Mitsubishi Cup completa 16 anos e se mantém como caminho raro na formação de pilotos de rali off-road no Brasil

Não contramão de muitas categorias nacionais, a Mitsubishi Cup chega aos 16 anos como um dos poucos caminhos para formação de pilotos de rali

É curioso, mas o país de onde saíram nomes como Emerson Fittipaldi, Nelson Piquet e Ayrton Senna não é lá uma potência na formação de atletas. Se para competidores de pista já é difícil, imagine então o que acontece no off-road, onde os brasileiros não conseguiram chegar ao mesmo nível dos campeões da F1.
 
Assim, o envolvimento de montadoras no esporte é ainda mais importante, já que são essas iniciativas privadas que servem como primeiros passos no fora de estrada. 
Mitsubishi Cup completa 16 anos em 2015 (Foto: Cadu Rolim)
O DNA da Mitsubishi leva ao investimento no esporte por meio do projeto Nação 4×4, que engloba rali de regularidade — Motorsports —, rali de estratégia e tarefas — Outdoor —, e rali cross-country — Cup —, além das expedições e de um curso de navegação.
 
Organizada pela montadora de origem nipônica, a Mitsubishi Cup é também um evento destinado aos clientes da marca, mas nem por isso deixa de ser um caminho rumo ao esporte profissional.
 
“A gente tem vários pilotos que estrearam aqui, que se desenvolveram aqui e depois partiram para outros campeonatos”, contou Guilherme Spinelli, que além de piloto da marca é diretor da Ralliart Brasil, a divisão de alta performance da Mitsubishi, em entrevista ao GRANDE PRÊMIO. “Pena que hoje realmente tem muito pouca opção fora daqui”, lamentou. 
 
“Felizmente, a gente tem várias categorias aqui dentro onde o piloto pode iniciar por uma categoria de custo mais baixo, de performance mais lenta, e pode ir subindo os degraus aqui dentro mesmo até chegar a uma categoria com um carro como a Triton RS, que é um carro extremamente rápido, de altíssimo nível de rali”, indicou. “Então, não tendo muita opção fora, pelo menos aqui dentro o piloto faz uma carreira”, ponderou.
 
 Na contramão das categorias nacionais, a Mitsubishi Cup completa seu 16º aniversário. 
 
“Acho que o segredo é um trabalho sério, bem feito, sempre trocando experiências e ouvindo muito os pilotos e navegadores. É um trabalho onde a gente na Mitsubishi preza pela qualidade, pelo respeito aos participantes, pelo cumprimento das datas, enfim, dos formatos propostos”, afirmou Guiga. “Sem dúvida que isso também é um importante argumento de marketing para a Mitsubishi, então a gente usa a nossa paixão pelo automobilismo como uma ferramenta de marketing e podendo junto a isso — o que nos dá muita satisfação — proporcionar a todos esses pilotos e navegadores a oportunidade de ser piloto e navegador. Participar do automobilismo”, completou. 
 
Com mais de uma década e meia de história, a competição conta com um grid cheio por onde quer que passe. Na segunda etapa, disputada em Mafra, no interior de Santa Catarina, por exemplo, foram 52 duplas divididas em cinco categorias: L200 Triton RS, L200 Triton ER, Pajero TR4 ER, Pajero TR4 ER Master e ASX-R.
Mafra recebeu a segunda etapa da competição (Foto: Ricardo Leizer/Mitsubishi)
Para garantir a segurança dos participantes, as sete etapas — que compreendem um total de 19 provas — são realizadas em circuitos fechados, sempre inéditos, e que podem ter extensão de 30 ou 50 km.
 
“Para a organização, é muito mais fácil trabalhar em um circuito fechado, em um ambiente controlado, onde eu não vou ter interferência de fora, como, por exemplo, um carro, alguém a cavalo, alguém que possa invadir e comprometer a segurança o trajeto”, explicou Carlos Martinacci, diretor de provas da Mitsubishi Cup em entrevista ao GP.
 
Além de garantir a segurança, a realização de prova em fazendas também altera o grau de dificuldade e a exigência de cada dupla.
 
“Os trajetos abertos são trajetos em linha. Você sai de um lugar e chega em outro, então é muito mais complicado você fazer o fechamento, é um esforço muito maior, e, consequentemente, o piloto e o navegador não têm uma informação tão precisa, então têm que ser muito mais conservadores”, apontou Martinacci. “A gente brinca que os pilotos mais agressivos se dão bem em uma prova como a Cup e os pilotos mais conservadores, aqueles que cuidam mais do carro, eles acabam se dando melhor em uma corrida como o [Rali dos] Sertões, porque ele consegue poupar, ele dificilmente se envolve em acidentes por um descuido, uma falta de concentração”, indicou.
 
Na etapa de Mafra, por exemplo, o trajeto de 32 km foi desenhado em campos colhidos de soja e milho, o que permite ampla visibilidade, mas que também torna a navegação mais importante.
 
Assim como nos demais ralis cross-country, as duplas recebem uma planilha com indicações sobre o percurso. Em comparação com o Rali dos Sertões, por exemplo, como se trata de uma competição com um percurso muito menor, o material de navegação é mais extenso, mais detalhado.
 
“A nossa planilha é bem mais detalhada. Em um trajeto como este, de 32 km, eu tenho, aproximadamente, 150 referências. Então, para cada km, eu tenho uma sequência de, pelo menos, cinco referências. A cada 200 metros, tenho uma informação. O que é bastante informação para a dupla assimilar e, obviamente, isso vai fazer diferença para quem conseguir fazer isso da melhor forma”, contou Martinacci.
 
 Apesar da amplitude do material de navegação, a Mitsubishi Cup não exige experiência prévia, apenas que o participante seja filiado uma das federações de automobilismo. E, de acordo com o diretor de provas, não é assim tão difícil entender as planilhas.
 
“É um mapa escrito”, resumiu Martinacci. “A gente decodifica cada uma das curvas, cria um código e coloca ela na tabela. Como a estrada é como se fosse uma linha, ela é uma linha toda tortuosa, mas ela é uma linha que vai sempre passar de uma referência para outra. Eu coloco a distância que existe de uma referência para outra. Conforme ele vai andando, ele vai encontrar uma referência, então ele andou 200 metros, ele tem uma curva. Depois, em 300 metros, ele tem outra curva para outro lado, e assim é uma sucessão de referências aonde o navegador vai informando previamente para o piloto”, seguiu. 
 
“Isso é o que vai valorizar o entrosamento entre piloto e navegador. O navegador interpretando corretamente as informações e passando de uma forma que o piloto consiga colocar isso em desempenho, acelerando mais forte onde dá e sendo conservador onde precisa”, completou.

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