Martín faz exibição na sprint. E Marc Márquez vê império ruir na Alemanha

Enquanto Jorge Martín fez a melhor ultrapassagem, a volta mais rápida e ainda assegurou a vitória na corrida deste sábado (17) em Sachsenring, Marc Márquez caiu três vezes em pouco mais de 20 minutos e ainda terminou apenas em 11º em um circuito em que está habituado a dominar

Fosse um prato da típica culinária alemã, a corrida sprint deste sábado (17) teria um sabor agridoce. O ingrediente doce ficaria por conta de Jorge Martín, que se exibiu, enquanto Marc Márquez daria o toque de amargor ao preparo.

Antes de chegarmos à parte azeda do dia, vamos falar do que foi bom. Martín não conseguiu a pole, ficou apenas em sexto, mas não tardou em se colocar entre os ponteiros na prova curta da rodada da Alemanha. Para tomar a liderança, Jorge executou uma ultrapassagem magistral: golpeando Francesco Bagnaia e Jack Miller em uma só tacada.

Jorge Martín escapou na ponta após passar Jack Miller e Francesco Bagnaia (Foto: Gold & Goose/ Red Bull Content Pool)

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Uma vez no comando da disputa alemã, Martín aumentou o ritmo e tratou de abrir vantagens, evitando qualquer reação dos adversários.

“Foi uma corrida bonita. Eu sabia que poderia lutar pela vitória”, disse Martín ao serviço de streaming espanhol DAZN. “Sem a bandeira amarela, eu teria a pole! Larguei em sexto e tinha muito caos, pilotos agressivos, mas eu também fui, já que precisava passar, pois tinha mais [ritmo]. Passei dois pilotos de uma só vez, levei um susto… Foi uma batalha bonita, mas consegui escapar e aí manter a liderança para chegar em segurança à linha de chegada”, explicou.

Ainda, Martín relatou que levou alguns sustos com o pneu macio traseiro ao longo da disputa em Chemnitz.

“Foi complicado. Rodei muito com o traseiro médio, mas não ia bem com o macio. Mas larguei com ele e levei alguns sustos. Agora tenho mais controle sobre a roda dianteira, que é onde está o limite, é isso é muito importante”, defendeu.

O #89 explicou, também, qual a diferença desta versão 2023 de Martín, que consegue fazer uma corrida de paciência, sem afobação. “É muito a experiência e saber estar calmo. Quando as coisas não corriam bem, eu ficava nervoso e me irritava com a equipe. Agora, aprendi a manter a calma e trabalhar no positivo”, apontou.

Por fim, Jorge deu uma previsão para a corrida de amanhã e revelou que se sentia mais confiante para a disputa longa.

“Eu me sentia muito mais forte para a corrida longa do que para a sprint”, revelou. “Trabalhei muito com o pneu médio, que é o da corrida. Vamos ver a largada, pois saio em sexto e não vai ser fácil. Mas, pouco a pouco, devo avançar para chegar na frente”, completou.

Diferente de Martín, Marc Márquez não tem nada a comemorar. O espanhol sofreu três quedas durante a classificação na Alemanha, ficou apenas com a sétima colocação no grid e foi de mal a pior na corrida, recebendo a bandeirada apenas em 11º, 10s828 depois do vencedor.

Marc Márquez precisou correr na classificação (Foto: Divulgação/MotoGP)

O resultado em si no chega a surpreender. Embora seja o maior vencedor do circuito alemão, com 11 triunfos — oito deles na MotoGP —, Marc vive um momento diferente, já que a atual RC213V peca muito no quesito performance. Desde sexta-feira, ficou evidente a irritação do #93 ao ver ruir o império que construiu em Sachsenring.

O outrora ‘King of the Ring’ mostrou o dedo do meio para a moto, derrubou Johann Zarco em um incidente de corrida, jogou a culpa no colo do francês, caiu, levantou, cruzou a pista sem o menor zelo, voltou, caiu de novo, recuperou a moto, afanou as asas da Honda do ausente Joan Mir, retornou mais uma vez e conseguiu a terceira queda em um intervalo pouco superior a 20 minutos.

