Castroneves tenta façanha histórica na possível última vez pela Penske na Indy 500

Atrás do quarto anel da maior prova do calendário, o brasileiro precisa superar uma Honda que foi melhor na classificação e repetir algo que só ocorreu duas vezes em 103 edições: vencer largando de 28º ou pior

Helio Castroneves é um dos maiores nomes da história das 500 Milhas de Indianápolis. Três vezes vencedor da grande corrida do automobilismo norte-americano, o veterano brasileiro é também uma das principais figuras que a equipe Penske já teve. Mas o cenário para 2020 é bastante diferente para o piloto. Aos 45 anos, Helio vem mostrando no SportsCar que ainda tem bastante gasolina no tanque e que pode render também na Indy pelos próximos anos. Só que isso, possivelmente, não vai acontecer pela Penske. Ainda que uma continuidade não esteja descartada por nenhuma das duas partes, Helio já foi liberado para negociar com outros times para voltar a ser titular em 2021 na categoria.

Aí, no que pode ser a despedida da parceria três vezes vitoriosa com a Penske em Indianápolis, Helio ainda vai encarar um desafio ainda maior: em um ano de classificação completamente dominada pela Honda, o brasileiro ficou com a pior posição de largada da carreira na Indy 500: 28º lugar.

Por mais que a Penske e a Chevrolet pareçam capazes de evoluir durante a corrida e reduzir a distância para Andretti e Ganassi, especialmente, estamos falando de uma tarefa bastante complicada. É que, em toda a história da Indy 500, em 103 edições, só em duas oportunidades alguém largou atrás da 27ª colocação e venceu: Ray Harroun, em 1911, e Louis Meyer, em 1936. Caso vença, pois, Helio vai igualar a maior façanha da história do Brickyard.

Helio Castroneves vai em busca de uma façanha na Indy 500 2020 (Foto: IndyCar)

O GRANDE PRÊMIO conversou com o brasileiro após a classificação e perguntou da experiência de correr em um autódromo sem público por conta da pandemia de coronavírus, do clima de possível despedida da Penske e, claro, da projeção para a corrida. Segundo Castroneves, é momento para otimismo, afinal, o carro está bem mais eficiente no tráfego, como mostrou o TL6, logo depois do Fast Nine, no domingo.

“A classificação não foi muito boa, o nível da Honda com o boost estava um pouquinho melhor, a performance deles foi melhor. Mas também acabamos descobrindo outras coisas que poderiam ter sido melhores depois, a ordem de saída para a pista no sorteio também não foi boa, foi muito tarde. Nem deu para tentarmos voltar e tirar um tempo melhor, mas vamos para cima na corrida. Acho que a situação muda com o boost do motor diminuindo. Entre quarta e quinta-feira e mesmo no TL6 do domingo, o carro estava bem mais competitivo, no domingo descobrimos algumas coisas, o carro estava muito forte. A menos que eles estejam escondendo o jogo, não tenho muita preocupação, meu carro está muito bom no tráfego, estou confiante”, contou ao GP.

Um componente interessante para se acompanhar no agosto com mais cara de maio dos últimos anos é o impacto da possível saída de Helio do time de Roger Penske no clima. Segundo o brasileiro, se há alguma mudança em relação aos outros anos, é positiva, com a equipe tendo ainda mais gana de fechar o casamento com Castroneves atingindo o recorde de vitórias em Indianápolis.

“O fato de ser minha possível última vez na Penske nas 500 Milhas de Indianápolis não muda nada, o pessoal tem me tratado muito bem, como sempre. São 20 anos de família, não tenho notado nenhuma diferença, pelo contrário, pessoal está ainda mais empolgado para que a gente saia por cima”, garantiu.

O carro de Helio Castroneves na Indy 500 2020 está melhor no tráfego (Foto: IndyCar)

Ao que tudo indica, o paulista de Ribeirão Preto só vai ficar de fora do grid de 2021 se quiser. Enquanto se prepara em busca do quarto anel, Helio já iniciou conversas e segue buscando opções para o futuro. E sabe que a procura pode ficar ainda mais interessante em caso de mais uma boa performance na Indy 500.

“No momento, eu estou focado na Indy 500, mas já conversei com algumas equipes. Por causa da Covid-19, também precisamos entender o que vai acontecer na parte dos negócios, de patrocínios. O que eu tinha de falar é que não é porque fiquei 20 anos no mesmo lugar que agora eu vá parar, foi o que expliquei para quatro equipes, todas demonstraram interesse, mas, sim, acho que um bom resultado em Indianápolis pode acabar dando em uma briga de ofertas”, comentou.

Castroneves falou de como um processo de adaptação a uma nova casa pode levar algum tempo, mas que não é nada impossível ou muito trabalhoso. Ainda, deixou bem claro que não descarta seguir no SportsCar, categoria pela qual disputa firme o título de 2020 ao lado de Ricky Taylor. A dupla, inclusive, vem de vitória em Elkhart Lake.

“Quando você faz parte de uma equipe por 20 anos, qualquer tipo de mudança é difícil, tem um certo impacto, é normal. Mudança de casa, de cidade, de trabalho, tudo requer uma adaptação, mas isso não quer dizer que seja ruim. Aqui já tinha todo esquema de acertos, molde de banco, coisas do tipo, você elimina algumas etapas, mas nada que outra equipe não possa fazer. Ou até no SportsCar, também é uma opção caso não tenha espaço aqui. Mas, é aquilo, estou aberto para negócios”, afirmou.

Helio Castroneves mira vaga na Indy em 2021 (Foto: Indycar)

O brasileiro também lamentou a ausência do público, ainda que tenha mais privacidade para trabalhar com o time. A intenção da categoria, inclusive, era de fazer a Indy 500 com alguma porcentagem do autódromo ocupada, algo que não foi possível pelo crescimento da pandemia na região de Indianápolis.

“Andando aqui pelo autódromo está parecendo que é um teste, um treino normal. Não tem ninguém na arquibancada, o paddock muito vazio pelas restrições. Isso dá um pouco mais de liberdade para os pilotos, mas a energia dos fãs, das fotos, dos autógrafos, você recorda várias situações que passou aqui, fica realmente um pouco estranho. Mas o bom é que a corrida está acontecendo, então, todo mundo vai poder ver pela televisão”, disse.

Sem o apoio da torcida, ao menos na pista, o popular Helio vai em busca de igualar o recorde de vitórias em Indianápolis, por mais complicado que pareça. As fichas vão todas em uma melhora substancial da Chevrolet em relação ao que foi a classificação e, claro, que as impressões da primeira semana estejam erradas e que seja uma Indy 500 que possibilite muitas ultrapassagens. Assim, se sobrar apenas para o talento, Helio e a Penske vão brigar e vão atrás daquela que seria a maior façanha da história da prova.

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