Festa da casa, desempate ou recorde na MotoGP: GP de Portugal mostra opções

Miguel Oliveira fez história em Portimão neste sábado (21) ao dar a Portugal a primeira pole na classe rainha do Mundial de Motovelocidade. Em forma ao longo de todo fim de semana, o piloto da Tech3 tem em Pol Espargaró e Franco Morbidelli as principais ameaças

Se existe um dia ao longo de toda a temporada 2020 em que a torcida fez falta, foi neste sábado (21). Correndo em casa pela primeira vez com a MotoGP, Miguel Oliveira ratificou a boa forma exibida ao longo de todo o fim de semana e conquistou a pole-position para o GP de Portugal, 14ª e última etapa da MotoGP.

Dono de uma única vitória na divisão principal do Mundial, o piloto de Pragal não precisa fazer muito mais para ser o maior de todos na história da motovelocidade portuguesa. Antes de Miguel, apenas Felisberto Teixeira defendeu as cores de Portugal na MotoGP/500cc, mas o piloto que hoje tem 50 anos disputou uma única corrida, em 1998, quando recebeu a bandeirada do GP da Espanha apenas em 22º depois de largar em 24º.

Apesar de ter um único representante no Mundial de Motovelocidade, Portugal tem abraçado Oliveira, que vê a popularidade aumentar mais e mais. Na última quinta-feira, por exemplo, o piloto foi escoltado até o traçado do Algarve por um pelotão de motociclistas, que quiserem festejar com o titular da Tech3 apesar de estarem impedidos de entrar no circuito por conta da pandemia do novo coronavírus.

Miguel Oliveira parte favorito na corrida de casa (Foto: KTM)

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Mesmo sob os holofotes por correr em casa, Oliveira saiu-se muito bem na tarde deste sábado e, com a marca de 1min38s892, bateu Franco Morbidelli por só 0s044 para faturar a primeira pole da carreira na categoria. Para não manter a conversa apenas em língua portuguesa ― até por não ter mais ninguém com essa capacidade ―, Jack Miller ficou com o terceiro posto, 0s146atrás do piloto de Hervé Poncharal.

“Forcei do início ao fim, me sinto muito cômodo com a moto, me divirto muito e tudo sai na hora de forçar”, comentou Oliveira. “A KTM está muito no ponto para a corrida e estamos dando todos os passos para poder estar ali. Se amanhã tudo seguir nessa linha, seria perfeito”, comentou.

Miguel sabe, porém, que não é o único com bom ritmo. O piloto ressaltou a força da RC16 como um todo no traçado do Algarve.

“Vejo a todos muito fortes. Pol [Espargaró] está muito rápido e a moto está se adaptando bem ao circuito. Temos de fazer nossa corrida e nos concentrarmos no nosso trabalho”, defendeu.

Anfitrião neste fim de semana, Oliveira é quem tem mais quilometragem no traçado, mas não acha que isso será um benefício na corrida.

“É difícil saber o que vai acontecer. A superbike não serve como referência”, apontou. “Será uma corrida muito longa, vai ser difícil controlar com o vento e fazer uma boa linha. Ter mais experiência neste circuito me serviu só no primeiro treino e para ajudar a equipe no caminho a seguir”, indicou.

Segundo no grid, Morbidelli tem duas metas para a corrida deste fim de semana: além de brigar pelo vice-campeonato, o ítalo-brasileiro ainda pode desempatar com Fabio Quartararo e ser o piloto com mais vitórias no ano.

Franco Morbidelli vai brigar pelo vice-campeonato (Foto: SRT)

“São duas coisas muito, muito grandes. Mas acho que o mais importante é assegurar a segunda colocação no campeonato. É isso que eu vou tentar fazer amanhã com certeza. Para fazer isso, vou precisar de uma boa corrida. Vamos ver o que vai significar uma boa corrida amanhã, mas estou mais interessado na segunda posição no campeonato do que no maior número de vitórias”, disse Franco.

Questionado se conseguiu entender bem os pontos de ultrapassagem ao longo dos treinos, Franco destacou que sequer sabe se vai precisar disso, já que vê Miguel com um ritmo bastante forte.

