Fórmula E estreia com show no Brasil e traz sopro de esperança: uma briga é possível

A Porsche dominou o início de temporada na Fórmula E e trouxe grandes preocupações quanto à competitividade da temporada 2022/2023. No entanto, soberania da Jaguar no eP de São Paulo traz um alívio para o campeonato e deixa uma mensagem: vai ter briga

Enfim, aconteceu! Depois de oito anos de tentativas, a Fórmula E enfim estreou no Brasil, com o eP de São Paulo realizado neste sábado (25). E, muito além da excelente corrida proporcionada pelo traçado agressivo do Sambódromo do Anhembi, a corrida deste fim de semana trouxe uma notícia muito bem-vinda para a categoria: depois de um domínio tão grande da Porsche no início da temporada, o pódio triplo da Jaguar traz um sopro de esperança para a competitividade de 2023.

Com Mitch Evans em primeiro, Nick Cassidy — que corre pela Envision, mas usa o trem de força da Jaguar — em segundo e Sam Bird em terceiro, a dominância esperada da Porsche não se concretizou e, pela primeira vez na temporada, outra equipe assumiu o posto de protagonista da corrida.

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Mitch Evans foi o nome da primeira corrida da Fórmula E no Brasil (Foto: FIA Fórmula E)

Sem meias palavras, a estreia da Fórmula E no Brasil foi um verdadeiro show. A disputa se estendeu literalmente até a última curva, com Cassidy tentando passar por Evans de todas as formas em um final de tirar o fôlego. No entanto, muito além da marca história deixada por São Paulo logo em sua estreia, a verdade é que havia uma preocupação latente sobre a dominância da Porsche no campeonato. Neste sábado, essa preocupação diminuiu pela primeira vez.

Com o trem de força mais eficiente da Fórmula E, a Porsche marcou as primeiras corridas da temporada por conseguir recuperações impressionantes — ainda que o carro sofra em ritmo de classificação, principalmente devido às dificuldades com a frenagem. No momento em que António Félix da Costa garantiu a segunda colocação na largada, a impressão era de que a etapa brasileira seria mais um passeio alemão.

Definitivamente, não foi o que aconteceu. A principal marca da corrida foi, sem dúvidas, a alternância de pilotos na liderança, já que ninguém queria encarar o vento de frente. Como o vácuo potencializa a capacidade do carro de recuperar energia — já que é possível tirar o pé do acelerador e perder menos velocidade —, ninguém queria liderar o pelotão.

Corrida em São Paulo foi marcada por acidentes e alternância entre os líderes (Foto: Pedro Prado/Grande Prêmio)

Como resultado, a corrida trouxe um show de pilotos evitando o primeiro lugar, mais preocupados em ter energia na reta final da corrida do que propriamente se colocar à frente dos rivais. Isso embaralhou completamente o cenário, já que a alternância entre grandes retas e chicanes apertadas trouxe alguns cenários perigosos.

Foi assim que diversos acidentes se sucederam: Norman Nato abandonou a corrida ainda na primeira volta, em um enrosco com uma das McLaren; Edoardo Mortara ficou sem espaço na virada da curva 2 e foi jogado no muro; Sébastien Buemi, por sua vez, também perdeu a dianteira ao atingir o carro de Maximilian Günther e viu sua corrida ir pelos ares.

Assim, o cenário caótico previsto para São Paulo se confirmou. A Porsche, por outro lado, certamente esperava uma conclusão melhor — mas há um porém: Pascal Wehrlein, que largou em 18º e conseguiu grande recuperação, acabou prejudicado pela estratégia da equipe, já que ativou o modo ataque e não recebeu a permissão de passar por Da Costa. Um tempo precioso perdido, que inclusive pode ter custado uma briga pelo pódio.

Pela primeira vez na temporada, a Porsche não foi a força principal da Fórmula E (Foto: Pedro Prado/Grande Prêmio)

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O fato é que a corrida em São Paulo trouxe apenas notícias positivas ao campeonato de 2023. Ainda que Wehrlein tenha estendido a liderança para 24 pontos em relação a Jake Dennis, o prognóstico para o resto do ano mudou: as outras equipes, com mais informações sobre o novíssimo carro Gen3, estão claramente alcançando o poderio alemão.

Daqui até a etapa de Berlim, nos dias 22 e 23 de abril, a tônica da competição será a mesma: a Porsche tentando desgarrar do pelotão, enquanto as rivais — com a exceção da Andretti, que usa o trem de força alemão e torce pela continuidade da soberania — tentam encurtar a distância. A Fórmula E agradece: temos um campeonato.

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