Mais do que batalha de Newgarden e O’Ward, Indy dá recado: Texas está de volta
Após anos complicados de PJ1, o Texas voltou a entregar um show como nos velhos tempos e deu um clássico instantâneo para todo fã da Indy guardar na memória
O ano é 2020. Após um longo período inativa por conta da pandemia de covid-19, a Indy se arrisca e vira a primeira categoria internacional a iniciar a temporada. O palco escolhido é o oval do Texas, uma das principais pistas do calendário, conhecida por emoção e finais dinâmicos, como o da vitória de Graham Rahal em 2017. Mas um surpreendente problema tornou aquela prova, vencida por Scott Dixon, em um grande problema para o oval.
Antes da corrida, o TMS usou uma resina chamada PJ1 na pista para a corrida da Nascar, realizada um pouco antes, e que vislumbrava aumentar o ritmo de ultrapassagens na categoria de stock cars. Na Indy, entretanto, o efeito foi contrário: os carros não podiam tocar na resina que escorregavam como se estivessem no sabão. Com isso, a pista ficou com somente uma linha de ação e praticamente impossibilitou ultrapassagens.
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O problema virou algo quase crônico. A rodada dupla de 2021 também ficou marcada pelo baixo número de ultrapassagens e as corridas foram mais movimentadas apenas pelo fator estratégico. Em 2022, mudanças bruscas foram feitas na tentativa de recuperar a pista, e um fator novo entrou: Jimmie Johnson. O heptacampeão da Nascar estreava nos ovais da Indy, e foi um dos que mais se arriscou para conquistar um bom sexto lugar, o melhor resultado que teve na categoria.
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“Talvez seja o efeito Jimmie Johnson. Viemos aqui ano passado e o pessoal estava ‘olha o Jimmie, a confiança dele, ele consegue’. Acho que Jimmie Johnson basicamente deu confiança a todos neste fim de semana”, comentou o vencedor Josef Newgarden na coletiva de imprensa pós-corrida.
Se os últimos anos ficaram marcados por corridas mais monótonas e que ganharam emoção por fatores estratégicos, 2023 foi diferente em um nível muito acima. Com 27 trocas de liderança ao longo das 250 voltas, foi a prova com mais mudanças de líder descartando a Indy 500 desde 2001, e no mesmo circuito.
Desde as voltas iniciais, ficou muito claro que era possível correr no Texas, e as grandes forças do campeonato se equilibraram entre si: a Penske, com Josef Newgarden; a McLaren, com Pato O’Ward, e a Ganassi, tanto com Álex Palou quanto com Scott Dixon. Deu até tempo da Andretti tentar uma gracinha com Colton Herta e Romain Grosjean.
Mesmo que Gateway e Iowa se destaquem e tragam boas corridas, a Indy precisa de ovais maiores além de Indianápolis. A questão de segurança tem mutilado cada vez mais pistas, e praças como Fontana, Las Vegas e Pocono não podem mais aparecer no calendário. Mesmo batendo cabeça com datas e a questão de público, o Texas voltou a dar um show.
Se é o suficiente para garantir uma renovação de contrato, ainda é desconhecido. Ao mesmo tempo em que a Indy carrega um calendário recheado e cheio de desafios diferentes aos pilotos, se agarrar em algo mais “raiz” ainda faz muito bem para a categoria. A reação coletiva dos pilotos após a prova deste domingo era de uma alegria por viver uma adrenalina diferenciada. O Texas é um dos pedaços do que torna a Indy incrível, e isso não pode ser perdido.
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