Na Garagem: Sexto, Stoner aproveita revés de Rossi no Japão e dá à Ducati 1º título

Casey Stoner não deixou passar a oportunidade e aproveitou um problema de freios com a Yamaha de Valentino Rossi para usar um sexto lugar no GP do Japão e faturar o título de 2007 de forma antecipada. Foi a primeira conquista do australiano e da Ducati

A MOTOGP VIVEU UM DIA histórico em 23 de setembro de 2007. Há dez anos, Casey Stoner garantiu seu lugar no olimpo do Mundial de Motovelocidade ao conquistar o título e dar à Ducati seu primeiro ― e até agora único ― triunfo na classe rainha.

 
Aos 21 anos, Stoner chegou a Motegi com chances de definir o título com três etapas de antecedência e, para isso, precisava apenas receber a bandeirada na frente de Valentino Rossi, seu principal rival na disputa. E a chuva apareceu para dar aquela mãozinha.
 
A temporada 2007 marcou uma mudança na MotoGP, com os protótipos 800cc assumindo o posto dos 990cc que reinaram entre 2002 e 2006. Além desta modificação, que jogou em favor da Ducati, a casa de Bolonha também pôde contar com a melhor performance dos pneus Bridgestone em detrimento dos Michelin, o que acabou por ser mais um fator determinante na caminhada da casa de Borgo Panigale.
 
Forte desde o início da temporada, Stoner chegou ao Japão com oito vitórias em 14 corridas ― Catar, Turquia, China, Catalunha, Grã-Bretanha, Estados Unidos, República Tcheca e San Marino ― e outros três pódios ― segundo na Itália e terceiro na França e em Portugal.
Casey Stoner conquistou o único título da Ducati em 23 de setembro de 2007 (Foto: Ducati)

Em Motegi, um fim de semana histórico. Há dez anos, a MotoGP testemunhou sua primeira corrida com flag-to-flag, um sistema que tinha sido testado pela primeira vez em 2005. Na ocasião, a corrida começou com chuva, mas os pilotos tiveram de ir aos boxes em busca das motos reserva devidamente acertadas para pista seca em meados da disputa.

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Nono no grid, Casey fez uma ótima saída e apareceu em quarto ainda na primeira curva, à frente de Rossi. O #46 chegou a cair para a sétima colocação, mas se recompôs rapidamente e colou no australiano, até passar com 12 voltas para o fim.

Com a pista secando, Stoner foi aos boxes dois giros mais tarde, com Rossi fazendo sua parada na volta seguinte, com o #27 já em quinto. O inesperado, entretanto, aconteceu. Restando oito voltas para a bandeirada, o #46 teve de voltar aos boxes da Yamaha por conta de um problema de freios da YZR-M1, o que o derrubou no pelotão.

Loris Capirossi, então, recebeu a bandeirada em primeiro, 10s853 à frente de Randy de Puniet, que conquistou seu primeiro pódio e o melhor resultado da Kawasaki no ano. Toni Elías completou o pódio. Mais de 31s atrás do companheiro de Ducati, Stoner ficou em sexto, mas aquele que foi seu pior resultado no ano serviu para o título, já que Rossi ficou apenas em 13º.

Em seu ano de estreia pela Ducati, o primeiro triunfo, na Turquia, até chegou como surpresa, mas um meio de temporada próximo do impecável foi o que assegurou o título. Na Catalunha, o australiano protagonizou com Rossi uma das melhores disputas da história da categoria. Depois, na sequência entre Laguna Seca, Brno e Misano, o australiano conseguiu três triunfos de ponta a ponta.

Com tal performance, Stoner chegou ao título sendo o único piloto a pontuar em todas as etapas, definindo a conquista ao alcançar 297 pontos, 83 a mais que Rossi.

Naquela ocasião, Stoner, aos 21 anos e 342 dias, se tornou o segundo mais jovem a conquistar o título, atrás apenas de Freddie Spencer. Além disso, foi a primeira vez que uma fábrica europeia conquistou o Mundial desde que a MV Agusta foi campeã com Phil Read em 1974.

“No momento, parece um pouco surreal”, disse Stoner após a conquista. “Estou com dificuldades para achar as palavras, acho que não tem sensação nenhuma que possa se comparar com isso, mas acho que realmente vou assimilar com o passar das horas”, seguiu.

