Com zebras e treta, MotoGP tem classificação ao som de ‘um minuto para o fim do mundo’

Dos 15 minutos do Q2, foi o minuto final que levantou o espectador da MotoGP da cadeira neste sábado (14). Além de acolher o fim do jejum de poles de Maverick Viñales, os 60s decisivos viram um Pol Espargaró brilhante e mais uma polêmica entre Marc Márquez e Valentino Rossi

Se todo bom filme precisa de uma boa trilha sonora, o roteiro deste sábado (14) vem embalado por um clássico nacional. Há 14 anos, o CPM22 lançava o álbum ‘Felicidade Instantânea’, que tinha entre suas 16 faixas aquela que marcou a carreira da banda de Barueri: ‘Um minuto para o fim do mundo’. E a composição de Wally e Rodrigo Koala não poderia ser mais perfeita para o treino que definiu o grid de largada do GP de San Marino e da Riviera de Rimini.
 
Muito embora a parte final da classificação tenha 15 minutos de duração, foi o minuto final que se fez memorável, já que foi ali que coube o fim do jejum de poles de Maverick Viñales ― que vinha desde o GP do Catar, na abertura da temporada ―, uma atuação esplendorosa de Pol Espargaró com sua KTM ― a primeira vez da fábrica de Mattighofen na primeira fila no seco ― e mais um capítulo na história de tumultos entre Marc Márquez e Valentino Rossi.
Pol Espargaró e Maverick Viñales se destacaram na classificação (Foto: Gold & Goose/Red Bull Content Pool)
O que mais poderia embalar um roteiro como este? Viñales, literamente, teve “uma volta no ponteiro do relógio para viver”. Pol procurava “um caminho para seguir. Uma direção, respostas!”. E, já que é para seguir na linha dos versos cantados por Badauí, o novo encontrão entre Rossi e Márquez pode perfeitamente ser ilustrado por “Por favor entenda eu preciso ir embora porque/Quando estou com você/Sinto meu mundo acabar”.
 
Brincadeiras à parte, depois de duas corridas excelentes como os GPs da Áustria e da Grã-Bretanha, a prova de San Marino não poderia ter começado de um jeito melhor. Graças a um teste recente, os pilotos já tinham a mão de Misano e, assim a MotoGP se mostrou competitiva desde o desembarque na Riviera de Rimini.
 
Como aconteceu há algumas semanas, a Yamaha se mostrou forte desde o princípio e não fugiu do favoritismo à pole. A disputa pela posição de honra, porém, teve um participante inesperado: Pol Espargaró.
 
Aproveitando a referência de Fabio Quartararo, o caçula dos irmãos Espargaró cravou 1min32s560 instantes antes da bandeirada. Por um momento, parecia mesmo que a KTM ficaria com a pole, mas aí Viñales apareceu 0s295 melhor para garantir a ponta da grelha.
 
“Eu estou realmente feliz, pois já desde sexta-feira eu me senti realmente bem”, começou Maverick. “De alguma forma, eu consegui um feeling melhor do que no teste e posso fazer tempos de volta muito bons, mesmo com pneus usados, então estou empolgado para amanhã”, seguiu. 
 
“Acho que estamos trabalhando de uma maneira realmente boa e, passo a passo, acho que melhoramos bastante nosso estilo de pilotagem na moto”, avaliou. “De qualquer forma, Misano é sempre muito bom para mim, eu sempre me sinto ótimo aqui. Conquistei uma pole em 2015, fui terceiro no ano passado. É bom estar na frente, batalhando com Fabio e Pol e, como sempre, tentando fazer o meu melhor”, comentou.
 
Apesar da pouca aderência na pista, a Yamaha tem conseguido encontrar tração, e Viñales vê no ritmo de curva a chave para o bom desempenho do time de Iwata neste fim de semana.
 
“De alguma forma, mesmo em condições escorregadias, nós criamos uma velocidade de curva realmente boa e acho que é por isso que somos muito rápidos”, avaliou. “Acho que amanhã o macio e o médio serão boas opções para nós. Vamos tentar forçar desde a primeira volta e aí vamos ver. Mas estamos prontos para lutar até o final. O objetivo, claro, é lutar pela vitória”, completou.

