Coluna Wild Card, por Juliana Tesser: Ah, Viñales…

Maverick Viñales é um ótimo piloto e faz parte de uma geração que deve garantir o sucesso da MotoGP pelos próximos anos, mas ele não bate bem e é muito mal orientado

Maverick Viñales foi o nome da semana no Mundial de Motovelocidade. Sandro Cortese conquistou o título da Moto3, mas foi o jovem espanhol quem mais chamou a atenção.

Na sexta-feira, o piloto da Avintia não apareceu para participar do primeiro treino livre e quando deu as caras no circuito foi para detonar a equipe, que classificou como “time de segunda divisão”.

Bom, o espanhol venceu cinco provas na temporada e se é verdade que não apresentou o mesmo desempenho na fase final do Mundial, também é verdade o piloto errou algumas vezes, o que permitiu que Cortese abrisse vantagem na liderança da Moto3.

Viñales está com o filme um pouco queimado com os patrocinadores do Mundial (Foto: Repsol)
A Avintia pode não ser a melhor equipe do mundo, mas não chega a ser exatamente uma porcaria. É óbvio, entretanto, que Maverick vê as coisas por um prisma diferente.
 
No meu entender, o piloto, apesar de tudo que disse, não contou a história inteira. Diz a imprensa internacional que o empresário de Viñales, que é o mesmo Ricard Jové que atende como chefe da Avintia, não falou com Maverick e seu pai sobre todas as propostas que ele recebeu para 2013, incluindo uma oferta da Aspar e outra da KTM.
 
Não precisa ser nenhum gênio para notar que há um conflito de interesses nisso aí. Claro que Jové não queria ver Viñales derrotando o time no ano que vem. É feio esconder do cliente que ele tinha opções melhores? É, mas o que me surpreende é Maverick, seu pai e seja lá quem o aconselha nunca tenham pensado nisso.
 
Deixando Jové e a Avintia de lado, Viñales optou por um jogo arriscado. Uma das coisas que meu pai sempre me ensinou é que a gente não deve sair de um emprego fechando a porta. A gente nunca sabe o que pode acontecer e, às vezes, o seu ex-chefe pode se tornar seu ex-ex-chefe.
 
Claro, isso nem sempre é fácil. Às vezes a gente quer chutar a cadeira, mandar o chefe pro inferno e sair da sala correndo alegre que nem o Bambi, mas é sempre melhor sair acenando como se você estivesse participando de um concurso de Miss. 
 
Papai Viñales, com toda certeza, não é tão prudente como o meu e esqueceu de passar este ensinamento para frente. Do alto de seus 17 anos, Maverick foi lá, chutou o balde e se queimou com meio mundo. 
 
O espanhol é bom piloto e é bastante provável que as equipes se interessem por ele, mas aos olhos dos patrocinadores – que movem este esporte – a coisa ficou um pouco feia.
 
De volta à Espanha, Maverick contratou um advogado, que o aconselhou a baixar o tom e ir para a Austrália cumprir as suas obrigações. Enfim, uma pessoa sensata. 
 
Eu até acho divertido quando um piloto apronta com uma equipe, principalmente quando a gente vê que as equipes não pensam duas vezes antes de trocar um por outro mais rico, mas a atitude do Viñales não teve nada de positiva. 
 
O ruim dessa vida de piloto é que eles são obrigados a crescer muito rápido, mas, no fundo, ainda tem certa imaturidade típica da idade. Aos 17 anos, eu, talvez, também saísse chutando a porta, a diferença é que eu não iria na imprensa fazer alarde com isso.
 
Não que os jornalistas sejam os canalhas da história. Todos eles fizeram seu trabalho. Mas alguém deveria ter dito para o Viñales que era melhor ele não falar com ninguém. Ele podia ter divulgado um comunicado ou dado uma simples declaração.
 
Eu, como repórter, acharia isso muito ruim, mas como assessora de imprensa que já fui, sei que seria muito mais inteligente. Algumas coisas não podem ser reparadas. É como aquelas placas de obra de escola pública onde escrevem “encino”. Não interessa se você tem o melhor assessor de imprensa do mundo, ele simplesmente não tem como explicar isso. 
 
A Moto3 é um celeiro de ótimos pilotos, mas alguns deles são esquentadinhos demais. Tá aí o Niklas Ajo que não me deixa mentir.

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