Bagnaia vai da explosão à sobrevivência e gabarita de novo na pós-graduação da MotoGP

O italiano de Torino contou com uma largada perfeita e uma acertada estratégia de defesa para assegurar o segundo triunfo seguido na temporada 2021 da MotoGP

Marc Márquez foi ao encontro do fã na noite de sábado (Vídeo: HRC)

Francesco Bagnaia segue sendo um aluno brilhante na MotoGP. Depois de fazer o ensino fundamental com a Mahindra ― Moto3 ―, passar ao ensino médio com a Kalex ― Moto2 ― e entrar na universidade com a Ducati ― a classe rainha ―, o piloto de 24 anos aproveita a terceira temporada na elite do esporte para fazer a pós-graduação.

Inteligente que é, Pecco tinha conseguido o primeiro ‘notão’ no ano passado, com um segundo lugar justamente no mesmo circuito de Misano que acolheu a prova deste fim de semana. Mas foi só em 2021 que o titular da Ducati conseguiu aproveitar todo o estudo acumulado para alçar voos mais altos.

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Francesco Bagnaia e Fabio Quartararo nas voltas finais em Misano (Foto: Michelin)

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Aluno do curso preparatório de Valentino Rossi ― a Academia de Pilotos VR46 ―, Bagnaia já somava quatro pódios no ano antes de conquistar a primeira vitória na semana passada: foi segundo colocado nos GPs de Portugal, Espanha e Áustria, e terceiro no Catar. E as vitórias entram justamente como a pós-graduação.

No esporte como na vida, não são todos os que chegam ao ensino superior que alcançam a especialização. Ao longo da história da classe rainha, por exemplo, só 5,17% dos 2.242 pilotos que já largaram em provas de 500cc e/ou MotoGP conseguiam vencer.

Com a atuação no GP de San Marino e da Riviera de Rimini deste domingo (19), Bagnaia entrou no seletíssimo grupo de pilotos com duas ou mais vitórias, algo que só 2,98% conseguiram até aqui. E, embora separadas por só sete dias, são duas vitórias de características bastante diferentes.

Em Aragão, Pecco teve de resistir a sete ataques de Marc Márquez nas últimas voltas no MotorLand. Desta vez, o italiano aproveitou a pole-position ao máximo, fez uma primeira volta impecável e soube não só aproveitar o que a Desmosedici tinha a lhe oferecer, mas também como se portar para lidar com a força da YZR-M1 de Fabio Quartararo.

O francês da Yamaha tinha um ritmo melhor e, mais do que isso, um pneu traseiro um tanto mais conservado, já que tinha optado pelo calçado médio ao invés do macio do piloto conhecido pelo #63. Assim, conseguiu recuperar um atraso de 2s7.

Porém, diferente do que aconteceu em Alcañiz, Fabio não teve a chance de lançar um ataque. Pecco nunca o permitiu chegar tão perto assim.

“Gritei muito, porque a vitória de Aragão foi com toda a corrida em 0s0 [de vantagem]. Aqui, Fabio descontou 2s”, disse Pecco em entrevista ao serviço de streaming DAZN. “Sabia que era possível me sair bem, mas tinha menos potencial que ele com os pneus. Tentei abrir vantagem no início, pois estava com o macio. Logo vi que Fabio descontaria tudo, e as duas últimas voltas foram incríveis. Agora eu sei como fazer o tempo quando os pneus estão ruins”, explicou.

Além do incentivo de ser a corrida de casa, Pecco considerou que a vitória da semana passada também influenciou no resultado deste domingo.

“Este é o circuito de casa e eu queria muito este resultado. Vencer aqui é especial por todas as pessoas que estão aqui”, comentou. “Quando você vence, aprende que pode fazer isso. Na Moto2, aconteceu a mesma coisa”, recordou o italiano, que passou uma temporada toda sem vencer na classe intermediária, mas, uma vez que foi ao topo do pódio, passou a frequentá-lo com assiduidade.

O resultado deste domingo colocou Pecco cinco pontos mais próximo de ‘El Diablo’ na classificação da MotoGP, mas a situação do piloto da Yamaha ainda é bastante confortável. Ainda assim, os dois troféus de primeiro colocado dão a motivação necessária para Bagnaia no GP das Américas.

“Vamos para Austin com mais motivação e a 48 pontos. Fabio não perdeu muitos pontos, mas vamos tentar de tudo”, assegurou. “Era importante fazer isso e vamos continuar assim”, garantiu.

Derrotado na província de Rimini, Quartararo saiu de Misano com a consciência de que foi um bom resultado, mas vendo o início da corrida como determinante para o desfecho da disputa.

“No início, [as Ducati] me passavam pela esquerda e pela direita. Eu atacava como se fosse a primeira volta”, contou. “Faltava um pouco de potência, especialmente para ultrapassar [Jack] Miller. Eu o passei onde não achava que fosse possível. E meu ritmo foi o melhor, com exceção do início. Foi um prazer lutar até o final”, sublinhou.

Fabio frisou que não atuou com a calculadora na mão e deu tudo que podia para conquistar a vitória.

“Nesta corrida, pensei pouco no campeonato e mais em ganhar. Dei o máximo para vencer, mas não foi o suficiente”, reconheceu. “Indo tanto ao limite para alcançar Pecco, quase caí três ou quatro vezes, relatou.

Ciente de que está foi só a primeira das duas corridas programadas para Misano neste ano, Fabio ressaltou que a Yamaha precisa trabalhar para ganhar no terceiro setor. Igualmente um estudante dedicado, Fabio foi na maior cara dura espiar o estado dos pneus de Pecco já no parque fechado.

“Voltamos em um mês e, no final, tudo que vemos é interessante. Temos outra corrida aqui e sabemos que temos de trabalhar no terceiro setor. Sei no que tenho de trabalhar para tentar ganhar uma posição”, garantiu.

Mas muito embora seja Bagnaia o grande adversário do momento, o GP das Américas é conhecido por ser um território de Marc Márquez. Das sete corridas realizadas até aqui em Austin, o espanhol de Cervera venceu seis. A exceção foi em 2019, quando Álex Rins levou a melhor após uma queda do piloto que viria a ser hexacampeão naquele ano.

“Espero que Marc vença em Austin. É um circuito para onde não vamos há muito tempo e tenho boas recordações, mas vamos ver’, comentou Quartararo. “Estou motivado por ir a Austin e dar o máximo de mim”, concluiu.

A MotoGP volta às pistas no próximo dia 3 de outubro para o GP das Américas, em Austin, no Texas. O GRANDE PRÊMIO acompanha todas as atividades do Mundial de Motovelocidade 2021.

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