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Mais do que satisfeito com a performance da RC16 neste sábado, Pol Espargaró avaliou que o segundo lugar no grid de Misano é ainda melhor do que aquele conquistado em 2014 com a Tech3 na França.
 
“É incrível estar aqui depois de tanto, tanto tempo na minha carreira”, comemorou. “Agora é um pouco diferente do que naquela época. Naquela época, eu estava com outra fábrica e eles estavam muito acostumados a estar nessa situação, mas agora é completamente diferente. É uma moto nova, de dois anos e meio, uma equipe maravilhosa por trás deste projeto, muito apoio de pessoas muito boas”, continuou.
 
“Estar aqui hoje é muito mais especial do que naquele dia. Se aquele dia foi a minha primeira vez na minha carreira na MotoGP, esta é a segunda, mas parece melhor do que a primeira”, comparou. “Eu só quero tirar um momento para agradecer todas as pessoas que fazem essa moto funcionar tão bem aqui, porque eu fui rápido, mas, sem aquela máquina, hoje seria impossível. Então obrigado a essas pessoas que dedicam muitas horas, esforço e suor. Tomara que a gente continue melhorando como estamos fazendo”, declarou.
 
Mesmo animado, Pol sabe que será difícil conter a concorrência no domingo. Ainda assim, o catalão quer aproveitar a vista da primeira fila. 
 
“Honestamente, eu me sinto bem. Nesta manhã, eu tive uma mão do Maverick para fazer o tempo de volta e descobri que podia fazer algo assim. Mas fui para os boxes e disse para os meus rapazes que aquela seria a minha volta mais rápida do fim de semana, porque não poderia melhorar, já que aquilo estava próximo da perfeição”, contou. “Aí, de tarde, Fabio me deu uma mão e eu pude fazer uma volta. Ele diminuiu o ritmo, pois teve algum problema com a frente e aí, no quarto setor, eu era rápido, então não precisava mais do suporte dele, então pude forçar no quarto setor e saiu uma volta melhor”, explicou. 
 
“Eu fiquei surpreso, mas, de qualquer forma, isso não importa. O que importa é a corrida de amanhã”, reconheceu. “O ritmo no TL4 foi muito bom, com pneus muito, muito desgastados, na dianteira e na traseira, quase a distância da corrida, o tempo de volta não foi ruim, então, com certeza, precisamos ser realistas para lutar contra esses superpilotos. Mas talvez estar por perto nas primeiras voltas com os pneus novos e aí cair um pouco no final. O que é certo é que amanhã terei a melhor vista da minha vida e vou aproveitar no início da corrida”, completou.
 
Destaque ao longo de todo o fim de semana, Quartararo pagou o preço por uma escolha errada de pneus, mas, mesmo assim, saiu satisfeito de Misano.
Marc Márquez e Valentino Rossi se enroscaram na classificação (Foto: Reprodução)
“De manhã, nós nos sentimos muito bem, pois tínhamos uma ideia muito clara em relação ao pneu dianteiro. De tarde, normalmente o plano é fazer dois ataques à tabela de tempos com o dianteiro médio, mas, no final, eu decidi mudar para o macio e não foi a melhor decisão. Era macio demais para parar a moto, a dianteira se movia muito, como ontem. De tarde eu na tinha me sentido muito bem, hoje foi mais ou menos a mesma situação, mas a meta principal era estar na primeira fila. Nós conseguimos o nosso objetivo, então estou realmente feliz sobre como foi hoje e como o nosso ritmo foi muito bom com pneus macios e médios”.
 
Depois de levar alguns sustos com a frente da M1 ao longo do fim de semana, Fabio afirmou que a SIC ainda tem uma última coisinha para testar no warm-up.
 
“Com certeza, vamos tentar algo que tentamos no teste e foi realmente positivo. Sabemos que as condições do warm-up de amanhã serão muito mais frescas do que na corrida, mas podemos tentar alguma coisa e decidir exatamente que pneus vamos usar”, finalizou.
 
