Álex x Álex: Rins e Márquez crescem e botam tempero na temporada 2020 da MotoGP

Protagonistas do GP de Aragão, os pilotos de Suzuki e Honda conseguiram incendiar ainda mais uma temporada absolutamente incomum da MotoGP

A temporada da MotoGP ganhou um pouco mais de tempero neste domingo (18). Ao cruzar a linha de chegada do MotorLand com 0s263 de margem para Álex Márquez, Álex Rins se tornou o oitavo vencedor diferente em dez corridas de um campeonato que fica mais e mais imprevisível. Com quatro GPs para o encerramento da disputa, quatro das seis fábricas já venceram em 2020 ― Honda e Aprilia são as únicas duas exceções ― e 17 pilotos ainda têm chances matemáticas de título.

A primeira das duas provas em Alcañiz marca uma espécie de renascimento para Rins, já que o piloto da Suzuki tardou em entrar na briga dos ponteiros por conta de uma lesão que sofreu ainda no início do ano. 36 pontos atrás de Joan Mir, o novo líder da classificação, Álex não é favorito ao título ― ao menos por agora ―, mas é mais um que pode roubar pontos de um e outro aqui e ali. Especialmente em um ano com a marca da irregularidade.

Quem também entra nesta situação é Álex Márquez. A Honda começou o ano de uma maneira até triste, já que na ausência de Marc Márquez, ninguém conseguia fazer a RC213V funcionar. Após o teste coletivo de Misano, porém, as coisas começaram a entrar nos eixos. Semana passada, em Le Mans, o piloto de 24 anos conseguiu o primeiro pódio na classe rainha, mas tratou de conter a animação, já que foi um resultado conquistado no molhado. Desta vez, porém, o caçula de Roser e Julià fez uma bela prova de recuperação no seco e ficou bem perto, inclusive, de vencer pela primeira vez.

Álex Rins e Joan Mir fizeram a alegria da Suzuki em Aragão (Foto: Suzuki)

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Assim como Rins, Márquez também pode se tornar uma interferência expressiva na briga pelo título, uma vez que a presença entre os ponteiros pode fazer diminuir a pontuação dos candidatos ao título.

Terceiro integrante do pódio, Mir saiu ganhando e perdendo neste fim de semana. O espanhol vai embora de Aragão 1 com a liderança do Mundial, mas a vaga no top-3 tem um sabor um tanto amargo, já que Joan entrou na corrida sonhando em vencer pela primeira vez na divisão de elite.

De um jeito ou de outro, são três pilotos que partem para a reta final da temporada com a motivação em alta, mesmo que por motivos diferentes.

“Estou super feliz pela corrida. Na MotoGP, eu nunca tinha escapado na ponta, nunca tinha feito isso. Acreditei o tempo todo em mim e nas minhas possibilidades”, comentou Rins. “Na largada, estava muito tranquilo, até demais, e não sei se isso era bom. Achava que deveria estar mais nervoso. Larguei bem, me coloquei em quarto, depois em segundo e achei que tinha um ritmo melhor que o Maverick [Viñales], que tinha algo mais. Eu me coloquei em primeiro e cuidei dos pneus para poder aguentar até o final”, recordou.

“A verdade é que este fim de semana eu tinha dito para a minha equipe que queria fazer à la [Jorge] Lorenzo: me colocar em primeiro e escapar. Não escapei muito, mas consegui”, comentou.

Álex Márquez conquistou o segundo pódio na MotoGP (Foto: Red Bull Content Pool)

O espanhol contou que a informação da proximidade de Mir o preocupou, mas também o fez perceber que todos estavam no limite.

“Quando vi que Mir estava a 0s0 de mim, forcei um pouco mais, mas quando percebi que ele não me ultrapassava, entendi que estávamos no limite dos pneus”, apontou.

Álex fez questão de agradecer a Suzuki pelo trabalho desempenhado neste ano e também pelo apoio que recebeu após a lesão que sofreu no ombro no GP da Espanha, abertura do Mundial.

“Passamos por momentos duros. Quero agradecer aos que me apoiaram em todo momento. Na Áustria, caí quando me coloquei em primeiro. Em Le Mans, caí seguindo o [Danilo] Petrucci. Não é fácil gerir estas situações”, reconheceu. “Esta vitória significa muito para mim. É o passo do sofrimento que tivemos durante o campeonato para a felicidade de poder vencer”, resumiu.

