Com vencedor inédito, Fórmula E mostra que pode ser empolgante sem virar bagunça

O sábado da Fórmula E foi de gosto amargo, com a corrida virando uma zona. No domingo, uma corrida mais estratégica e ainda um tanto imprevisível lavou a alma e fechou o fim de semana em Valência de forma mais séria e profissional

Sem bateria, Da Costa perde potência e liderança na abertura da última volta (Vídeo: Fórmula E)

A Fórmula E teve duas corridas quase opostas em Valência. A primeira já foi amplamente debatida neste espaço, mostrando uma categoria que parecia mais um circo do que um esporte. 24 horas se passaram e, neste domingo (25), tivemos um sopro de ar fresco: mesmo sem a corrida mais empolgante da história, o certame conseguiu conciliar esporte e entretenimento de uma forma saudável.

Quem esteve por trás desse sucesso da corrida 2 foi, quem diria, a mesma chuva que causou caos na corrida 1. A pista estava molhada na classificação de hoje cedo, mas secando rapidamente. Isso ajudou os pilotos mais lentos, que vão à pista por último, a alcançar as primeiras posições. Pela primeira vez na história da Fórmula E, os seis pilotos do grupo quatro foram à superpole. O até então ignorável Jake Dennis fez pole e, após um jogo de xadrez com outros ícones do fundão, saiu vencedor.

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Jake Dennis venceu em uma corrida agradável da Fórmula E (Foto: FIA Fórmula E)

É verdade que quem esperava uma corrida clássica da Fórmula E, com caos para dar e vender, acabou decepcionado. Houve apenas um abandono, quando Stoffel Vandoorne foi afobado e bateu ao tentar ultrapassar Sébastien Buemi. O safety-car não foi necessário em momento algum. Ainda assim, os primeiros colocados estiveram sempre próximos e a vitória de Dennis só começou a ficar mais cristalina nos últimos dez minutos. Antes disso, a dinâmica do uso do modo ataque e da economia de energia manteve um suspense na briga com Alex Lynn e Norman Nato.

António Félix da Costa terminou o sábado chateado ao ver a FE desperdiçar a chance de se vender como um campeonato sério. O português não pontuou no domingo e provavelmente está irritado com o fim de semana, mas pelo menos pode ficar feliz ao ver uma categoria mais profissional. A pilotagem foi de alto nível e trouxe a sensação de ser ainda, bem, um esporte. O surgimento de um novo vencedor e de novos postulantes ao pódio colaborou com o clima positivo, apesar dos requintes de golpe de sorte climático. De uma forma ou de outra, voltou a vender a ideia de uma competição parelha, em que quase todos têm uma chance concreta de brilhar.

“Estou na lua”, destacou Dennis após a vitória. “Não achei que fosse que ia dar. Liderei a corrida inteira e todo mundo estava na prova, sinceramente não era o plano. Achei que simplesmente fosse ser ultrapassado. Mostra como somos eficientes em ritmo de corrida. Foi um grande feito, tem sido um ano difícil. Conseguir a primeira pole e primeira vitória é algo que vale muito”, afirmou.

“Nunca estive num pódio da Fórmula E”, seguiu Lynn, terceiro colocado. “Passei perto tantas vezes, mas ainda não tinha conseguido vir. É uma sensação bastante doce. Tiro o chapéu para Jake, ele guiou a todos na frente. Quando você está num trem de carros, coisas podem acontecer. Tive alguma falta de sorte, mas consegui me recuperar”, comentou.

Jake Dennis controlou uma corrida menos caótica e mais profissional (Foto: FIA Fórmula E)

Alguns, entretanto, costumam brilhar mais do que outros. É aí que chegamos aos protagonistas da luta pelo título, que tiveram um dia particularmente difícil. Além do já citado Vandoorne, Nyck de Vries, Sam Bird, Robin Frijns e Mitch Evans não pontuaram no domingo. A classificação ruim, culpa da pista molhada no grupo 1, foi uma bigorna presa aos pés de cada um. Como os pilotos que mais pontuaram foram justamente aqueles que dificilmente serão capazes de sonhar com título, dá para dizer que essa briga ficou congelada por hoje.

Ainda assim, segue a sensação de que a Mercedes é a equipe a ser batida. Talvez não seja uma favorita óbvia ainda, mas a equipe alemã dá sinais de ter mais força (além de já ter mais pontos) do que a Jaguar, que só fez número em Valência. Além disso, a Techeetah segue sem mostrar a força dos últimos três anos: a introdução do trem do novo trem de força em Roma rendeu vitória com Jean-Éric Vergne, mas os demais resultados foram puramente medianos. O francês é sétimo no Campeonato de Pilotos, com o português em 14°. Nada está decidido, mas já é hora da escuderia chinesa mostrar a que veio. Se a desculpa for a série de características diferentes de um autódromo permanente como o de Valência, isso significa que o eP de Mônaco de daqui duas semanas deve reservar alguma forma de reação. Mesmo que não haja vitória, um pódio por mérito já seria um sinal interessante para os próximos meses.

Em outras palavras, nada está muito certo na Fórmula E de 2021. O que não é novidade alguma. Só torcemos para que as corridas sejam mais como as de domingo e menos com as de sábado.

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