Dixon cresce em caos, mas Detroit volta a trazer cenário que Indy precisa se esquivar

Scott Dixon cresceu em meio ao caos do GP de Detroit para assumir a liderança do campeonato. Independente da corrida ter sido problemática, o neozelandês começa a deixar claro que a disputa de título é entre ele e Álex Palou

Não há nenhuma necessidade de mentir: o GP de Detroit da Indy não foi legal. Ainda amamos a categoria e ainda estamos completamente em êxtase por conta da vitória histórica, espetacular e de tantos adjetivos que Josef Newgarden teve uma semana atrás. O cenário da corrida de rua deste domingo (2) não foi bom. No meio de tudo isso, Scott Dixon surge como uma rosa em um campo de guerra, sempre nos lembrando que é um piloto que não envelhece nunca e está entre os melhores da história.

Ter uma prova de rua, além de entregar a questão do desafio aos pilotos, tem um objetivo muito claro: aproximar o público do campeonato. A Indy tem diversos grandes circuitos urbanos, e Detroit sempre foi um problema porque o Belle Isle Park não tinha lá um acesso muito fácil, mas era uma pista memorável. Não pode mais acontecer? Tudo bem. Era a hora de olhar para frente mesmo. Mas a categoria poderia ter desenhado um circuito menos enfadonho, ou se aproximar mais da política local para conseguir mais concessões que permitam uma corrida que não soa como um evento de bate-bate.

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O traçado em si é muito curto, são menos de 3 km de extensão. As ruas extremamente apertadas geram corridas como a de hoje. Nove bandeiras amarelas, muitas delas acontecendo imediatamente após as relargadas, além de uma demora absurda para a liberação das bandeiras verdes. O caos faz parte da Indy e dos circuitos de rua, mas é impossível achar que uma corrida que teve 47% sob bandeira amarela é algo legal.

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Scott Dixon foi o melhor no caótico GP de Detroit da Indy 2024 (Foto: IndyCar)

Não sabemos como será o futuro do GP de Detroit em termos de evolução. O contrato existe, mas o descontentamento dos pilotos também. Ninguém gosta de uma pista onde a velocidade média total foi de 125 km/h. A Indy precisa e pode muito bem correr em grandes centros urbanos, mas precisa fazer isso direito para angariar o público que ficou impressionado com o que aconteceu no Speedway na última semana.

Nos 53% restantes de corrida, Scott Dixon foi sublime. Escapou de todo o caos e a burrice coletiva que contagiou boa parte dos seus bons companheiros de pista. E, mais uma vez, com uma estratégia implacável, saiu com a vitória. Um incrível stint de 44 voltas no mesmo pneu e sem abastecimento. Foi o suficiente para ser superior a todo o caos no resto da prova.

E como se nada, já aparece na liderança do campeonato. Não soava como uma chance, já que Álex Palou esteve regular e andando no pelotão da frente quase o tempo inteiro, mas a bobeira inacreditável de Josef Newgarden acabou prejudicando o espanhol, que viu a bandeira quadriculada fora do top-10 pela primeira vez desde Portland, em 2022. De quebra, viu o companheiro de equipe assumir a ponta do campeonato.

Scott Dixon (Foto: Indycar)

Ainda no pódio, Marcus Ericsson aproveitou o caos para subir ao pódio pela primeira vez vestindo as cores da Andretti. Por sinal, é incrível como o piloto sueco sempre consegue se sobressair em corridas muito movimentadas. Um resultado muito digno para quem começou mal a jornada no novo time e teve uma experiência longe da mais agradável na Indy 500.

Também houve espaço para Marcus Armstrong arrancar um pódio à Ganassi. Apesar de largar bem mais atrás no grid, repetiu o feito de Dixon de seguir 44 voltas consecutivas na pista. Um bom resultado também para um piloto que ainda deve um pouco em termos de expectativa e performance pelo equipamento que tem.

O circo segue na semana que vem, no Wisconsin. É mais um circuito misto que dá a oportunidade dos carros de motor Chevrolet responderem. Seja com Josef Newgarden, Scott McLaughlin ou até Pato O’Ward e Alexander Rossi, que precisam fazer um pouco mais para evitar que Dixon e Palou monopolizem a disputa de título na reta final do campeonato.

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