Líder do Mundial, Marc Márquez vai experimentar a vista de fora da primeira fila apenas pela segunda vez na temporada. O #93 teve um fim de treino tumultuado por conta de um incidente com Rossi, mas, mesmo que não tivesse acontecido, não teria superado os ponteiros.
 
 
"Eu não entendi o que aconteceu porque esse tipo de ultrapassagem em classificação fica meio estranho. Não sei qual foi a intenção dele, melhor perguntar a ele”, disparou. “De qualquer jeito, serei claro porque já estão dizendo que eu segui de novo o Valentino e não foi isso. Saí dos boxes e eu conferi, estava completamente sozinho. Aí, quando eu cheguei na reta, Valentino estava esperando ou então muito lento e eu só parei atrás dele porque estava na frente dele nos tempos e não queria forçar até minha última volta", continuou.
 
"Nós abrimos a última volta, deixei uma diferença entre nós e aí escapamos na curva 6, ele tocou a faixa verde, então teve a volta cancelada. Eu estava rápido, mas não muito rápido. Tive a chance de ultrapassar na reta. Ok, eu realmente excedi os limites da pista ali, mas só fui descobrir pela TV, na moto não dá para ver bem isso”, ressaltou. “Segui acelerando, mas chegamos na curva 14 e, do nada, vi uma moto vindo muito rápida por dentro em uma velocidade em que não se faz curva. Sorte a minha que evitei o contato, tive boa reação e aí minha segunda reação, para deixar claro, não foi pedir desculpas, mas entender o que estava rolando, eu realmente não entendi. De toda forma, o melhor para mim era mesmo evitar a batida", completou.
 
Mesmo largando em quinto, o espanhol de Cervera se mostrou confiante em uma boa corrida, mas deixou claro que vai correr pensando no campeonato.
 
“Nós vamos largar da segunda fila amanhã, então não foi um dia terrível e nós estamos focando na luta pela vitória”, anunciou. “A nossa meta é o campeonato e é nisso que estamos focados. Me senti muito bem no TL4, fora uma pequena queda, então estou bem confiante no nosso ritmo de corrida”, garantiu.
 
Rossi, por sua vez, foi quem mais saiu no prejuízo na classificação, já que vai largar apenas em sétimo.
 
“É uma pena, pois fui forte no TL4. Eu tive um bom ritmo, então esperava ser mais forte na classificação, mas, infelizmente, durante o Q2, com os pneus macios, eu tive problemas”, lamentou. “A primeira volta não foi tão ruim, mas fiquei preso no tráfego”, explicou.
 
“Começar em sétimo é desafiador, porque não é na segunda fila. Largar na terceira fila é mais difícil, mas o ritmo é bom e vamos tentar o máximo”, garantiu. 
 
Assim como Márquez, Rossi negou que tenha atrapalhado a volta do espanhol e garantiu que não sabia que seu giro também seria cancelado por ter excedido os limites da pista.
 
"Estava na minha volta mais rápida, dando 100% e ele me passou na curva 11, que é rápida, e ali ele já me fez perder bastante tempo. Só que, ao me passar, ele pisou na área verde, então eu tentei me manter por dentro e retomar a posição no hairpin, mas eu cheguei de lado. No fim, perdemos todas as chances de uma volta rápida", disse Rossi. "Ele tentou me passar na Curvone já sabendo que iria arruinar minha volta e foi na área fora da pista. Eu tentei passar de volta, passei um pouco da posição que queria. Sinto muito porque, tirando isso, eu queria ter sido mais rápido na classificação, largar mais para frente, o ritmo não era ruim. Serei sétimo e vai ser difícil passar porque tem bastante gente forte na frente", seguiu.
 
"Eu nem sabia que eu tinha ido para a área verde. Estava acelerando tudo, achei que estava na pista ainda. Era minha volta mais rápida, minha última chance, só fui ver depois, no papel, que eu toquei a área verde", completou.
 
Os dois, aliás, foram chamados ao Painel de Comissários da FIM (Federação Internacional de Motociclismo), mas escaparam de punições.

O GP de San Marino e da Riviera de Rimini de MotoGP está marcado para o domingo, às 9h (de Brasília). Acompanhe aqui a cobertura do GRANDE PRÊMIO.

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