LCR apresenta moto que põe Zarco como parte do caminho de reconstrução da Honda
Sem Álex Rins, que partiu para a Yamaha, a solução da HRC foi assinar com Johann Zarco para vaga na LCR. Com o time de Lucio Cecchinello, o francês tem a responsabilidade de ajudar a fábrica japonesa a recolocar a RC213V de volta aos trilhos
Como tradicionalmente faz — graças aos patrocinadores diferentes —, a LCR dividiu em duas partes a apresentação das motos para a temporada 2024 da MotoGP. E a primeira a ter o layout revelado nesta quinta-feira (15) foi a de Johann Zarco, que estreia pela equipe neste ano. A moto de Takaaki Nakagami será apresentada às 8h (de Brasília).
Com apoio principal da Castrol, a moto de Zarco carrega as cores da marca de lubrificantes: branco, verde e vermelho. Mas, mesmo que as cores sejam as mesmas da antecessora, a moto deste ano tem um layout diferente, mais fluido.
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Veterano na MotoGP e com passagens pelas equipes de fábrica de Yamaha e KTM e pela estrutura satélite da Ducati, Zarco chega ao time de Lucio Cecchinello como parte da reconstrução da Honda. Foi a gigante japonesa que conseguiu atrair o francês para a LCR, oferecendo não só uma boa proposta financeira, mas também um projeto de mais longo prazo — com equipe italiana, o contrato era de apenas um ano, enquanto que a marca da asa dourada deu um vínculo até 2025. Hoje, apenas Johann, Luca Marini e Brad Binder têm acordos publicamente confirmados para além de 2024 — a duração do elo entre KTM e Pedro Acosta ainda é desconhecida.
A escolha por Zarco parece justa pela experiência. Ainda que a primeira — e única — vitória tenha vindo apenas no ano passado, o #5 já soma 124 GPs na classe rainha e, mais do que isso, tem experiência com a Ducati, a melhor moto do momento.

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No entanto, a passagem do piloto de Cannes pela KTM é que deixa algumas dúvidas. Em 2019, Zarco desembarcou em Mattighofen com um contrato de dois anos, mas, insatisfeito com a performance de uma moto sabidamente em desenvolvimento, pediu para sair ainda na metade do primeiro.
Na época, a LCR surgiu como opção, com o bicampeão da Moto2 substituindo um então lesionado Takaaki Nakagami em três corridas — Austrália, Malásia e Valência —, mas a oportunidade nunca chegou. Johann foi, então, resgatado pela hoje extinta Avintia, graças à intervenção de Gigi Dall’Igna, já que o chefe da Ducati Corse convenceu o piloto que tinha rejeitado publicamente a opção de guiar por aquela que era a última nas prioridades da casa de Bolonha.
De lá, Zarco passou para a Pramac, onde ficou por quatro temporadas. Ano passado, o lugar do piloto de 33 anos foi oferecido a Marco Bezzecchi, que rejeitou a promoção e optou por seguir na VR46. Ainda assim, o Johann se sentiu mais “desejado” pela LCR e optou pela mudança.
Zarco sabe, porém, que trocou por uma moto inferior. Enquanto a Ducati venceu o Mundial de Construtores e o de Pilotos e a Pramac levou o Mundial de Equipes, a Honda fechou 2023 na lanterna do Mundial de Construtores e perdendo o maior astro da equipe: Marc Márquez optou por encerrar o contrato um ano antes do previsto para correr com a Gresini.
📷 Conheça a RC213V, moto da LCR Honda para temporada 2024 da MotoGP

Ao aceitar a proposta, Johann assumiu, também, o desafio de ajudar a Honda a recuperar o rumo. Durante os testes da MotoGP na Malásia já foi possível notar que a RC213V nova é melhor do que a antecessora, mas só as corridas vão dar a medida exata dessa evolução.
Animado com a nova experiência na MotoGP, Zarco evitou estabelecer um objetivo claro, mas quer ver a Honda de volta às principais posições.
“Quero correr para estar na ponta e, pelo menos, sentir que posso lutar por um pódio ou até algo mais se surgir a oportunidade”, disse Zarco. “Com a nova moto, tenho esse estímulo, esta motivação e a sensação de que é possível, com mais motivo. Não posso dar um objetivo ou uma posição clara. Seria ser muito constante, tipo voltar a colocar a Honda no top-10 do Mundial”, seguiu.
Resta, contudo, outra dúvida: qual tipo de participação a Honda vai permitir a Zarco? Até aqui, o desenvolvimento era muito focado em Marc Márquez, com os demais pilotos reiteradamente se queixando de não serem ouvidos. Ao que tudo indica, isso mudou. Como o próprio Cecchinello confirmou.
Se puder participar, o #5 tem como contribuir, já que conta com uma boa experiência com a melhor moto do pedaço. Se ele vai ter paciência para esperar a evolução, só o tempo vai dizer.
“A vantagem da LCR em relação a uma equipe de fábrica é que temos mais contatos com os mecânicos e os técnicos, mas temos a moto de fábrica, então é, mais ou menos, a melhor solução: menos pressão na equipe, mas com o melhor material”, avaliou Zarco.
Cecchinello destacou a força do grid da MotoGP e lembrou que, a cada ano, é preciso evoluir mais e mais para poder se manter entre os ponteiros.
“Temos de trabalhar mais a cada ano, nos esforçarmos mais para sermos competitivos, porque estamos no grid mais competitivo do motociclismo, então a cada ano a moto tem de crescer”, defendeu Cecchinello. “Estamos prontos para um novo capítulo da nossa história. Estamos focados em conseguir os melhores resultados da história”, completou.
A MotoGP retoma as atividades entre os dias 19 e 20 de fevereiro em Lusail, no Catar, para concluir a pré-temporada. O GRANDE PRÊMIO faz a cobertura completa do evento, assim como das outras classes do Mundial de Motovelocidade durante todo o ano.
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