Martín cumpre destino inevitável com Aprilia e tira velocidade da dor em retorno à MotoGP
Jorge Martín começou sereno e seguro para entender pista e moto, mas logo mostrou sua agressividade habitual. Tirou performance dos próprios traumas e deu um primeiro recado forte em sua volta à MotoGP
Quem acredita em destino crê que ele é, de alguma forma, inevitável. Incontrolável. Nem mesmo forças ocultas são capazes de persuadi-lo ou trocá-lo por algo que não esteja escrito. Não se trata de lógica — é sentimento. Não pode ser visto ou tocado, mas sentido. Em momentos como este.
Na MotoGP, o destino de Jorge Martín queria, desde o primeiro momento, que ele permanecesse com a Aprilia ao menos até o fim de 2026. Um claro sinal desta comunhão aconteceu hoje, em Brno. Voltando de lesão depois de quase 100 dias ausente, no TL1, o piloto da moto #1 foi sereno e seguro para entender o equipamento e só ficou com o 17º melhor tempo.
Contudo, no treino principal, a resposta veio muito mais rápida do que muitos imaginavam. O campeão mundial vigente tirou velocidade de toda a dor que sentiu nos últimos três meses para mostrar confiança e competitividade logo de cara com a RS-GP25 e avançar ao Q2 com o quinto melhor tempo do dia: 2min04s656 — 0s7 do melhor tempo da sessão, cravado por Marc Márquez, da Ducati: 2min03s935 — e apenas 0s5 do companheiro de equipe, Marco Bezzecchi, que avançou em quarto com 2min04s492.
Martín encarou a imprensa internacional na quinta-feira (17) para confirmar que cumpriria o acordo com a casa de Noale até o fim de 2026. Classificou a relação com a Aprilia como uma montanha-russa, mas disse que não precisava pedir desculpas pelo imbróglio. Uma mistura de compulsividade com arrependimento em palavras que não pareciam se conectar totalmente.

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“Relacionamentos são como montanhas-russas: você se apaixona, discute, mas, no final, se você gosta da outra pessoa, se esforçam para ficarem juntos, e é aí que estamos agora. Não posso dizer que nada aconteceu, certamente tivemos uma grande briga, mas agora é hora de começarmos a reconstruir, porque ambas as partes querem vencer. Acho que é possível que eu e a Aprilia nos apaixonemos novamente”, disse.
“Não me desculpei porque sinto que não preciso me desculpar por nada. Tudo o que fiz foi o que considerei melhor para o meu futuro e, para mim, ninguém consegue entender o que você sente quando está em um hospital com 12 costelas quebradas e não consegue dormir por uma semana inteira por causa da dor, o que se passa na sua cabeça, assim como agora que decidi ficar aqui”, completou.
Martín se deu conta de que o caminho covarde de abandonar o barco antes da hora não era a melhor opção e tomou a decisão certa de recuar para cumprir o acordo. Talvez não por vontade própria, mas sim pressionado pela resolução de um caso que poderia parar nos tribunais e prejudicar ainda mais o andamento de sua carreira. O campeão mundial acertou no limite do erro, onde não podia mais se equivocar. Mas a recusa do ‘mea-culpa’, do pedido de desculpa em uma novela que ele mesmo criou, é a parte 2 lamentável de uma postura decepcionante e que comprova: o campeão mundial foi covarde duas vezes.

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A Aprilia, porém, foi soberana e lidou com a situação muito bem. Administrou como deveria e lutou com a MotoGP para que Jorge testasse a moto oficial antes de Brno. Brigou pelo melhor para o seu piloto e em nenhum momento tentou prejudicá-lo ou queimá-lo para a opinião pública. E acho que nem precisava. Martín tem liberdade para tomar qualquer decisão sobre o futuro, mas, como tudo na vida, cada escolha é uma renúncia.
Em Brno, ficou claro que Jorge pode brigar por coisas boas com a moto italiana, assim como Bezzecchi vem fazendo brilhantemente ao liderar o projeto e demonstrar postura como tal na MotoGP 2025. O quinto lugar de Martín na classificação só colocar mais razão no argumento de que o campeão mundial pode muito mais do que imagina ou imaginou em cima da RS-GP25. Talento para isso não falta.
Em uma MotoGP dominada pela Ducati e com Marc Márquez soberano em 2025, esperamos que esse seja o começo de um capítulo mais bonito em Noale, com menos atrito, mais conquistas e sem novas quedas, é claro.
A MotoGP acelera entre os dias 18 e 20 de julho, com o GP da Tchéquia, direto de Brno, 12ª etapa da temporada 2025. O GRANDE PRÊMIO faz a cobertura completa do evento, assim como das outras classes do Mundial de Motovelocidade durante todo o ano.
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