Quartararo lança aviso para Yamaha: “Não quero projeto, quero moto pronta”
Fabio Quartararo destacou gratidão que tem pela Yamaha e falou em não querer abandonar o barco, mas avisou que não fará outra aposta em um projeto
A melhora de performance da Yamaha na temporada 2025 da MotoGP ainda não satisfaz Fabio Quartararo. Mesmo grato à equipe japonesa pela oportunidade na elite do esporte, o francês volta a ameaçar e avisa que não quer mais saber de “projetos”. “Quero uma moto que esteja pronta”, pressiona.
Ainda que tenha mostrado sinais de evolução, a Yamaha é a lanterna no Mundial de Construtores, com 118 pontos, 275 a menos do que a Ducati, a líder da disputa.
Ao longo da temporada, Fabio mostrou força em classificação, assegurando quatro poles nas primeiras 11 corridas, mas a performance em corrida ainda deixa a desejar. No GP da Grã-Bretanha, o francês de Nice esteve próximo de quebrar o jejum de vitórias, mas uma quebra na YZR-M1 o impediu de ver a bandeira quadriculada.
Décimo colocado no Mundial de Pilotos, Quartararo tem 87 pontos no ano, 257 a menos do que Marc Márquez, líder da disputa.

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Questionado pelo jornal espanhol AS se o fato de não estar brigando com os ponteiros da MotoGP é mais doloroso do que as quedas, Quartararo respondeu: “Bastante mais”.
“É um ano um pouco estranho e difícil, porque sei a velocidade que tenho em volta lançada e sei os problemas que temos para estar bem na corrida”, comentou. “Nossa moto é muito sensível às condições. De um dia para o outro, em função do frio ou do calor, a moto é completamente diferente. Em volta rápida, você não pensa na temperatura dos pneus e nem em nada, mas, na corrida, precisa pensar. E é onde, em corridas como Assen, eu estava perdido. A moto se movia e não tinha aderência. É preciso destacar que os problemas de velocidade que temos e isso, em grupo, afeta ainda mais”, sublinhou.
Fabio reconheceu que a Yamaha conseguiu melhorar a performance, mas destacou que os problemas em corrida permanecem.
“Nós melhoramos. No ano passado, meu melhor resultado no Q2 foi um sétimo. Agora, fizemos quatro poles e cinco primeiras filas, mas agora a dificuldade maior é na corrida. As pessoas pensam que Fabio só é rápido em uma volta, mas não é assim”, afirmou.
Indagado se fica incomodado com esse topo de afirmação, Quartararo respondeu: “Me incomoda, pois as pessoas não sabem o que sofremos na corrida e como a nossa moto muda. Eu sempre fui mais de corrida do que de classificação, mas agora estamos sendo muito rápidos em uma volta e temos todas as dificuldades na corrida”.
“Largo em primeiro e, em três voltas, estou em oitavo, mas não é só porque tem outras pessoas, mas porque, quando tem outros pilotos, temos mais dificuldades, pois eles têm mais motor, aí você tem de fechar [a trajetória], não faz sua linha boa, então pilotamos totalmente diferente em grupo e o problema se multiplica”, explicou.
Não é de hoje, porém, que Quartararo ameaça deixar a equipe, mas, ano passado, foi convencido e assinou mais um contrato de dois anos, válido até o fim de 2026.
“Quando decidi ficar na Yamaha, foi porque gostei do projeto. E acho também que o meu ego disse que já tínhamos vencido e estávamos para baixo, então gostaria de voltar a vencer. É um desafio pessoal. Não quero abandonar o barco quando tudo está indo mal. A Yamaha foi que me deu a oportunidade de subir para a MotoGP quando eu não era ninguém. Agora, temos de remar”, justificou.
Apesar de os resultados não estarem a contento, ‘El Diablo’ assegura que não se arrepende das escolhas que fez.
“Sempre peço conselhos para a minha família e para as pessoas que estão comigo, mas você tem de fazer o que sente. Muita gente me disse para ir para cá ou para lá, mas, se eu quero ficar aqui, mesmo que seja um erro enorme, eu decido. E se quero ir para algum lugar, não me arrependo”, assegurou.
Ainda, Fabio frisou que, no futuro, vai priorizar o “esportivo”, sem focar no dinheiro. O #20, contudo, negou que o salário tenha sido o único fator que pesou na hora de optar por seguir com a Yamaha.
“Não foi só por dinheiro, mas também pelo projeto. Mas, no futuro, não quero um projeto, quero uma moto que esteja pronta, na qual eu suba e, desde a primeira corrida, possa lutar para vencer”, avisou.
Perguntado se essa moto pode ser a nova Yamaha com motor V4, o francês deixou as opções em aberto. “Pode ser que sim e pode ser que não. No momento, não é”, avaliou.
Quartararo frisou, ainda, que não quer pilotar a nova moto antes que ela esteja em um bom nível competitivo.
“Quero subir em uma moto que tenha um nível que me deixe contente. Se eu subo na moto e ela não me deixa feliz, não ficaria bem com ela mentalmente. Quero prová-la quando tiver feito muitos testes, quando estiver prova com Augusto [Fernández] e [Andrea] Dovi[zioso]. Para o teste de Misano, em setembro”, sinalizou.
A MotoGP volta a acelerar entre os dias 18 e 20 de julho, com o GP da Tchéquia, direto de Brno, 12ª etapa da temporada 2025. O GRANDE PRÊMIO faz a cobertura completa do evento, assim como das outras classes do Mundial de Motovelocidade durante todo o ano.
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