“Não. Vai ser difícil ultrapassar nesta pista, pois na primeira curva já é difícil parar. Não é difícil de passar, é difícil de parar”, apontou. “Têm lugares em que você deixa a porta aberta, pois é obrigado a deixar a porta aberta para fazer a corrida. Mas estou curioso para ver. Talvez amanhã no warm-up faça uma volta atrás de alguém para ver onde posso passar”, seguiu.

“Se eu precisar passar, pois parece que, no momento, Miguel tem um ritmo realmente difícil de acompanhar”, destacou.

Adversário imediato na briga pelo vice, Álex Rins se classificou apenas em décimo, mas o atraso do espanhol não dá tranquilidade para Franco.

“Amanhã vai ser uma corrida importante e sei que Álex Rins vai chegar em algum momento da corrida”, assegurou. “Vai ser importante fazer a escolha certa de pneus e largar forte antes que Rins recupere, porque já sabemos que tem uma parte da corrida que é a ‘zona Suzuki’, quando eles são muito fortes. Temos de estar preparados para isso”, sublinhou.

Pol Espargaró mostrou um dos melhores ritmos em Portimão (Foto: Red Bull Content Pool)

Assim como Franco, Miller também tem um objetivo claro para a etapa, mas algo que está mais na linha de um sonho: vencer uma corrida com a Pramac antes de mudar para a Ducati em 2021.

“Foi um dia positivo. Dei o meu melhor como sempre e amanhã vou começar na primeira fila, o que é sempre uma vantagem. Fomos rápidos desde o TL3, trabalhamos muito bem durante o fim de semana e estou satisfeito”, falou. “Amanhã eu gostaria de ser capaz de dar à Pramac uma última boa memória”, completou.

Ao longo do fim de semana, contudo, não foi nenhum dos três que mostrou o melhor ritmo. Pol Espargaró foi o destaque nesta área, mas vai largar só em nono, 0s392 mais lento que o ponteiro. Apesar da posição ruim no grid, o caçula dos irmãos de Granollers tem uma motivação extra em Portimão, já que faz a última corrida pela KTM antes de mudar para a Honda e segue sonhando em brindar a fábrica austríaca com um triunfo.

“Em termos de ritmo, acho que somos os mais fortes, junto com Miguel e Nakagami. As Honda foram rápidas no TL4, as KTM também, então acho que temos um pouquinho mais do que os demais”, avaliou Pol. “Isso vai nos permitir, se entrar no ritmo rápido, chegar na ponta se não cometer erros. O que acontece é que, evidentemente, largando em nono, são muitas posições até a liderança e não vai ser fácil, porque você perde tempo no início que não vai ser fácil de recuperar com pilotos que rodam no mesmo ritmo que você”, apontou.

Rival na Ducati pelo Mundial de Construtores, a Suzuki vai precisar de uma corrida de recuperação de seus pilotos. Rins, no entanto, sai confiante, mas focado em Morbidelli, o rival no Mundial de Pilotos.

Álex Rins precisa de prova de recuperação por título de Construtores da Suzuki (Foto: Suzuki)

“Eu o vejo forte. Fez uma boa classificação, está rodando rápido. Temos de estar ligados para chegar nele na corrida amanhã, pois em Valência já nos passou um pouco”, comentou. “Vamos ver se aqui é diferente, se podemos fazer uma primeira volta melhor e estamos saindo um pouco mais na frente do que em Valência. Teremos de aproveitar”, frisou.

Campeão antecipado, Joan Mir teve um dia difícil e vai largar apenas em 20º, a antepenúltima colocação no grid.

“Foi um dia perdido por conta de um problema que tivemos com a eletrônica, que nos levou a seguir uma direção completamente equivocada. Quando nos demos conta do problema, já era tarde, mas estou 100% convencido de que vamos solucionar para amanhã. [O warm-up] será chave para colocar tudo no lugar”, falou Mir. “Menos mal que o azar chegou agora, que já conseguimos o título, mas não é a melhor maneira de encarar o último sábado. De qualquer forma, estou tranquilo, pois creio que a moto tem potencial”, avaliou.

“Em termos de ritmo, não estamos mal. Espero poder recuperar. Terminar entre os cinco primeiros seria um bom jeito de encerrar o ano. Se fizer a corrida da minha vida, dá para me meter no pódio”, encerrou.

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