Márquez revela que chefe da MotoGP entregou nas mãos dos pilotos decisão de cancelar corrida

Falando à imprensa após o cancelamento do GP da Grã-Bretanha, Marc Márquez afirmou que Carmelo Ezpeleta disse diretamente que a decisão seria tomada pelos pilotos. Com exceção de Jack Miller, todos os presentes na reunião optaram pela não realização da prova

Marc Márquez contou que Carmelo Ezpeleta, diretor-executivo da Dorna, deixou para os pilotos a decisão sobre o cancelamento da corrida. O titular da Honda contou que o grupo da Comissão de Segurança não encontrou resistência dos promotores em relação a decisão pela não realização da corrida.
 
As corridas de Moto3, Moto2 e MotoGP tiveram de ser canceladas por conta das condições de pista. Reasfaltado no início do ano, o traçado apresentou os primeiros sinais de problemas ― no que diz respeito ao Mundial de Motovelocidade, já que a falha já tinha aparecido em etapas de outras categorias ― no sábado, mas ficaram ainda piores no domingo, quando a chuva foi constante.
Marc Márquez contou que os pilotos tiveram liberdade para definir destino do GP (Foto: Michelin)
Por conta do acúmulo de água na pista, a MotoGP adiou a largada que já tinha sido antecipada no dia anterior, mas, depois de cinco horas de espera, acabou por cancelar a etapa atendendo a uma decisão dos pilotos.
 
Falando à imprensa após o cancelamento do GP, Márquez revelou que os pilotos tampouco gostam de ver uma corrida não realizada, mas reforçou que não havia outro caminho. O #93 lembrou, ainda, do estado de Tito Rabat, que segue no hospital por conta de um acidente causado pelo excesso de água na pista.
 
“Nós estávamos na expectativa e preparados para correr, que é o que queremos. Estávamos concentrados dentro do caminhão, eu não apareci, estava 100% concentrado, mas acho que, no fim, a Comissão de Segurança existe por um motivo”, disse Marc. “Nos reunimos, sentamos e ali consideramos os prós e contras e acho que a decisão foi a correta. Todos queremos correr, foi difícil para todos decidir isso, mas temos um companheiro no hospital, vimos o que aconteceu ontem com este asfalto e não podemos ficar brincando desta maneira até o fim”, ponderou.
 
Questionado se a Dorna, promotora do Mundial, deixou a decisão com os pilotos ou pediu que eles esperassem a melhora nas condições, Márquez respondeu: “Não. Assim que entramos na reunião, Carmelo nos disse diretamente que a decisão era nossa”. 
 
“Todos expuseram o que pensavam e todos estavam de acordo ― menos um: [Jack] Miller ― em cancelar a corrida por questão de segurança, por conta das condições do asfalto”, contou. “Têm circuitos onde choveu mais e nós corremos, mas neste, quando saímos para a volta de apresentação, quase não chovia e era quase impossível rodar”, defendeu.
 
Líder do Mundial, Márquez assegurou que a posição no campeonato não pesou em decisão, já que considera mais importante prezar pela segurança dos pilotos.
 
“Isso é o de menos, porque você nunca sabe o que pode acontecer, mas estava bem e, fora isso, teve uma frase muito boa na Comissão de Segurança, que é: ‘Uma corrida é uma corrida e a vida segue em Misano. Em duas semanas, teremos outra corrida’. Ontem [sábado] já aconteceu o que aconteceu. Um companheiro nosso está no hospital. Vimos o que aconteceu”, lembrou. “Nós podíamos esperar que a chuva diminuísse, mas quem garante que na metade da corrida não voltaria a chover, nós chegaríamos ali e estaria tudo igual outra vez? Foi por conta das condições de pista, por conta das condições do asfalto que fomos forçados a tomar essa decisão”, reforçou.
 
Ainda, Márquez sublinhou que o problema não foi chuva, mas sim o problema de drenagem da pista.
 
“Em 2015, corremos aqui com água, chovia muito e pudemos correr. Ninguém se queixou e fomos os primeiros que corrermos, mas ontem já tínhamos visto e voltamos a comprovar quando fazíamos a volta de apresentação. Reasfaltaram e, por qualquer que seja o motivo, não o fizeram da melhor maneira, e foi isso que nos forçou a tomar essa decisão”, insistiu. “No seco, já víamos que o asfalto não era bom, é novo, mas o asfalto não é bom, e quando choveu, o problema foi maior. Foi muito mais grave a alguém é responsável”, considerou. 
 
Por fim, o piloto da Honda ressaltou que os competidores deixaram claro o desejo de retornar a Silverstone, mas com a condição de que os problemas no asfalto sejam resolvidos. “Está claro que o que os pilotos pediram na reunião é que queremos voltar aqui no próximo ano, queremos devolver aos fãs tudo que eles esperaram, mas com boas condições de asfalto”, concluiu.

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