F2

Em “mais detalhista e estudiosa” DAMS, Sette Câmara se vê desafiado a ser piloto melhor em 2019 na F2

Sérgio Sette Câmara trocou a Carlin pela DAMS e admitiu que a mudança não foi tão simples, mas vê no ambiente da nova equipe mais uma oportunidade para crescer e se tornar um piloto melhor na temporada que começa neste fim de semana

Warm Up / EVELYN GUIMARÃES, de Curitiba / ERIC CALDUCH, de Barcelona


Depois de defender a Carlin em 2018, Sérgio Sette Câmara vai correr pela DAMS nesta temporada. A transição não foi tão simples e levou tempo de adaptação, especialmente por conta dos métodos de trabalho bem diferentes da equipe francesa. Análises detalhadas, gráficos e abordagem foram algumas das novidades, e o mineiro de 20 anos reconheceu que, embora tenha demorado a entender, se vê cada vez mais integrado ao grupo, mas não deixa de já se sentir desafiado pela nova estrutura. 
 
O brasileiro ainda fez uma comparação com a antiga equipe e como a forma de trabalhar da DAMS pode ajudar a torná-lo um piloto melhor em 2019. “A Carlin tem um ambiente um pouco mais leve, mais descontraído, o que é positivo por um lado, mas também tem o lado negativo. É difícil especificar exatamente o que é, mas acho dá para entender. E aqui na DAMS é um ambiente mais de regime, o pessoal analisa tudo de forma mais detalhada, com gráficos, é um trabalho mais estudioso, não só pela parte da equipe, também do piloto. Então, é diferente, o piloto acaba trabalhando e se dedicando mais, o que é interessante também para meu aprendizado”, explicou em entrevista ao GRANDE PRÊMIO.
 
Por isso, o piloto disse não temer a mudança de equipe e acha que o desafio é positivo. “É claro que, quanto mais eu me desenvolver como piloto, eu vou ter sucesso nas categorias em que eu passar na minha carreira, seja F1 ou qualquer outra. Aqui estou crescendo muito, quando você fica na mesma equipe o que acontece? Você se adapta e acaba se acomodando com aquela forma de trabalhar, com as mesmas pessoas e os mesmos procedimentos, mas quando você muda de equipe é obrigado a virar a cabeça, mudou tudo para mim”, disse.
Sérgio Sette Câmara se prepara para nova temporada (Foto: FIA F2)
“Agora tenho de entender os métodos de trabalho, os gráficos que eles usam, muita coisa nova que é preciso aprender. E isso faz com que você tenha uma cabeça mais flexível. Você aprende coisas novas, alcança o limite e até te faz sair, em alguns dias, muito frustrado porque não está indo bem. Mas isso também te faz melhorar como piloto e como pessoa. Te deixa mais maduro. Tira você da zona de conforto. Por isso, não deixa ser um desafio. E é positivo”, acrescentou o mineiro de 20 anos. 
 
Além da Fórmula 2, Sette Câmara vai se dividir no trabalho de piloto de desenvolvimento da McLaren. Na verdade, o jovem já esteve na sede da equipe e testou no simulador. Para Sérgio, a experiência pode ser o caminho para, enfim, ter a chance na F1. “Já tive vários dias de trabalho com a McLaren esse ano”, contou ao GRANDE PRÊMIO.
 
“Minha prioridade está aqui na F2 porque é o campeonato que eu corro, mas já tive vários dias de trabalho lá. Muito interessante, com um simulador de altíssima qualidade. Eu realmente noto a diferença entre os carros da F1 e F2. Além disso, o trabalho com os engenheiros acaba me proporcionando aprender uma série de coisas que posso levar para a F2. É um desafio a mais, porque é mais informação que chega e tem de ter um filtro mais apurado das coisas que vai usar e o que não, coisas que são incompatíveis entre os dois carros, então têm que saber selecionar. Isso faz que o ano seja mais frenético, mais cheio e ativo, mas também faz que você aprenda muito mais”, completou.
 
“Espero que, com um bom trabalho no simulador e, quem sabe, uma boa campanha na F2, eu possa ter a chance de andar com o carro. Por enquanto, eu não sei se esses são os fatores que ajudariam, pode ser que isso não ajude em nada, mas eu espero que sim. É uma das coisas que eu gostaria fazer esse ano”, encerrou o brasileiro.