“A corrida começou até que bem, conseguimos chegar na frente bem cedo, e eu tive uma sensação relativamente boa com a moto, estava em uma situação feliz. Mas aí os pneus de chuva começaram a desgastar conforme a pista ia secando, e Valentino e Dani [Pedrosa] passaram”, relatou. “Eu realmente não sabia se entrava ou não, aí meu time colocou ‘box’ no pit-board, então tive um pouco mais de confiança para entrar. Depois que mudei de moto, tinha algo com o amortecedor, a moto não me permitia inclinar nas curvas, então tive de reduzir a velocidade. Aí comecei a encontrar mais ritmo, Valentino teve um problema e conseguimos terminar à frente dele. Acho que era a meta do jogo de hoje”, ponderou.

Foi a primeira e até hoje única conquista da Ducati na MotoGP (Foto: Ducati)

"Perto do fim, tudo passava pela minha cabeça, então só tentei ficar focado no trabalho que tinha em mãos, queria levar para casa pelo meu time. A coisa toda é arrebatadora, porque nós realmente não esperávamos conquistar o título hoje”, reconheceu. “Têm muitas pessoas que quero agradecer: meus pais, que sempre estiveram lá para mim, que me apoiaram ao longo da minha carreira; a minha esposa Adriana, que esteve lá nesta temporada e nas últimas; e todos os que me ajudaram ao longo do caminho ― a Ducati, toda minha equipe, os pneus Bridgestone. Um enorme obrigado a todos que tiveram qualquer relação com a minha carreira. Nós finalmente conseguimos”, concluiu.

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Rossi lamentou o revés de Motegi, mas parabenizou Stoner pela sua primeira conquista na carreira.

“É uma grande pena para nós o desfecho deste fim de semana, porque, no seco, éramos mais rápidos do que Stoner e poderíamos ter uma boa chance. O primeiro problema de hoje foi o clima nesta manhã, mas, de fato, conseguimos encontrar um bom acerto para a moto e estávamos bem esperançosos quando a corrida começou”, contou Rossi. “Tive uma largada ruim, mas, com a pista secando, tinha o ritmo mais rápido e pude recuperar 5s em relação aos líderes. Depois que passei [Marco] Melandri, fui para os boxes para a mudança e talvez tenha sido uma volta tarde demais, mas a nossa estratégia estava mais ou menos ok, porque consegui voltar para a pista apenas com Loris à minha frente. Nós tínhamos um pneu dianteiro intermediário, slick, o que é normal nessas situações, mas a moto estava quase impossível de guiar e senti que tinha alguma coisa seriamente errada. Eu voltei, mas meus mecânicos viram que não tinha nada de errado, então eu saí imediatamente, mas já era tarde demais. A corrida estava acabada e o campeonato já era”, relatou.

"Lamento muito pelos meus fãs e por todo meu time. Parabéns ao Loris, mas especialmente ao Casey por ser tornar campeão”, concluiu.

Então diretor-executivo da Ducati Motor Holding, Gabriele Del Torchio celebrou a conquista de Stoner e lembrou o empenho da casa de Bolonha na conquista.

“Este sucesso, além de ser de grande valor estratégico, é a melhor demonstração da excelência da Ducati, é um triunfo da inteligência italiana, do talento, da competência e do calor que é um dos ativos mais importantes do país”, disse Del Torchio. “É uma conquista importante e memorável, 34 anos depois de o Mundial de Motovelocidade ter sido vencido por uma fábrica italiana pela última vez. É um sonho que se torna realidade”, frisou.

“Nós estamos falando de uma grande conquista alcançada graças ao comprometimento, à bravura e ao trabalho de equipe de Casey, aliados ao trabalho de nossos projetistas, técnicos, engenheiros, integrantes, patrocinadores e todos na fábrica. Eles todos trabalharam com uma grande paixão e muita habilidade para obter este campeonato, um sucesso enfatizado hoje pela vitória de Loris, a quem dizemos um enorme obrigado pelo grande trabalho que fez nos últimos cinco anos”, falou. “A alegria e o orgulho de experimentar este resultado histórico de campeonato recompensa todos os nossos esforços e só podem nos encorajar a metas ainda mais importantes e memoráveis, tanto na área esportiva quanto na comercial”, completou.

Diretor-executivo da Ducati Corse, Claudio Domenicali afirmou que a conquista de Stoner é também um motivo de orgulho para a Itália.

“É um sonho que se torna realidade. Uma sensação fantástica, realmente fantástica. Não tenho palavras o bastante para agradecer os rapazes que contribuíram para esta incrível conquista, que mostra que a Itália é uma nação cuja paixão e talento podem ser bem sucedidas em um campo de tecnologia enormemente avançada”, falou Domenicali. “É certamente uma boa razão de orgulho para os italianos ― orgulho pelo talento dos nossos engenheiros e pela qualidade das nossas universidades. É também um sinal que permite à Itália olhar para o futuro e para a globalização com um olhar um pouco mais otimista”, encerrou.

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