Marc Márquez agarra chance e interrompe calvário para manter reinado em Sachsenring

581 dias depois, o hexacampeão da MotoGP voltou a provar o sabor da vitória colocando no mínimo um ponto e vírgula na angústia dos últimos meses. A história do GP da Alemanha é daquelas que será lembrada por anos e anos

Marc Márquez passou 581 dias sem vencer (Vídeo: MotoGP)

A espera foi longa, mas a atuação corajosa fez valer a pena. Depois de 581 dias longe do pódio da MotoGP, Marc Márquez voltou a sentir o sabor da cava espanhola para alcançar a 11ª vitória consecutiva em Sachsenring ― a oitava na classe rainha do Mundial de Motovelocidade.

Márquez é sempre favorito no traçado da Saxônia, mas, desta vez, ele não era a escolha óbvia para quem gosta de palpitar. Desde que quebrou o braço direito em uma forte queda no GP da Espanha de 2020, o espanhol de 28 anos não tinha mais sido o mesmo piloto de sempre. E com motivo, claro. Marc passou por três cirurgias, ficou nove meses afastado da MotoGP e, quando enfim voltou, se viu mais distante dos ponteiros do que ele próprio esperava.

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⇝ Como terminou o GP da Alemanha de MotoGP de 2021

Marc Márquez agradeceu o apoio que recebeu ao longo do período da lesão (Foto: Red Bull Content Pool)

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Com Marc fora de combate por 15 GPs, a Honda praticamente conheceu o ostracismo e viveu o maior jejum de vitórias desde que voltou à classe rainha do Mundial de Motovelocidade, em 1982. A união dessas duas circunstâncias tornou o espanhol quase irreconhecível. Nos cinco GPs que disputou antes da corrida deste fim de semana, o filho de Roser e Julià tinha como melhor resultado o sétimo lugar de Portimão. Além disso, três abandonos precederam o desembarque na região de Dresden.

Mas ele tinha uma carta na manga: a canhotinha Sachsenring. Além de um histórico glorioso, o traçado alemão é anti-horário, com dez de suas 13 curvas para a esquerda. Essa configuração é a favorita de Marc, mas, mesmo que não fosse, o número reduzido de curvas para a direita seria uma facilidade física.

No sábado, caiu a série de poles, e o próprio Marc anunciou que a invencibilidade cairia no domingo. Mas não foi assim. Com uma largada forte, Márquez tomou o segundo lugar ainda no início da disputa e teve em Aleix Espargaró o rival mais forte.

Só que a ameaça de chuva apareceu como aliada. Enquanto os demais titubearam para saber quais eram, afinal, as condições de pista após a bandeira branca entrar em cena, Marc foi corajoso, optou por encarar o risco e acelerou firme para quebrar o pelotão e escapar na liderança.

Um dos protagonistas do fim de semana, Miguel Oliveira foi o adversário mais duro na metade final da disputa, mas Márquez teve sempre a resposta na mão para manter a diferença. No fim, recebeu a bandeirada com 1s610 de frente para o português da KTM, com Fabio Quartararo aparecendo para fechar o pódio.

Mas não, a vitória na Alemanha não é sinônimo do fim das dificuldades. Nem dele, nem da Honda. A RC213V ainda tem deficiências importantes ― como bem indica o fato de que Pol Espargaró, a segunda melhor Honda, terminou em décimo, 14s769 atrás de Marc, e Takaaki Nakagami em 13º, mais de 19s atrás ― e isso não pode e nem deve ser apagado com a vitória deste domingo. Uma moto mais afinada vai permitir que também Marc não tenha de estar o tempo todo acima do limite. E isso, em uma análise até bastante simples, vai expor o hexacampeão a um risco menor.

Mas o resultado esportivo não é a única coisa que importa. Marc tem 90 pontos de atraso para Quartararo, o líder do Mundial, nem ele se vê como um jogador importante na disputa pelo título, mas a vitória é vital para a pessoa.

“Essa vitória é importante para o homem Marc. O piloto Marc está de volta, mas ainda não é o piloto que era”, reconheceu. “Vamos ver se no futuro consigo voltar como quero. Hoje foi um dia importante para o piloto, mas também para a Honda”, frisou.

Vitória de Marc Márquez também encerrou longo jejum da Honda (Foto: Red Bull Content Pool)

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Desde que voltou, Marc foi muito honesto em reconhecer que errou ao tentar abreviar a ausência e em admitir que não estava na melhor forma. Hoje, ele mais uma vez foi transparente ao falar do tanto que sofreu.

Marc apontou uma conversa como Mick Doohan como um aspecto importante nesse processo, já que foi no ex-piloto da Honda que encontrou a confiança de que tinha luz no fim do túnel. O australiano conheceu o inferno por conta de uma séria lesão na perna, mas voltou e se tornou pentacampeão das 500cc. Márquez pediu ajuda, pediu para conversar, e Mick lhe estendeu a mão em um momento de necessidade.

Hoje, Márquez, que nem é muito afeito a mostrar emoções, chorou. E também fez chorar. A lesão de 2020 e todos os altos e baixos que vieram depois, mostraram que o piloto, por mais talentoso, vitorioso e especial que seja, é humano como todos nós. Então não é difícil entender o que ele sentiu. Marc precisava do carinho de uma vitória, da sensação de que era capaz de voltar ao topo do pódio para se reconhecer como o competidor de antes e para ter a motivação de seguir adiante.

Agora, neste exato momento, não importante tanto assim o que vai acontecer na Holanda, palco do GP do próximo fim de semana. Talvez ele não vença. Talvez não vá nem ao pódio. Pode ser até que ele abandone. Mas o GP da Alemanha é a prova que ele precisava de que é possível vencer outra vez. Quando a forma física enfim chegar, o irmão de Álex voltará a ser o mesmo de antes. E a concorrência vai ter de lutar.

A MotoGP volta à ação já no próximo fim de semana, com a nona etapa do calendário, o GP da Holanda, em AssenAcompanhe a cobertura do GRANDE PRÊMIO sobre o Mundial de Motovelocidade.

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