Termos de acordo incomum indicam parceria longa entre Mercedes e Hamilton

O acordo entre a Mercedes e Lewis Hamilton demorou a sair, mas quando saiu, trouxe à tona a surpresa de um compromisso de apenas um ano. Ao mesmo tempo, os termos do contrato revelaram um envolvimento de longo prazo e a certeza de que o inglês deve encerrar a carreira de pilotos com os alemães

Uma vez mais, Lewis Hamilton provou que o que faz na Fórmula 1 é algo único e sem precedentes. As negociações do novo contrato com a Mercedes se estenderam mais do que era imaginado inicialmente, o que alimentou toda a sorte de rumores, mas, no fim das contas, os termos do acordo pegou a todos de surpresa. A incomum duração de apenas uma temporada é o que mais chama atenção em um primeiro momento, pois desperta a questão lógica: 2021 será o último ano do inglês na F1? Essa pergunta, inclusive, deve permear por todo o campeonato, até que haja alguma resposta. Só que um olhar mais apurado neste novo vínculo revela também que, além da flexibilidade alcançada, Hamilton soube se impor como poucos na história e de uma maneira bem particular. E agora diz muito sobre o que realmente deseja para o futuro.

Quer dizer, não dá para deixar de notar que o principal fator envolvendo o contrato recém-assinado está no compromisso firmado com a Mercedes em torno de uma fundação que tem como objetivo promover a diversidade e a inclusão social no esporte. “Uma parte significativa do novo acordo baseia-se no compromisso conjunto com uma maior diversidade e inclusão no automobilismo, feito no ano passado por Lewis e Mercedes”, afirmou a nota da equipe alemã, na segunda-feira (8).

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Como forma de apoiar a luta de Hamilton contra o racismo, a Mercedes decidiu usar uma pintura preta nos carros de 2020, no lugar do tradicional prata (Foto: Mercedes)

A iniciativa é mais um passo no caminho iniciado em 2020, quando Lewis obrigou a Fórmula 1 a discutir o racismo e a discriminação, além de criar a Comissão Hamilton, na Inglaterra. A esquadra chefiada por Toto Wolff também mostrou apoio ao abrir mão do tradicional prata e usar uma pintura preta no carro do ano passado. “Sempre estivemos alinhados com Lewis para continuar, mas o ano atípico que foi 2020 fez com que levasse um tempo para encerrarmos o processo. Juntos, decidimos estender a relação esportiva por outra temporada e começar um projeto de longo prazo para dar outro passo em nosso compromisso de promover a diversidade em nosso esporte”, explicou o dirigente austríaco.

“A ideia da fundação, o crédito onde o crédito é devido, veio do (presidente do conselho de administração da Daimler AG) Ola Källenius, quando discutimos entre Lewis, Ola e eu”, revelou Wolff. “Vamos administrar em conjunto. Também mostra que há uma aliança e um relacionamento muito além de 2021”, acrescentou.

Então, ao mesmo tempo em que assina um acordo de um ano, Hamilton também fortalece os laços com a Mercedes. Afinal, o projeto estabelecido em contrato é, significativamente, de longo prazo. Portanto, não dá para pensar em Lewis em qualquer outro lugar do grid e mais: é definitivo que o piloto vai encerrar a carreira nas pistas guiando os carros alemães, o que faz total sentido. Não só por conta da presença da Mercedes ao longo de sua trajetória no automobilismo, mas principalmente pelo discurso alinhado e engajado. Lewis mudou a equipe.

Mas isso não quer dizer que Hamilton vá, de fato, se aposentar ao fim do ano. 2022 ainda é uma incógnita. Apenas parece claro que o heptacampeão tem metas muito maiores do que conquistar o oitavo título e marcas centenárias. O que deseja também é representatividade como forma de impactar o esporte para sempre, e isso é algo singular na história.

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