Após sugestão de Andretti, Ferrari confirma que avalia entrada na Indy

A Ferrari está com a mira apontada para a Indy. Quem afirmou foi o chefe da equipe na Fórmula 1, Mattia Binotto, que também afirmou que os italianos estão de olho no endurance. O motivo é realocar funcionários que perderão espaço numa F1 com gastos reduzidos


 
Até o fim da semana passada, ninguém tocava no assunto Ferrari na Indy. Mas as coisas mudam rápido, e as especulações viraram assunto concreto. Após Mario Andretti sugerir a entrada da marca italiana na categoria dos Estados Unidos, agora foi a vez do chefe ferrarista, Mattia Binotto, confirmar que existe a possibilidade da Ferrari ingressar na Indy nos próximos anos.
 
Em meio a uma importante semana, com a confirmação da saída de Sebastian Vettel no fim do ano e a chegada de Carlos Sainz Jr., Binotto disse que as modificações projetadas para a Fórmula 1 nos próximos anos, sobretudo com relação ao controle de custos e teto orçamentário, faz com que a fábrica de Maranello comece a olhar outras categorias pelo mundo. O motivo, segundo ele, é que o contingente atual da Ferrari na F1 não poderá ser mantido. A ideia é realocar aqueles que não ficarem no trabalho voltado à F1 em algum outro programa. 
 
"A Ferrari sente muita responsabilidade social com seus empregados. Queremos estar seguros de que haverá espaço para todos no futuro. Por isso, começamos a avaliar programas alternativos", afirmou em entrevista à emissora de TV italiana Sky Sports. 
Ferrari 637, o blefe na Indy (Foto: Reprodução)
"Como a Indy, por exemplo, que atualmente é uma categoria muito diferente da F1, mas tem uma mudança nas regras programada para 2022. Também observamos o mundo do endurance e outras categorias. Tentaremos tomar a melhor decisão", afirmou.
 
"Nas últimas semanas, conversamos muito sobre a redução do teto orçamentário para as equipes da F1, e agora chegamos a uma conclusão. A cifra de US$ 175 milhões será reduzida a US$ 145 milhões –  respectivamente R$ 1.04 bilhão e R$ 860 milhões. Na Ferrari, estamos nos organizando de acordo com aquilo que foi aprovado no ano passado. A redução adicional representa um desafio importante que inevitavelmente conduzirá à revisão de pessoal, estrutura e organização", comentou. 
Em 1986, por conta de um embate contra o presidente da FISA – braço-esportivo da FIA – chefiado por Jean-Marie Balestre e o presidente da F1, Bernie Ecclestone, Enzo Ferrari ameaçou largar a F1 e ir para a Indy. O negócio foi tão sério que a equipe acabou construindo, com base no modelo March 85C, desenhado por Adrian Newey, um chassi e um motor para a Indy, o 'Projeto 836'.
 
No meio do caminho, Ferrari e os dirigentes acabaram se acertando: a Scuderia queria que a F1 liberasse o uso dos motores V12 aspirados em 1989 para assinar o novo Pacto da Concórdia. Com o acordo feito, o carro da Indy nunca andou um metro sequer.
 
Atualmente, a Indy conta apenas com chassis Dallara, empresa italiana como a Ferrari. É, naturalmente, uma das mudanças que teria de ser feita para que o interesse se tornasse real: os chassis não mais serem monomarca. Foi uma das sugestões feitas por Mario Andretti na semana passada.
 

Apoie o GRANDE PRÊMIO: garanta o futuro do nosso jornalismo

O GRANDE PRÊMIO é a maior mídia digital de esporte a motor do Brasil, na América Latina e em Língua Portuguesa, editorialmente independente. Nossa grande equipe produz conteúdo diário e pensa em inovações constantemente, e não só na internet: uma das nossas atuações está na realização de eventos, como a Copa GP de Kart. Assim, seu apoio é sempre importante.

Assine o GRANDE PREMIUM: veja os planos e o que oferecem, tenha à disposição uma série de benefícios e experências exclusivas, e faça parte de um grupo especial, a Scuderia GP, com debate em alto nível.

GOSTA DO CONTEÚDO DO GRANDE PRÊMIO?

Você que acompanha nosso trabalho sabe que temos uma equipe grande que produz conteúdo diário e pensa em inovações constantemente. Mesmo durante os tempos de pandemia, nossa preocupação era levar a você atrações novas. Foi assim que criamos uma série de programas em vídeo, ao vivo e inéditos, para se juntar a notícias em primeira-mão, reportagens especiais, seções exclusivas, análises e comentários de especialistas.

Nosso jornalismo sempre foi independente. E precisamos do seu apoio para seguirmos em frente e oferecer o que temos de melhor: nossa credibilidade e qualidade. Seja qual o valor, tenha certeza: é muito importante. Nós retribuímos com benefícios e experiências exclusivas.

Assim, faça parte do GP: você pode apoiar sendo assinante ou tornar-se membro da GPTV, nosso canal no YouTube