F2

Sette Câmara fala em “sair da zona de conforto” por nova equipe e vê química com DAMS “melhor a cada dia”

Sérgio Sette Câmara vai iniciar a terceira temporada na F2 por uma nova equipe. Sem temor por “sair da zona de conforto”, o brasileiro já se vê melhor adaptado à DAMS e enxerga um desafio grande em ter como companheiro de equipe o experiente Nicholas Latifi

GRANDE PRÊMIO / EVELYN GUIMARÃES, de Curitiba / ERIC CALDUCH, de Barcelona


Sérgio Sette Câmara está prestes a iniciar a terceira temporada na Fórmula 2, principal categoria de acesso à F1. A primeira rodada começa já neste fim de semana no Bahrein. Depois de começar a vida na série por uma equipe pequena, a MP Motorsport, em 2017, ano em que terminou o campeonato na 12º colocação, mas com uma vitória e dois pódios, o mineiro de 20 anos assinou com a poderosa Carlin no ano seguinte. Em uma temporada difícil em que teve como companheiro de equipe Lando Norris, hoje na McLaren, Sette Câmara obetve oito pódios e a experiência de andar por um dos maiores times do grid. Agora, em 2019, o brasileiro vai defender a DAMS, uma das esquadras mais tradicionais do campeonato. E o início do trabalho com a nova equipe foi desafiador e levou algum tempo de adaptação, de acordo com Sérgio, que não teme “sair da zona de conforto”. 
 
Depois de duas baterias de testes de pré-temporada em Barcelona e Jerez de la Frontera, Sette Câmara se vê melhor integrado à DAMS. A equipe tem métodos de trabalhos bem diferentes, e isso obrigou o piloto a também sair da zona de conforto. "Mudar da equipe é um desafio porque, por mais que a equipe tenha um altíssimo nível, os métodos de trabalho são diferentes e temos de nos adaptar a isso, o que é sempre desafiador", afirmou o Sérgio ao GRANDE PRÊMIO.
Sérgio Sette Câmara vai defender a DAMS em 2019 (Foto: James Gasperotti/Joe Portlock | Divulgação)
"No começo, talvez eu tenha demorado para me adaptar com a equipe, não na forma de guiar o carro, mas na maneira de analisar os dados, a direção do acerto, o raciocínio da equipe como um todo. Mas acho que, finalmente, estamos no caminho certo. A tendência é que essa química entre eles e eu vá melhorando durante a pré-temporada, passo a passo", completou o brasileiro. 
 
Sette Câmara detalhou ainda como se deu o início da parceria e como o "arroz com feijão", às vezes, é melhor método para alcançar o melhor entendimento entre piloto, carro engenheiro. "Em Jerez, a gente aprendeu muito", contou. 
 
"Muitas vezes, a gente precisa sacrificar um pouco a performance para garantir um tempo bom e aí é necessário fazer o arroz com feijão. E, às vezes, é preciso testar coisas novas, tanto na forma de trabalhar como no acerto do carro. A gente aprendeu muito, mas o ritmo não foi tão bom. Já em Barcelona, a gente encontrou um equilíbrio legal entre performance e aprendizado, e foi muito positivo", acrescentou ao GRANDE PRÊMIO.
 
O mineiro vai ter como companheiro de equipe Nicholas Latifi, canadense de 23 anos e que possui grande experiência com a Fórmula 2 e com a própria equipe. Sobre a disputa interna, Sérgio lembrou de Norris e se disse desafiado por ter na DAMS alguém tão rápido quanto Latifi, que, inclusive, já participou de treinos livres na F1.
 
“O Lando é um cara que teve um pedigree nas categorias de base acho que único, ele ganhou tudo exceto a F2. Mas aqui tem caras que não tem esse currículo, mas são muito bons. No ano passado, o Nicholas não teve um campeonato impressionante em termos de resultado, mas ele teve alguns problemas de saúde no começo do ano e nem participou de alguns treinos coletivos. Mas você vê que, nas últimas três corridas, ele classificou na frente do Albon, que está na F1. O Alex Albon é um dos melhores pilotos que conheço. Então, ele não é um piloto ruim, é um cara de peso no grid. Talvez não tenha o mesmo destaque que o Lando tinha, mas é um cara muito rápido. E muito experiente. Sempre com um ritmo muito forte de corrida e classificação. É um piloto inteligente e que ajuda a equipe a seguir na direção certa. É um desafio para mim”, concluiu.