Sette Câmara se revolta com novo vexame da Dragon na Fórmula E: “Pareço um palhaço”
Sérgio Sette Câmara marcou os primeiros pontos da Dragon na corrida 2 de Londres, mas passou por uma situação crítica na disputa do dia anterior com problema de energia que o fez perder top-10 — e explodiu pelo rádio
O final de semana da Fórmula E em Londres representou uma verdadeira montanha-russa na garagem da Dragon, que começou com uma oportunidade perdida de forma incrível no sábado (30) e terminou com um inesperado nono lugar no domingo, que rendeu à equipe — e ao brasileiro Sérgio Sette Câmara — os primeiros dois pontos da temporada. No entanto, o #7 também foi o protagonista de uma situação lamentável no dia anterior, que causou sua revolta em mais uma oportunidade perdida pela equipe devido ao orçamento curto.
Tudo caminhava bem na corrida 1 de Londres para Sette Câmara, que conseguiu um excelente quarto lugar no grid de largada e chegou a ser terceiro após um movimento ousado sobre Nyck de Vries. Apesar da perda esperada de algumas posições no grid, o brasileiro se encontrava confortavelmente no top-10 e tinha mais de 10s de vantagem para o 11º colocado — foi quando o painel de seu carro simplesmente apagou na última volta, deixando de mostrar a quantidade restante de bateria no carro do brasileiro.
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Aflito, percebendo a perda de potência e ciente de que tudo iria por água abaixo mais uma vez, Sette Câmara não se conteve e explodiu pelo rádio da equipe.
“Eu estou desacelerando, o sistema está fodido!”, exclamou um desesperado Sette Câmara já na última volta da corrida 1 de Londres. “Vamos lá! Eu estou parecendo um palhaço, e todos acham que sou um idiota”, revoltou-se o piloto.
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O problema, na realidade, foi simples: ao longo de toda a corrida, o painel estava mostrando uma quantidade de energia que o carro não tinha, passando as informações erradas tanto para o piloto quanto para a equipe. Quando o sistema apagou na última volta, o carro de Sette Câmara não tinha mais energia restante, e o brasileiro foi perdendo posições — nem mesmo conseguiu completar a corrida.
“[O painel] estava dizendo que eu tinha muita energia sobrando, então há um problema com nossos sistemas”, explicou Sette Câmara ao portal inglês The Race. “E [o carro] simplesmente desacelerou. Eu estava no meio do terceiro setor, entrando na curva 16, e falava no rádio: ‘o que é isso? Eu ainda tenho energia sobrando ou não?”, disse.
“Nós não estávamos recebendo nenhuma leitura e perdemos o painel na última volta”, lamentou. “A equipe também estava ‘cega’, e eu não sabia que eles estavam cegos. Então, estávamos perdidos em relação à quantidade de energia que o carro ainda tinha e não conseguimos completar a corrida por causa disso”, completou.
A maior esperança da Dragon na temporada era justamente a corrida de Londres, que requer um gasto menor de bateria para ser completada — o que representa uma necessidade menor da regeneração de energia, maior ponto fraco do carro vermelho e branco. É por este motivo que Sette Câmara conseguiu boas posições de largada em algumas corridas de 2022, como Londres e Nova York: em ritmo de volta lançada, o carro não tem problemas com a energia. O problema é a corrida, que requer um nível de gerenciamento acima do que o carro pode fazer.

No domingo, Sette Câmara saiu do 19º lugar para chegar em nono e somar os primeiros pontos da equipe (Foto: FIA Fórmula E)
Mesmo com todos os problemas, Sette Câmara acredita que conseguiria se manter ao menos na nona posição até o final da corrida, se o painel não mostrasse as informações erradas. Segundo ele, seria possível diminuir o ritmo e recuperar mais energia ao longo das três últimas voltas, o suficiente para manter uma margem mínima em relação ao carro de trás.
“A pior parte é que tínhamos uma boa distância para o carro de trás, então poderíamos diminuir nas últimas três voltas, por exemplo”, ressaltou. “Dividir esse déficit de energia ao longo daquelas três voltas, e poderíamos ter terminado aonde estávamos, sem perder nenhuma posição. Mas por não saber, eu continuei pisando. O painel dizia que eu ainda tinha muita energia sobrando, e do nada eu parei”, salientou.
Apesar da frustração com o resultado, Sette Câmara evitou culpar sua equipe pelo problema, destacando o pequeno orçamento disponível na Dragon — o que representa um quadro de funcionários consideravelmente reduzido em relação às outras equipes do grid. Ao menos, no dia seguinte, os primeiros pontos da temporada vieram.
“Normalmente, as outras equipes têm um departamento de simulação, um departamento de gerenciamento de corrida, um departamento de controles de sistema, confiabilidade — enfim, elas têm um departamento para tudo”, apontou. “Na nossa, são cinco caras comandando a parte operacional da equipe em todas as frentes. E na verdade, se não fosse por eles, acho que estaríamos em uma situação pior. Temos cinco caras muito eficientes trabalhando no carro, mas as outras equipes têm 60 engenheiros. É difícil competir com esse nível”, reconheceu.

Intenção de Sette Câmara é estar em time que brigue por vitórias na Fórmula E (Foto: Fórmula E)
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Por fim, o piloto reclamou do impacto que os resultados têm em sua imagem, já que não foi a primeira vez que o carro da equipe saiu em uma boa posição e terminou a corrida entre os últimos. Além disso, disse acreditar que com um carro competitivo, estaria brigando no topo da categoria contra os postulantes ao título.
“As pessoas em casa [vendo pela TV] não te conhecem, e você sai com uma impressão ruim”, disse. “Eu pareço um palhaço que tinha uma vantagem de 10s e mesmo assim não terminou a corrida por causa da energia. Definitivamente não é a melhor imagem, mas faz parte. O que posso fazer? Correr. Eu tenho que dar meu melhor, e é uma pena”, lamentou.
“Eu sinto que se tivesse um carro veloz, um bom carro, eu poderia estar disputando com os caras de cima no mesmo nível, conseguindo pódios e ganhando corridas”, avaliou Sette Câmara. “Eu definitivamente sinto isso. Espero que nas próximas temporadas eu tenha essa oportunidade”, encerrou.
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