Decisão no melhor estilo Fórmula E em Berlim é alívio em temporada frustrante

A Fórmula E teve uma corrida genuinamente empolgante em Berlim para fechar a temporada. Em um 2021 de controvérsias e certo desgaste na imagem do certame, o eP que coroou Nyck de Vries foi um colírio para os olhos dos fãs

Mitch Evans, com chances grandes de título, não conseguiu largar e foi atingido em cheio por Edoardo Mortara (Vídeo: Fórmula E)

Ninguém vê uma corrida da Fórmula E esperando normalidade. Ao longo de apenas sete temporadas, a categoria elétrica desenvolveu a reputação de ser imprevisível e competitiva. Só que algumas vezes essas loucuras vêm em doses exageradas e não necessariamente agradáveis, como muito se viu ao longo de 2020/21. É exatamente por isso que a corrida deste domingo (15) em Berlim foi importante: com uma mistura das melhores entre esporte e entretenimento, a corrida ganhou contornos históricos.

Nem mesmo um roteirista poderia planejar um começo tão chocante de corrida. Mitch Evans, que tinha se classificado em terceiro, era o candidato mais forte ao título. Bastava uma corrida limpa e o título provavelmente viria. Eis que o carro morreu no grid, sendo atingido pelo de Edoardo Mortara. Sim, outro candidato forte ao título. Num piscar de olhos dois protagonistas fora de combate. Quando a corrida recomeçou, um acidente estranho acabou também com as chances de Jake Dennis. Os três homens que mais tinham chances de derrotar Nyck de Vries não completaram nem duas voltas de corrida em Tempelhof. O holandês foi campeão em dia de glória da Mercedes.

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Nyck De Vries é o novo campeão (Foto: FIA Fórmula E)

Só que resumir a corrida a dois acidentes nas primeiras voltas seria injusto. A briga pela vitória foi boa, com Norman Nato levando a melhor, assim como a por posições intermediárias, ditadas por pontos para o Campeonato de Equipes. Foram 36 voltas que serviram de colírio para olhos que viram pilotos errando muito, corridas decididas por todo mundo ficando sem energia, desclassificações tardias. Pelo menos por um dia, um domingo qualquer em Tempelhof, tudo isso pôde ser perdoado.

Talvez seja muito amargo colocar no título desta análise que a temporada foi frustrante. Afinal, tivemos uma briga pelo título imprevisível. Sim, mas por consequência de motivos menos nobres, que ameaçam desgastar a FE no longo prazo. Ao contrário das seis temporadas anteriores, não houve um piloto claramente em alto nível, ou uma briga de titãs. Fez falta, assim como fez falta ter corridas menos caóticas. 2021 termina em alta para a Fórmula E, mas não sem motivos para repensar o regulamento esportivo para 2022. Como, por exemplo, o formato de treino classificatório. É um alívio saber que o fim de semana em Berlim deve ter sido o último com o formato atual, que pude os líderes com posições ruins de largada.

Apesar dos pesares, não dá para cair na tentação de dizer que o título desta temporada vale menos do que os das últimas. De Vries é tão campeão quanto Da Costa, por exemplo, apesar de ter resultados menos expressivos. Título é título, e Nyck teve méritos ao chegar lá. O holandês é talentoso e representa uma Mercedes que, apesar de altos e baixos, sempre pareceu ter velocidade para brigar por vitórias. Oportunidades de ser mais convincente hão de vir nos próximos anos.

Largada do eP de Berlim, um corridão (Foto: FIA Fórmula E)

Quem tem que se preocupar é quem foi derrotado. Essa é a situação da DS Techeetah, grande perdedora da temporada. A equipe chinesa foi apontada por este que vos tecla como a que estava na melhor posição para ser campeã em Berlim. Bastava acertar a classificação, com o benefício de fazer voltas no segundo grupo com António Félix da Costa e Jean-Éric Vergne, e confirmar o serviço na corrida. Eis que o português e o francês decepcionaram nos dois quesitos, não chegando nem perto de incomodar De Vries. A era de cinco títulos em três anos foi interrompida de forma indiscutível, com o sinal de alerta soando para a próxima temporada.

Só que a DS Techeetah ainda tem chance de melhorar. O que dizer de que nem isso tem? É o caso de Audi e BMW. A primeira até venceu corrida com Lucas Di Grassi no sábado e mostrou força, mas fez apenas número no domingo, mal pontuando com René Rast. A segunda, uma tristeza completa: além do supracitado abandono de Dennis, a equipe bávara teve Maximilian Günther em 15°. Pensando bem, há coisas bem piores do que os domingos de Techeetah e Audi.

2020/21 foi uma temporada memorável na Fórmula E, de um jeito ou de outro. A empolgação sentida em Berlim será lembrada por bastante tempo, assim como é importante lembrar a necessidade de aperfeiçoar o campeonato para o futuro. Que os aprendizados dos últimos meses não sejam esquecidos.

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