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Em Long Beach que domina, Rossi retoma melhor versão com pole e ganha chance de acordar em 2019

Tido como um dos grandes favoritos ao título antes do início da temporada, Alexander Rossi retomou a melhor forma na classificação em Long Beach e cravou a pole. Em uma pista que dominou em 2018, o americano tem a grande chance de acordar para a vida no campeonato

Grande Prêmio / GABRIEL CURTY, de São Paulo / GABRIEL CARVALHO, de Campinas
Alexander Rossi é um dos grandes nomes do grid atual da Indy. Após uma tentativa frustrada de se estabelecer na F1, o americano viu na categoria de seu país uma oportunidade de se firmar como um piloto de peso e, após um tempo relutando a se conformar com sua nova realidade, focou completamente em fazer história no campeonato.
 
Dá para dizer que a relação de Rossi com a Indy mudou consideravelmente após a Indy 500 de 2016 cair no colo dele. Era nada menos que a 100ª edição da mais tradicional prova do mundo e Alexander, ainda falando o tempo todo em voltar para a F1, triunfou com um auxílio luxuoso da estratégia de Bryan Herta.
 
A chave começou a virar ali e, após algum tempo, lá estava Rossi sendo, de fato, um dos melhores pilotos do grid. O final de 2017 foi inspirador e levou a um 2018 espetacular, brigando com ninguém menos que Scott Dixon até a última etapa. Só que o vice-campeonato não parece ter feito tão bem assim ao californiano de 27 anos.
 
É bem verdade que Alexander perdeu o caneco muito por causa do excesso de arrojo em momentos determinantes como o GP de Detroit, mas foi também por causa dele que Rossi chegou tão longe, impressionou tanto e botou tanto medo nos rivais.
Alexander Rossi é pole em Long Beach (Foto: IndyCar)
Ter constatado que para ser campeão é preciso ser mais cerebral foi algo fundamental que Rossi fez, mas não dá para deixar para trás toda sua essencial. O que se viu até aqui em 2019, após três etapas, foi um piloto quase que apático, somando pontos, mas sem nenhum encanto. Lamentamos dizer, mas assim também não virá o título.
 
É verdade que Alex andou bem em Austin e até poderia ter vencido não fosse uma amarela fora de hora, mas St. Pete e Alabama foram duas mostras de um piloto que ainda não encontrou um meio do caminho para o arrojo e a apatia. A oportunidade surgiu em Long Beach, pista que Rossi fez pole e venceu em 2018.
 
Neste sábado (13), o americano deu um show na classificação. Em uma disputa pela pole que parecia ser um duelo entre Scott Dixon e Ryan Hunter-Reay, se enfiou no meio e acertou uma volta bem ao seu estilo, ou melhor, ao seu estilo de 2018, sendo agressivo e dominando os rivais para garantir a posição de honra no grid. Agora, é hora de completar o serviço, vencer a corrida e se afirmar como grande concorrente de Josef Newgarden pelo caneco de 2019.
 
"Os caras da equipe fizeram um grande trabalho. Tivemos uma sexta-feira difícil e o trabalho que fizemos durante a madrugada foi ótimo. Liderar o terceiro treino livre e anotar a pole contra os concorrentes mais duros que já tivemos, é muito crédito para o time. Isso foi gigante, não esperava, para ser sincero. Tínhamos um bom carro, mas ainda não tivemos o melhor carro do grid. Aqui, precisávamos executar certinho, pois já abriram uma grande vantagem no campeonato. O time fez um bom trabalho desde o primeiro passo, e sabemos como vencer com a pole aqui. Espero que consigamos amanhã", afirmou Rossi.
Alexander Rossi bateu Scott Dixon (Foto: Indycar)
Falando em Newgarden, o piloto do carro #2 é justamente quem parece ser, hoje, o que Rossi gostaria de reproduzir. Com uma mescla interessantíssima de arrojo e consistência, Josef já abre uma margem considerável na liderança do campeonato mesmo sem ter, na maioria das provas até o momento, o carro mais competitivo.
 
Para o GP de Long Beach, Newgarden participou da reação da Penske após treinos livres bem medianos e, fazendo o dever de casa, vai largar de quarto. Foi melhor que Simon Pagenaud, pior que o 'leão de treino' Will Power. Está ótimo para quem tem os objetivos de Josef em 2019.
 
"É uma posição de largada bem melhor que a da semana passada. O Fast Six foi importante pensando na corrida, acho que vamos ter uma vantagem boa comparado ao que foi em Barber. É muito difícil fazer algo saindo de 16º, mas, entre os seis primeiros, as coisas mudam, então estou bem animado. Queria um pouco mais hoje, admito, achei nosso carro bom. Todos fizeram um bom trabalho, faltou pouca coisa. Vamos ajustar isso, foi uma boa jornada e vamos atrás de mais amanhã", disse Newgarden.
Josef Newgarden vai largar na segunda fila (Foto: Indycar)
Outro que certamente estará na luta pelo título e pela vitória em Long Beach é Dixon. Favorito à pole, o neozelandês perdeu apenas para o inspirado Rossi e vai largar de segundo com uma Ganassi que tem um ritmo bastante promissor.
 
"Foi ok para a gente e ainda salvamos um jogo de pneus para amanhã, pode ser importante. É difícil saber exatamente como forçar os pneus nas primeiras voltas da classificação e acho que deixei uns décimos para trás, mas o Rossi fez um bom trabalho, vamos focar em amanhã, com uma boa posição de largada e sabendo que temos como nos manter na frente", falou Scott.

Se Dixon ainda saiu satisfeito, o mesmo não pode ser dito sobre aquele que era tido como seu maior rival na luta pela pole. Ryan Hunter-Reay não se encontrou na segunda fase da classificação e parte apenas de sétimo, mas não tem como falar muito de seu time, já que lá está o parceiro Rossi na pole.
 
"Obviamente foi decepcionante não chegar ao Fast Six. Tínhamos uma situação única com os pneus na classificação, terminamos usando os vermelhos para tentar ir ao Fast Six e parecia que não tínhamos performance nele, enquanto os outros tinham pneus novos. Foi definitivamente uma decepção considerando a nossa velocidade. Temos de passar alguns carros para ficar na frente amanhã, mas tivemos um bom ritmo neste final de semana e ainda enxergo um pódio", explicou Hunter-Reay.
Matheus Leist vai precisar remar muito atrás do top-10 (Foto: Indycar)
E a Foyt, hein? Depois de treinos livres animadores na sexta-feira, a equipe sumiu no sábado. Fez as duas últimas posições no TL3 e praticamente repetiu isso na classificação, com Tony Kanaan ainda batendo em seu grupo. O baiano larga em 21º, Matheus Leist parte de 20º.
 
"De algum jeito, nos perdemos na última noite e é minha culpa por tentar compensar algo que não temos. É frustrante, não deveria ter cometido este erro, deveria saber melhor, mas este é meu lado competitivo. Estou sempre tentando fazer melhor e é frustrante. Perdemos nosso caminho ontem, temos de nos reunir hoje e, talvez, ter um carro melhor pra amanhã", disse Tony.
 
"Infelizmente, as coisas não foram boas. Tivemos problemas com o carro, as condições mudaram na pista entre treino livre e classificação, você nunca sabe o que será bom e o que será ruim. Não me senti confortável no final de semana inteiro. Espero que as coisas melhorem, ainda temos o warm-up amanhã, vamos ver se conseguimos melhorar o carro", afirmou Matheus.


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