“É genial para a Suzuki e para toda a fábrica, para toda a equipe, porque motiva todo mundo e todo mundo vai te motivando, mas a vitória não vinha. No final, chegou aqui em Aragão, então, estou muito feliz”, completou.

Agora feliz proprietário de dois pódios na MotoGP, Álex Márquez celebrou o fato de ter feito na corrida a mesma coisa que conseguiu fazer ao longo dos treinos.

“Me senti muito bem em cima da moto. Era eu, Álex. O que tinha nos treinos, consegui fazer nas corridas. A equipe me disse que não faria nada diferente. Na última curva, me senti muito bem para ultrapassar. Este foi no seco. Agora sim”, comemorou. “Na última [volta], voltei a fazer [1min]43s9, completamente no limite, rezando para que Rins cometesse um pequeno erro. Sabia que ele também estava no limite. Pude controlar o pneu dianteiro da melhor forma e estou contente também por isso. Logo consegui me recuperar depois do erro na primeira curva, mas era tarde demais”, admitiu.

Apesar do bom momento, Márquez acredita que os dois pódios estão acima das possibilidades reais da Honda. “Não estaremos lá a cada fim de semana. Na MotoGP, tudo muda a cada fim de semana. É um bom momento para estar no top-8”, avaliou.

Joan Mir assumiu a primeira colocação da classificação (Foto: Suzuki)

Ainda assim, o resultado serve para ganhar moral, já que ajuda a silenciar aqueles que atribuíam a presença do campeão de Moto3 e Moto2 na MotoGP aos laços sanguíneos com o hexacampeão Marc.

“Nunca duvidei que merecia. Sei o que eu conquistei no passado. Aqui se vive o presente e eu tinha de demonstrar o motivo de estar aqui”, disse. “Tentei ser o mais profissional que podia, tentar fazer o meu trabalho sem escutar ninguém. No fim, chegamos. Quando você está aqui, o difícil é manter, não chegar”, reconheceu.

Além disso, Álex acredita que, junto com Takaaki Nakagami, poderá diminuir o impacto negativo da ausência de Marc no desfecho do campeonato da Honda.

“Meu estilo é diferente de Marc. Sou mais alto, mais fino, cuido mais dos pneus em alguns pontos. Temos problemas diferentes e posso ajudar a Honda a fazer uma moto mais completa. Junto com Nakagami, podemos ajudar para que não seja um ano perdido”, garantiu.

Agora com seis pontos de vantagem na liderança da MotoGP, Mir encerrou o primeiro fim de semana em Aragão lamentando ter perdido a chance de vencer.

“Estou muito contente, mas ver a vitória tão de perto, me sentia muito bem com a moto. Na metade da corrida, me sentia mais rápido que o resto”, relatou. “Tentei preservar o pneu durante a corrida para usar no final, mas tive um problema com a parte traseira da moto. Tinha dificuldades nas curvas para a esquerda. Por isso, me sinto um pouco decepcionado”, relatou.

“Estar atrás dos pilotos com o pneu macio não me beneficiou. Falhamos na parte em que somos mais fortes. Estou decepcionado por isso, mas contente com o pódio”, detalhou.

Mir contou, também, que não ficou sabendo das posições de Viñales e Quartararo durante a corrida, mas tampouco estava focando em saber onde estavam os rivais na briga pelo título.

“Não me informaram e também não estava preocupado nem com Fabio e nem com Maverick. Só estava pensando em ganhar a corrida. Hoje era possível vencer, mas não consegui. Estou contente, mas ao mesmo tempo decepcionado”, relatou. “É muito bom ser líder do Mundial, mas isso é bom na última corrida. Hoje não serve para nada. Agora é bom estar na frente, é mais difícil correr atrás, mas as coisas podem mudar. O importante é que somamos mais pontos que nossos rivais na classificação geral”, ponderou.

Restando quatro corridas para o encerramento da temporada, o campeonato segue aberto, com quatro pilotos separados por apenas 15 pontos. A reta final de 2020 vai pegar fogo.

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