova geração de motores. As unidades de potência terão a parte elétrica ampliada e serão preparadas para funcionar com combustível sustentável, porém nem todos no grid se mostraram felizes após os primeiros dados dos simuladores. A Red Bull, por exemplo, já pediu mudanças antes mesmo da estreia do novo regulamento por temer que a aerodinâmica seja comprometida para compensar uma possível mudança de potência.

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