Ducati nega ordens de equipe e diz que pediu “mesmo de sempre” na Malásia: cuidado
Chefe da equipe de fábrica da Ducati, Davide Tardozzi negou que Enea Bastianini tenha sido impedido de vencer o GP da Malásia por ordens de equipe. Além disso, o dirigente garantiu que os pilotos da marca seguem livres para brigar pela vitória na decisão da MotoGP, mas devem ser cuidadosos com os companheiros de marca
Chefe da Ducati, Davide Tardozzi negou que Enea Bastianini tenha sido impedido de vencer Francesco Bagnaia o GP da Malásia por ordens de equipe. De acordo com o dirigente, a única orientação dada aos competidores em Sepang, penúltima etapa da MotoGP 2022, foi a “mesma de sempre”: para que eles evitem manobras agressivas entre os pilotos da marca.
Na corrida malaia, Bastianini pressionou Bagnaia fortemente n maior parte da disputa e chegou a assumir a liderança com uma manobra na curva 4. Pecco, no entanto, respondeu na última curva e voltou à liderança. O titular da Gresini manteve a proximidade, mas desistiu de fazer uma tentativa na volta final.
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Após a corrida, Enea indicou que teve problemas de tração na parte final da disputa e considerou que uma tentativa de ultrapassagem na última volta poderia ser perigosa.
“Estou feliz com a minha corrida. Não estou realmente feliz com a última parte da corrida, pois a minha tração não era realmente boa, especialmente na saída das curvas lentas”, contou. “Tentei o melhor para ultrapassar Pecco na última voltas, mas foi impossível”, relatou.
Questionado se não tentou ou não conseguiu, Bastianini respondeu: “Eu tentei passar Pecco de novo na última volta, mas foi um pouco perigoso. Às vezes, temos de ver também que existem outras questões. Ele também luta pelo campeonato. É assim”.
Durante toda a corrida, foi visível o nervosismo da Ducati. Tardozzi, o diretor-esportivo Paolo Ciabatti e o chefe da Ducati Corse Gigi Dall’Igna, passam a prova discutindo, mas sem dar nenhuma orientação a Gresini.
Ao longo do ano, a casa de Borgo Panigale até admitiu que poderia fazer uso de ordens de equipe, mas, até agora, insiste que mantém os pilotos livres para disputarem posição, desde que sejam cuidadosos uns com os outros.
“Gostaria de me antecipar, e tenho certeza de que a segunda pergunta será ‘Vocês disseram algo a Enea?’. Sim, a mesma coisa de sempre. Não seja duro com outros pilotos Ducati. Só isso”, garantiu Tardozzi em entrevista à emissora britânica BT Sport.
O chefe da equipe destacou que a Ducati ainda é assombrada pelo episódio do GP da Argentina de 2016, quando Andrea Iannone derrubou Andrea Dovizioso — os dois eram companheiros da equipe na fábrica italiana — na última volta em Termas de Río Hondo enquanto brigavam pelo pódio. Na época, a casa de Bolonha não tinha a mesma performance de hoje, o top-3 era bastante mais raro e o incidente sempre foi apontado como um fator na saída de Iannone da equipe.
“Nós estávamos pensando se confiávamos nos nossos pilotos. E a resposta é sim. Obviamente, estávamos nervosos, pois não queremos nenhum… Ainda temos a Argentina, Iannone/Dovizioso, diante dos olhos”, comentou. “Não queremos aquilo de novo. E isso é a coisa ruim que pode acontecer. E nós queremos evitar. Mas, no fim, confiamos nos nossos pilotos”, frisou.
“E, não, não demos ordens de equipe. Eles sabem o que fazer”, assegurou.
Na visão de Tardozzi, os tempos de volta da corrida indicam que tanto Bagnaia quanto Bastianini tinham mais facilidade para seguir do que para liderar.
“Quem sabe sobre corrida como esses dois caras? Acho que eles entenderam que ficar atrás é mais fácil para seguir e para fazer o tempo, mas, quando estão na frente, se você é rápido, ainda faz os mesmos tempos. E [isso] não [aconteceu]”, indicou.
Agora, Bagnaia vai para a última corrida do ano com 23 pontos de vantagem para Fabio Quartararo. Mesmo reconhecendo a força do adversário da Yamaha e a importância do resultado do francês em Sepang, Tardozzi garantiu que os pilotos da Ducati seguem livres para disputar posições.
“Sabendo que precisamos de só dois pontos para vencer o campeonato, todas as Ducati estarão absolutamente livres”, anunciou Tardozzi. “Mas o recado é o mesmo: não façam ultrapassagens em outras Ducati que sejam muito perigosas”, concluiu.
À revista italiana Motosprint, refutou a teoria de que, ao exibir o pit-board com o nome de Bagnaia no fim da disputa em Sepang, a Gresini estava instruindo Bastianini a deixá-lo passar.
“A equipe Gresini simplesmente colocou o nome do piloto que estava atrás dele. Seguimos dizendo aos pilotos Ducati para não fazerem ultrapassagens arriscadas”, defendeu. “Por isso, era necessário informar que ele tinha outro piloto Ducati atrás. Entre outras coisas, Quartararo estava se recuperando. E nós devemos parabenizá-lo pela corrida esplêndida que fez”, pontuou.
“A chave para remover todas as dúvidas é uma só. Enea, que está brigando pelo terceiro lugar no campeonato, precisa de pontos: em determinado momento, ele tomou a liderança, fez três voltas na frente, mas foi mais lento. Depois, voltou para trás de Pecco, baixando os tempos. Se tivesse mais do que Pecco, não teria baixado o tempo quando estava na frente”, avaliou. “Enea fez uma grane corrida e será um candidato ao título no ano que vem, mas agora é necessário parar de dizer que nós falsificamos a corrida. Insisto, nós só damos avisos. É hora de começar a acreditar nos pilotos”, encerrou.
Pelas redes sociais, Bagnaia cutucou as especulações e brincou que ao invés de ordens de equipe, pediu “apenas um cachorro-quente”.
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