Zarco acerta ao confiar na Ducati e dá volta por cima após saída tumultuada da KTM

O francês chegou a rejeitar a Avintia, mas a passagem pelo time de Raúl Romero foi vital para que o bicampeão da Moto2 conseguisse recolocar a carreira nos trilhos

Assista aos melhores momentos do GP de Doha de MotoGP (Vídeo: GRANDE PRÊMIO com Reuters)

Johann Zarco pode ter cometido muito erros ao longo da carreira, mas acertou ao depositar fé na Ducati após a saída conturbada da KTM. Depois de uma passagem rápida pela Avintia, o francês conseguiu reconstruir a boa imagem que tinha no paddock da MotoGP e parte para a fase europeia da temporada 2021 como o líder do Mundial.

Bicampeão da Moto2, Zarco provou talento já na estreia na MotoGP, em 2017, correndo pela Tech3. O desempenho com o protótipo Yamaha foi bom o bastante para despertar o interesse da KTM, para onde Johann seguiu depois de duas temporadas com a escuderia de Hervé Poncharal.

Johann Zarco (Foto: Pramac)

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Com a RC16, porém, Zarco não encaixou. No momento em que chegou em Mattighofen, o protótipo ainda era diferente do que é hoje, menos competitivo, e incapaz de brigar por poles e vitórias. E o #5 não teve paciência de esperar.

Ainda na metade de 2019, pediu à KTM para ser liberado na metade de um contrato de dois anos. Os austríacos não só atenderam o pedido, mas também deram a liberdade imediata: Zarco foi substituído por Mika Kallio nas corridas restantes daquele campeonato.

Ao relento, Johann aceitou o chamado da LCR para substituir Takaaki Nakagami em três corridas, já que o japonês teria de passar por uma cirurgia. O sonho da vaga na Honda, porém, foi por água abaixo quando a HRC confirmou Álex Márquez como substituto de Jorge Lorenzo para 2020.

Mais uma vez na rua da amargura, Zarco viu na Avintia a única alternativa. E rejeitou. Com razão, até. A equipe de Raúl Romero não era lá grandes coisas e, se a vida tinha sido difícil na KTM, não era difícil imaginar como seria por lá. Chefe da Ducati Corse, Gigi Dall’Igna entrou em campo e convenceu o piloto a dar uma oportunidade à mais distante das equipes satélites.

Mesmo com uma Ducati defasada, Zarco teve momentos do ‘velho Johann’. E se é verdade que fez lá suas lambanças, não é menos verdade que foi ele quem conseguiu os primeiros resultados expressivos da Avintia.

Satisfeito, Dall’Igna promoveu Zarco à Pramac, uma equipe bastante mais forte e que, de quebra, ainda disponibiliza equipamento Ducati atualizado. Neste início de temporada, Johann não só recompensou a fé de Gigi, mas foi além e mostrou que é capaz de performances sólidas e constantes.

Era de se esperar que o talento não desaparecesse em meio às bobagens feitas aqui e ali, mas não deixa de ser positivo que o piloto consiga se reencontrar depois de momentos tão ruins.

Porém, ainda é muito cedo para saber se Zarco é mesmo candidato ao título ou alguém capaz de influenciar na briga. A temporada 2021 está apenas no começo, mas ver o companheiro de Jorge Martín no topo da tabela de classificação dá uma esperança de que o ex-Moto2 finalmente vai entregar aquilo que ele próprio nos fez esperar: a vitória. Talento ele tem. Equipamento, também. Falta mostrar se tem cabeça para isso.

A MotoGP retorna às pistas em 18 de abril para o GP de Portugal, em Portimão, terceira etapa da temporada 2021 do Mundial de Motovelocidade.

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