Xô, zica! Da Costa vence em Berlim e chuta má fase após sequência infeliz na Fórmula E

Depois de uma série incrível de momentos de azar, António Félix da Costa venceu em Berlim e finalmente coroou a evolução que apresentou na temporada de 2024 a partir de São Paulo. Português dá chute na zica e espera segunda metade de campeonato diferente

A vitória no eP de Berlim 2 da Fórmula E, disputado neste domingo (12), não valeu a António Félix da Costa uma entrada na briga pelo título ou sequer uma grande aproximação dos ponteiros. O início ruim de campeonato do português impede que a luta pela taça o inclua entre nomes como Nick Cassidy e Pascal Wehrlein, mas isso não significa que o triunfo na Alemanha não tenha o mesmo gosto do que para os outros dois. Foi, acima de tudo, um ‘xô, zica’ — e o desabafo logo após cruzar em primeiro deixa isso muito claro.

Para explicar isso, precisamos voltar um pouco no tempo. Da Costa desembarcou na Porsche no início de 2023, ciente de que o trem de força alemão seria competitivo no primeiro ano da Era Gen3 na Fórmula E, e imediatamente viu o companheiro Wehrlein envolvido na briga pelo título mundial. Para infelicidade do português, no entanto, não foi seu caso.

António viveu um início mais complicado, demorou a se adaptar ao carro alemão e sempre sofreu em classificações. Na Cidade do Cabo, entretanto, virou o jogo e venceu com direito a uma ultrapassagem espetacular em Jean-Éric Vergne, seu ex-companheiro de equipe, na última volta. Parecia um ponto de virada, mas não foi.

A temporada de 2023 trouxe um Da Costa com muitos altos e baixos, envolvido em problemas — muitas vezes por culpa de outros — e sem conseguir se igualar a Wehrlein — que, verdade seja dita, já está na equipe há muito mais tempo. Assim, esperava-se um ritmo completamente diferente em 2024, com mais tempo de adaptação e foco total na Fórmula E após se despedir, ao menos por enquanto, do WEC. Mais uma vez, não foi o que aconteceu.

Da Costa celebrou muito no pódio de Berlim (Foto: Porsche)

O início de temporada de António foi tenebroso. Sem pontos nas três primeiras corridas, andou na rabeira do pelotão durante toda a rodada dupla de Diriyah e não encontrou explicações para a falta de rendimento. O grande intervalo da Arábia Saudita para São Paulo ajudou, Da Costa evoluiu e mostrou sinais evidentes de melhora já no Brasil. Ainda assim, sem o brilho necessário para vencer.

Esse brilho, porém, apareceu em Misano. Com grande corrida e execução estratégica perfeita, Da Costa cruzou a linha de chegada em primeiro na primeira prova do fim de semana, se jogou na piscina do circuito e lavou a alma. Cinco horas depois, teve o triunfo retirado pela direção de prova por causa de uma mola irregular no amortecedor do acelerador. De novo, um banho de decepção com mais uma batida na trave.

Desde o ano passado, parece que as coisas simplesmente não se encaixam para o português — que, apesar dos percalços, segue apresentando ritmo forte nas corridas. Os problemas nas classificações continuam, Da Costa não consegue passar para o mata-mata com frequência, mas mostra que entende muito sobre a categoria quando a coisa é para valer. Só que a sorte não tem sorrido para ele.

Batida de Sette Câmara e Buemi em Mônaco é exemplo perfeito do azar de Da Costa (Vídeo: GRANDE PRÊMIO)

Isso não se reflete apenas nas corridas em que tem resultados catastróficos, mas em situações que podem passar despercebidas para quem não analisa o cenário com profundidade: em Mônaco, António foi sétimo colocado, mas a posição final não mostra que o ritmo foi de quem poderia brigar por pódio e caiu para último devido a uma batida entre outros dois pilotos que bloqueou seu caminho. O português não esmoreceu, escalou o pelotão e voltou ao top-10.

Essa sequência absurda de fatos minou a confiança, obviamente, e faz parte da vida de Da Costa desde o ano passado. É exatamente por isso que, em Berlim, a vitória foi tão importante quanto para aqueles que brigam pela taça. Representa a chance de dar a volta definitiva por cima, coroando uma caminhada que não é tão negativa quanto parece. Claro que poderia ser melhor, ainda mais para um campeão, mas o azar tem sido uma pedra no sapato. O triunfo no Aeroporto de Tempelhof trouxe um grito de alívio que estava entalado na garganta há muito tempo.

Logo depois da vitória, António deixou claro o sentimento em torno da sequência de infortúnios que vive e disse: “espero que, dessa vez, seja para valer”. Depois de tanto azar, Da Costa não duvida de mais nada. Importante é que, em uma temporada na qual a Porsche já testou Nico Müller em atividade privada, não duvide de si mesmo. O ritmo está lá, a competência é amplamente conhecida e o campeonato só tem a ganhar com o fim da seca. Como este texto detalhou, já pareceu que a coisa ia engrenar antes — e não aconteceu. Xangai, Portland e Londres vão mostrar se a maré do português virou de vez.

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