MotoGP reforça regras e vai deletar tempo de volta sob bandeira amarela

Em uma reunião com os pilotos às vésperas do início das atividades do GP da Andaluzia, os Comissários da FIM (Federação Interacional de Motociclismo) avisaram que serão mais severos na interpretação do regulamento. Mudança vem na esteira de incidentes no GP da Espanha

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A MotoGP promete ser mais dura com os pilotos a partir do GP da Andaluzia deste fim de semana. A FIM (Federação Internacional de Motociclismo) anunciou que vai cancelar todos os tempos registrados quando qualquer tipo de bandeira amarela estiver acionada.

A mudança acontece na esteira de uma polêmica no GP da Espanha, já que Fabio Quartararo fez a volta da pole justamente quando Jack Miller e Álex Rins tinham caído na curva 11. Antes, no terceiro treino livre, o piloto da Suzuki tinha perdido a chance de avançar direto ao Q2 ao encontrar com Marc Márquez rodando lento pela pista por conta de uma queda de Iker Lecuona.

Mike Webb é o diretor de provas da MotoGP (Foto: Divulgação/MotoGP)

Na quinta-feira (23), os pilotos foram chamados para uma reunião com a direção de prova e o Painel de Comissários em Jerez de la Frontera e informados sobre as mudanças. O regulamento não foi modificado, mas a interpretação das regras, sim. “Isso acontece para melhorar a segurança na pista de todos os pilotos e fiscais envolvidos em todas as três classes do Mundial de Motovelocidade”, justificou a FIM.

“Há muitos anos, qualquer melhora em um tempo de setor atingido sob bandeira amarela dupla levava ao cancelamento do tempo de volta do piloto”, disse a FIM em nota à imprensa. “A partir de agora, isso será estendido para incluir bandeira amarela única. Um piloto não pode mais melhorar seu tempo de volta sob uma bandeira amarela de qualquer tipo e, tão logo um piloto entrar em um setor com uma bandeira amarela, seu tempo de volta será cancelado. Isso se aplica a todos os treinos livres e sessões de classificação”, seguiu.

“Uma vez que o piloto passou pela bandeira verde indicando que a pista está livre, ele pode voltar à velocidade máxima e continuar trabalhando como normalmente. Os tempos de setor ainda serão visíveis, mas o tempo de volta não será válido”, explicou. “Em relação às corridas, nenhuma mudança. Nenhuma ultrapassagem é permitida sob nenhum tipo de bandeira amarela”, completa.

Pilotos se dividem na avaliação de nova regra

Um dos protagonistas do acidente que marcou o treino de sábado passado, Miller avaliou que é injusto que um piloto perca uma volta se existe como passar em segurança por um trecho de bandeira amarela.

“Vamos ver como vai ser com essa nova regra. Eu não concordo 100% com ela. Acho que deveria ter um pouco de senso comum envolvido nesse tipo de coisa. Imediatamente cancelar voltas, especialmente com o número limitado de pneus que temos, não acho que seja uma boa ideia, principalmente se você pose passar de uma maneira segura enquanto em uma volta rápida, como, por exemplo, na curva 2”, disse o piloto da Pramac. “Na classificação de sábado, foram muitas quedas na curva 2. Tenho certeza de que vamos discutir mais isso na Comissão de Segurança”, seguiu.

Liberado pelos médicos para correr neste fim de semana após fraturar o ombro no acidente da semana passada, Rins compartilhou da visão do australiano.

“Não sei por que não penalizavam antes, mas agora eles dizem que se alguém cair durante a classificação, o tempo de volta será cancelado”, comentou Rins. “Você pode fazer muita coisa. É preciso tomar cuidado, pois alguns pilotos podem fazer a volta, aí talvez parar a moto, vem a bandeira amarela e não tem mais volta dos outros”, sugeriu.

Piloto mais experiente do grid, Valentino Rossi concordou com a nova interpretação, mas acredita que é preciso uma mudança na maneira como as bandeiras amarelas são exibidas.

“Nós tivemos um briefing extra e falamos especialmente sobre as bandeiras amarelas, pois a direção de prova e a Dorna querem que estejamos mais seguros e atentos em relação às bandeiras amarelas”, comentou o #46. “Eles estão preocupados, pois no primeiro fim de semana, muitas vezes todo mundo forçou com bandeiras amarelas”, continuou.

“Acho que está certo, pois é muito perigoso, como Miller e Rins, por exemplo. Mas, por outro lado, não vemos as bandeiras amarelas, pois elas estão muito longe da pista , pois na MotoGP nós temos muita área de escape e, em Jerez, estamos sempre no limite [do pneu]”, apontou. “Então é muito difícil ver a bandeira. Para mim, eles precisam melhorar o sistema e usar a luz no painel, como na Fórmula 1, ou facilitar para que os pilotos vejam a bandeira amarela”, sugeriu.

Titular da SRT, Franco Morbidelli também apoiou a ideia de que os pilotos tenham de reduzir a velocidade sempre que uma bandeira amarela foi acionada.

“A partir de agora, sempre que virmos uma bandeira amarela dupla ou unitária ― não importa ―, teremos de diminuir”, começou o ítalo-brasileiro. “Concordo com essa regra, pois aumenta a segurança. É assim que será a partir de agora em treino e classificação e, para a corrida, será o mesmo de sempre”, encerrou.

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