Virgin prevê mais abandonos em sequência “brutal” de corridas, mas defende: “É o certo”

Sylvain Filippi, responsável pela equipe de Sam Bird e Robin Frijns na Fórmula E, entende que a sequência de seis ePs em nove dias vai ser bastante cansativa, mas que não há outra alternativa para a categoria elétrica. “Não é ruim, é tão somente um desafio para nós”. O dirigente espera corridas com muitas quebras em Berlim

A Fórmula E confirmou as expectativas e, na manhã desta quarta-feira (17), anunciou que vai completar a temporada 2019/20 com seis corridas num espaço de nove dias nas instalações do aeroporto desativado de Tempelhof, em Berlim, na Alemanha. Vão ser três rodadas duplas em circuitos com layouts distintos uns dos outros, acontecendo nos dias 5-6, 8-9 e 12-13 de agosto. Foi a forma possível encontrada pela categoria dos carros elétricos para o desfecho do campeonato, hoje liderado pelo luso António Félix da Costa. A série inédita de corridas preocupa Sylvain Filippi, responsável pela Virgin. O dirigente francês entende que a sequência vai ser bastante desgastante para todos, vai aumentar o número de problemas nos carros e de abandonos nas provas, mas que “não é ruim, é o certo a ser feito”.

“Uma rodada dupla já é bastante cansativa para a equipe, então três no espaço de nove dias é brutal. Mas é o certo a ser feito. Vai ser um desafio em termos de danos causados por acidentes: se você tiver algum tipo de problema, vai ter pouco tempo para mudar as coisas”, salientou Filippi em entrevista à revista britânica Autosport.

“No aspecto esportivo, quando a Fórmula E usa um layout diferente, toda vez vai ser um desafio novo para nós. Normalmente, conheceríamos o layout da pista com antecedência e praticaríamos no simulador. Agora, não vamos conseguir fazer isso. Não é ruim, é tão somente um novo desafio para nós”, salientou.

A Virgin espera dificuldades em uma série intensa de corridas na Fórmula E em Berlim (Foto: FIA Fórmula E)

A expectativa do diretor-administrativo da equipe que conta com os pilotos Sam Bird e Robin Frijns é de muitas dificuldades para as equipes se adaptarem aos layouts diferentes que a Fórmula E vai usar em Tempelhof e, naturalmente, para o desgaste maior que vai ser imposto aos equipamentos. Por isso, o francês espera, sim, por corridas com mais abandonos.

“Absolutamente, mas vamos fazer o possível para evitar isso. O que é realmente incrível na Fórmula E é que, mesmo que você altere o raio de uma curva em alguns graus, isso afeta muito nossa energia em toda a pista. Então, se agora temos curvas radicalmente diferentes e tudo o mais, é preciso começar do zero”, explicou.

Filippi disse que não acredita que uma determinada equipe vai ser beneficiada pelo fato de correr seis vezes no mesmo lugar, ainda que com traçados um tanto distintos.

“Potencialmente, em termos técnicos puros, pode estar certo. Faz sentido, dependendo da arquitetura do trem de força e do acerto de uma equipe em particular. Dito isso, espero e acho que provavelmente não. Embora todos usemos grupos distintos de potência e arquitetura, é incrível ver o quão perto estamos um do desempenho do outro. Duvido muito que uma equipe vá fugir disso. Parece bem improvável”, disse.

“E isso remonta aos layouts diferentes de pista. Algumas equipes vão fazer um trabalho melhor ao reagir e apresentar um melhor acerto e estratégia em pouco tempo para a nova pista”, concluiu o líder da equipe que ocupa a sétima colocação do campeonato, com 39 pontos. Na disputa entre os pilotos, o melhor posicionado é Bird, em décimo com 29 tentos, enquanto Frijns está em 15º e soma 10. Félix da Costa, da DS Techeetah, lidera a competição com 67 pontos, contra 56 de Mitch Evans, da Jaguar, e 46 de Alexander Sims, da BMW. Lucas Di Grassi é o brasileiro melhor posicionado, em quinto lugar, com 38 pontos, empatado com Stoffel Vandoorne.

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