Ex-chefe da Suzuki vê Honda “na tempestade”, mas cita acerto com Kawauchi: “Muito bom”
Livio Suppo explicou o trabalho feito por Ken Kawauchi na Suzuki e considerou que o grande trunfo do diretor-técnico é estabelecer uma boa relação entre as equipes de pista e da fábrica. O italiano, que também chefiou a Honda, considerou que a empatia é um dos grandes trunfos do novo funcionário da marca da asa dourada
Ex-chefe da Suzuki, Livio Suppo considerou um acerto da Honda a contratação de Ken Kawauchi para o posto de diretor-técnico na equipe da MotoGP. Na visão do italiano, o dirigente japonês vai facilitar a comunicação entre as equipes de pista e de fábrica e tem na empatia um grande trunfo.
Suppo comandou a Suzuki por apenas um ano, já que chegou às vésperas da retirada da montadora da MotoGP, mas comandou a Honda entre 2011 e 2017, período em que a marca conquistou cinco títulos, todos com Marc Márquez. 2022, porém, contrasta em absoluto com este cenário, já que a casa de Hamamatsu fechou a temporada na lanterna do Mundial de Construtores.

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Tentando dar um novo rumo para a RC213V, a Honda contratou Kawauchi para substituir Takeo Yokoyama, que vai assumir outras funções dentro da HRC. Ken, aliás, já começou a trabalhar, atuando em um teste privado em Jerez de la Frontera.
Falando ao site da MotoGP, Suppo explicou qual era a função de Kawauchi dentro da Suzuki e avaliou que esse trabalho é de vital importância para a performance do protótipo.
“Ken era o diretor-técnico da Suzuki, o que significa que todos os técnicos da equipe tinham de mandar seus relatórios a ele depois de todos os treinos e todas as corridas”, disse Suppo. “Ele liderava reuniões técnicas, então Ken é muito bom em coletar informações e levá-las para a fábrica”, seguiu.
“Especialmente para as fábricas japonesas, não é fácil conseguir informação da pista para a fábrica e da fábrica para a pista. Na minha opinião, essa é uma parte realmente importante do trabalho”, observou. “É crucial que eles tenham a mesma visão e que as pessoas na pista confiem nas pessoas na fábrica e vice-versa. Se eles não compartilham as mesmas ideias, então é um desastre para a moto”, opinou.
Além de considerar Kawauchi “muito bom” nesse papel de coleta de informações, Suppo considera que a empatia é outro ponto forte do diretor-técnico, já que ele consegue estabelecer boas relações entre os grupos.
“Sabendo disso, Ken tem dois grandes bônus. Primeiro, ele provou ser muito bom no trabalho dele. Segundo, ele tem uma personalidade muito boa. Acho que empatia neste tipo de trabalho é super importante, pois é impossível que os engenheiros na pista e na fábrica compartilhem a mesma visão o tempo todo. Quem está na pista pode deixar passar algo que quem está na fábrica percebe e vice-versa. Então empatia e habilidade de trabalhar com os dois grupos é muito importante. E acho que o Ken tem isso”, avaliou.
Questionado sobre qual impacto acha que Kawauchi poderá ter na Honda, Suppo respondeu: “Não acho que o papel de Ken será construir uma nova moto. Imagino que será o mesmo que ele teve na Suzuki e acho que ele fará um trabalho muito bom. Ele vai ajudar todo mundo, o que é muito importante. Diria que a mesma direção e não a direção certa, pois existe uma grande diferença”.
“Se todos estão trabalhando na mesma direção, você vai entender se é o correto ou não. Se as pessoas estão trabalhando em direções opostas, então ninguém saberá o que é certo e o que é errado. A moto pode ser uma porcaria e ninguém saber de quem é a culpa. É importante não ter uma guerra interna entre as pessoas que acreditam que suas ideias são melhores do que as dos outros”, indicou. “O que ele pode acrescentar em curto prazo? Essa é uma pergunta difícil. Em curto prazo, será muito importante ver como será o início da temporada. Acho que se os resultados melhorarem imediatamente, então a atmosfera, a motivação, o feeling de todos os pilotos, tudo vai melhorar, e aí tudo será mais fácil. Se não for fácil no início, não estou dizendo que será impossível, mas, claro, será mais difícil”, avaliou.
Ainda, Livio se mostrou incrédulo com as dificuldades enfrentadas pela Honda em 2022, especialmente depois da boa corrida feita no GP do Catar, quando Pol Espargaró conquistou um terceiro lugar.
“Todos os pilotos no paddock acreditam que a Honda não é tão boa, né? Há um ano, nos testes da pré-temporada e na primeira corrida no Catar, se você olhar os artigos escritos naquela época, todos diziam que a Honda estava de volta. Até mesmo Pol Espargaró estava dizendo para a mídia que, com aquela moto, dava para lutar, que estavam na direção certa e tudo mais. Mas o que aconteceu depois?”, questionou. “Como que uma moto vai de terminar no pódio no Catar, e Pol tinha potencial para vencer aquela corrida, mas ele estava forçando demais no início, então não teve pneus no final, para depois, em meados da temporada, sofrer para terminar no top-10? É muito estranho. Falando honestamente, é quase impossível entender o que aconteceu no ano passado”, comentou.
“Kokubu-san [Shinichi Kokubu, diretor-técnico da HRC] provou que pode construir uma boa moto. Ele estava na mesma posição quando eu estava lá, por exemplo em 2012, quando passamos para 1000cc, eles construíram uma moto forte, então Casey [Stoner], Dani [Pedrosa], Cal [Crutchlow] foram todos rápidos. Naquela época, Nakamoto-san [Shuhei Nakamoto, ex-vice-presidente da HRC] estava lá e foi vital para manter todo mundo na mesma direção. Espero, como amigo de Ken e de Kokubo, que eles possam resgatar esse barco que agora está na tempestade, em um momento muito difícil”, encerrou.
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