Versátil e experiente, Hülkenberg mostra que merece vaga e vira solução para Red Bull

Nico Hülkenberg precisa estar no grid da Fórmula 1 em 2021. Sem vaga na atual temporada, o alemão apareceu em três oportunidades e, nas duas em que conseguiu largar, foi muito bem. Se adaptando rapidamente a diferentes carros, vira uma opção real para quase metade das equipes

Nico Hülkenberg é um dos pilotos mais talentosos de sua geração. Reconhecido por sua técnica apurada e por ter muita velocidade, o alemão de 33 anos também ganhou fama por algo bem pouco agradável: é o competidor com mais corridas na Fórmula 1 sem nunca ter ido uma vez sequer ao pódio. Foi assim, com essa pecha de azarado, que Hülk deixou o grid da categoria ao final da temporada 2019.

A saída da Renault após três anos e oito campeonatos consecutivos na categoria, parecia indicar o fim da linha para Hülkenberg, mas, na realidade, ainda teve um efeito positivo. É que o completamente anormal 2020, marcado pela pandemia, reservou ao alemão um cargo quase que de piloto reserva de todas as equipes. E, até aqui, os serviços de Nico já foram acionados em três oportunidades, todas por indisponibilidade de pilotos da Racing Point.

Antes de analisarmos como tem sido o desempenho de Hülk em 2020, é importante listar alguns pontos: primeiro, é um fato que o alemão deixou a F1, em 2019, em seu pior momento nos últimos anos, um pouco desmotivado e, certamente, bem menos efetivo do que nas temporadas anteriores de Force India, Sauber, Williams e mesmo de Renault. Em segundo lugar, é fato também que o piloto voltou sem jamais ter ido, afinal, recusou sondagens da Indy, da Fórmula E e do WEC, mostrando que ainda confiava que poderia fazer um movimento pouco usual atualmente de sair e voltar da F1 em um curto espaço de tempo.

Nico Hülkenberg merece uma vaga em 2021 (Foto: Racing Point)

Com tudo isso posto, é hora de dizer que três provas foram suficientes para mostrar que Hülkenberg não pode ficar de fora do grid da F1. Chamado às pressas para a vaga de Sergio Pérez, que havia testado positivo para Covid-19, Nico sequer largou no GP da Inglaterra com um problema no carro, mas o sétimo lugar no GP dos 70 Anos chamou muito a atenção, especialmente pela terceira colocação no grid de largada com pouquíssima quilometragem no carro da Racing Point.

Aquilo ali já foi o bastante para que alguns de seus colegas cobrassem seu retorno. Max Verstappen, por exemplo, foi um que fez campanha para o alemão, declarando sua admiração por Hülk e cravando que, no grid atual, há nomes que são inferiores ao do experiente piloto.

“Definitivamente existem alguns pilotos que não são tão bons quanto ele e que estão na Fórmula 1 neste momento. Espero que esse final de semana seja um grande impulso para ele”, comentou Max no GP dos 70 Anos.

Não é exagero dizer que aquela performance deixou uma pulguinha atrás da orelha de muita gente, inclusive na da Red Bull. Helmut Marko, consultor do time e grande responsável pelas trocas de pilotos da marca, disse abertamente que Hülk se colocou à disposição da equipe, em um recado que parecia ser claro para Alexander Albon: ou melhora, ou tem alguém importante querendo sua vaga.

Nico Hülkenberg foi festejado no GP dos 70 Anos (Foto: AFP)

Foram cinco corridas entre o GP dos 70 Anos e o GP de Eifel, quando novamente Hülk foi acionado, dessa vez por uma indisposição de Lance Stroll. Albon, no período, até tinha conquistado seu primeiro pódio na F1, mas seguia dando um show de inconsistência e parecia guiar um carro diferente do de Verstappen, sempre muito longe do companheiro e das Mercedes.

Veio a prova em Nürburgring e, mais uma vez, Albon esteve bem longe de ter protagonismo. Apareceu perdendo duelo para Pierre Gasly, tomando tempo de Charles Leclerc e, por fim, batendo em Daniil Kvyat. Hülk, por outro lado, deu um show. Chamado às pressas com Stroll indisposto no TL3, só esteve na pista na classificação e na corrida. Mesmo assim, foi de último para oitavo, em atuação espetacular, muitas ultrapassagens e o prêmio de piloto do dia na votação popular.

Já parece seguro cravar que, a menos que algo muito esquisito aconteça, Hülk vai ser titular na F1 2021, mas resta saber em que carro. A Haas, a AlphaTauri e até a Alfa Romeo parecem boas opções, mas o momento é de pensar na Red Bull, cada vez mais insatisfeita com Albon e procurando alguém que ajude Verstappen a dar saltos maiores.

Nico é perfeito para tal missão. Tem experiência, tem o respeito de Max, dificilmente bateria de frente com o holandês e, claro, somaria bem mais pontos que Albon. Já mais perto da aposentadoria do que do início de sua trajetória na F1, Hülk, enfim, teria a merecida grande chance da carreira. A oportunidade de ouro para, enfim, beliscar o primeiro pódio.

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