Ao longo de toda a carreira, Márquez sempre foi acima do limite da RC213V, mas o desespero para fazer o mesmo na Alemanha neste fim de semana o deixou mais perto de ser um perigo ambulante do que de um potencial bom resultado. O protótipo japonês simplesmente não tem como oferecer o que Marc quer tirar dele. Nem mesmo se ele tentar cavar com uma britadeira.

Ainda que seja um fato um tanto quanto lamentável para alguém que viu a carreira ir para a lata do lixo durante três temporadas por causa de uma fratura seguida por uma decisão imprudente e que se submeteu a quatro cirurgias para tentar ser o mesmo de antes, Márquez vai ter de achar um jeito de assimilar que a Honda atual é muito limitada. O evidente desequilíbrio da moto o coloca mais perto de uma lesão do que dá briga pelo título.

Parte do espetáculo de Márquez é justamente essa mentalidade aguerrida, mas, na Alemanha, ele parece muito mais irritado e displicente do que genial.

Falando à imprensa após a sprint, Marc contou que acordou animado em superar o desastre de sexta-feira, mas acabou por perceber que não havia como fazer isso.

“Eu acordei hoje e meu nível de energia era positivo. Eu pensei: ‘Ontem nós sofremos. Mas hoje vou conseguir’. Aí, no molhado, como sempre nós fomos competitivos, mas assim que a pista começou a secar, tivemos muita dificuldade. Na classificação, eu estava forçando e caindo, voltando para os boxes e forçando para estar lá”, relatou.

“Mas aí eu estava sentado no escritório entre a classificação e a sprint e [percebi] que todo este risco por uma sétima posição não é o bastante para mim”, comentou. “Ainda fui para a corrida otimista, como dá para ver quando eu ataquei na primeira volta, mas já na primeira volta tive um aviso na curva 11, aí outro na curva 1 e, nesse caso, você diminui um pouco e termina a corrida”, explicou.

Márquez destacou que, quando você está lutando por um resultado mais ou menos, é fácil abrir mão da briga para evitar quedas. Mas reconheceu que a coisa muda de figura se é para brigar entre os ponteiros.

“Sim, é muita coisa. São muitas [quedas]. Mas, pelo menos, estou perto dos caras da ponta. Mas a maneira de estar perto dos caras da ponta é correndo riscos demais. E a consequência são quedas em excesso”, observou. “Aí eu analisei a situação… Por exemplo, me lembro de estar sentado no sofá em Jerez e [Joan] Mir quatro vezes durante o fim de semana lutando para ser 15º. Não é uma questão de ‘quero estar lá’. É uma questão de tentar forçar, mas não poder. É importante ver a situação real. A questão é que, quando você está lutando para ser sexto, sétimo ou oitavo, é fácil abrir mão. Mas quando você está lutando pelo pódio, como eu estava em Le Mans ou na Itália, é mais difícil, pois você vê que [um bom resultado] está ali. Mas nós não estamos prontos para estar lá”, admitiu.

“Tento sempre dar o meu melhor. Deu para ver no treino um que a pilotagem natura está lá e eu fiquei em terceiro. Mas o problema é que quando você tem um estilo de pilotagem natural para um circuito, você chega muito rapidamente ao limite, mas os outros começam a chegar e passam aquele limite”, indicou. “Então estou com dificuldade. Normalmente, com a Honda de que me lembro, nós éramos muito rápidos nas curvas lentas e na hora de virar. Mas agora, com essa Honda, somos muito rápidos nas curvas rápidas, como, por exemplo, em Mugello, mas estamos perdendo aquela qualidade de virar, especialmente aqui”, concluiu.

A largada do GP da Alemanha de MotoGP está marcada para as 9h (de Brasília) de domingoGRANDE PRÊMIO acompanha todas as atividades do Mundial de Motovelocidade 2023.

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