Prévia: Com Yamaha rumo a feito histórico, MotoGP pode ver troca de líder em Assen

Com um ponto de vantagem para Jorge Lorenzo na classificação, Valentino Rossi pode perder em Assen a liderança do Mundial pela primeira vez em 2015. Se uma Yamaha vencer na Holanda, será a primeira vez nos 67 anos de história do Mundial que a casa de Iwata vence seis seguidas na classe rainha

A cobertura completa do GP da Holanda no GRANDE PRÊMIO

Depois de ver a Honda conquistar com certa facilidade os Mundiais de Equipes e Construtores de 2014, a Yamaha reagiu e levou para a pista neste ano uma YZR-M1 para lá de afiada. Com seis vitórias no ano — quatro de Jorge Lorenzo e duas de Valentino Rossi —, a marca dos três diapasões tem a liderança nos três campeonatos e pode conquistar um feito histórico neste fim de semana.
 
Se um piloto da Yamaha triunfar no GP da Holanda, esta será a primeira vez nos 67 anos de história do Mundial de Motovelocidade que a casa de Iwata conquista seis vitórias seguidas na classe rainha.
Valentino Rossi precisa terminar na frente de Jorge Lorenzo para manter a liderança do Mundial (Foto: Yamaha)
Além disso, com o triunfo dominante na Catalunha, Lorenzo chegou ao recorde de 103 voltas seguidas na liderança. Com os dois giros liderados por Rossi na Argentina, a M1 ditou o ritmo em um total de 105 voltas em 2015, igualando a marca de mais giros comandados por uma mesma fábrica. Em 2003, a Honda puxou a fila em todos os giros dos GPs da República Tcheca, de Portugal, do Brasil, do Pacífico, da Malásia e da Austrália.
 
Único circuito a ter recebido o Mundial anualmente desde a criação do campeonato, em 1949, Assen também pode ver uma mudança no topo da tabela. Com a Yamaha em grande fase, os holofotes estão todos voltados para Rossi e Lorenzo, mas a liderança do italiano no Mundial de Pilotos está por um fio.
 
Dono de oito triunfos na Catedral — seis na MotoGP, um nas 250cc e um nas 125cc —, Rossi sabe que precisa terminar à frente de Lorenzo para manter a liderança, mas encerrar a boa fase do #99 não será uma tarefa das mais fáceis.
 
Pela primeira vez na carreira, Lorenzo venceu quatro provas seguidas e, apesar de Rossi apresentar um ritmo semelhante na corrida, a diferença de performance no treino classificatório tem feito a diferença. 
 
Tradicionalmente, Rossi é ‘bicho de corrida’, mas a presença constante na terceira fila do grid não tem sido de grande serventia nessa busca pelo décimo título. Desde 2013, quando o novo formato do treino classificatório foi introduzido, o multicampeão sempre mostrou dificuldades para se classificar bem, mas já passou da hora de encontrar uma solução para isso.
 
O tempo que Rossi perde para se livrar de rivais mais lentos é exatamente o que Lorenzo precisa para escapar na ponta. Especialmente porque a dupla da Yamaha não tem encontrado rivais a altura neste ano.
 
Jorge, por sua vez, sabe que Valentino não planeja entregar a liderança facilmente, então precisa tratar de conquistar uma boa posição de largada e aí seguir a mesma receita das últimas quatro corridas: disparar na ponta e não dar chances aos rivais. Essa estratégia, no entanto, não é a mais benéfica para os fãs, que preferem disputa a um passeio. 
 
Enquanto as coisas na Yamaha seguem de vento em popa, na garagem da Honda a situação não é assim tão boa. Ainda lidando com as dificuldades resultantes da característica agressiva do motor da RC213V, o time de Marc Márquez e Dani Pedrosa esperava usar o teste coletivo de Barcelona para encontrar um caminho para melhorar o protótipo, mas a chuva acabou melando os planos. 
Marc Márquez tem metade dos pontos de Rossi em 2015 (Foto: Xavi Bonilla/Grande Prêmio)
No pouco tempo de pista seca que teve disponível em Montmeló, Márquez testou uma moto híbrida, com o chassi de 2014 e o motor e a balança da RC213V de 2015. Apesar de ter notado melhora nessa versão do protótipo, o bicampeão ainda precisa avaliar mais extensamente este protótipo.
 
A situação de Dani Pedrosa também não é das melhores. Embora o braço operado no início de abril não seja um problema, o #26 tem as mesmas dificuldades que o companheiro de equipe para lidar com a temperamental moto da Honda.
 
Do lado da Ducati, Andrea Iannone e Andrea Dovizioso vivem momentos diferentes. No top-6 em todas as corridas do ano, o #29 vai para Assen tentando reduzir o atraso em relação à dupla da Yamaha, enquanto o #4 busca uma reação após dois abandonos consecutivos.
 
Embalada após o bom desempenho em Barcelona — especialmente no treino classificatório —, a Suzuki vai para a Holanda confiante em uma boa performance. A marca japonesa estreou uma atualização no motor na etapa anterior que reduziu um pouco o déficit de potência da GSX-RR.
 
Aliás, com o sexto lugar na Catalunha, Maverick Viñales se tornou, aos 20 anos e 153 dias, o segundo mais jovem a terminar no top-6 desde o início da era da MotoGP. Márquez é o mais novo, já que conquistou um terceiro posto no Catar em sua prova de estreia na classe rainha, aos 20 anos e 49 dias. 
 
Moto2
 
Johann Zarco segue caminhando em direção ao título da Moto2. Desde que assumiu a liderança da categoria, na Argentina, o francês só fez aumentar sua vantagem e vem em uma sequência de seis pódios consecutivos — na temporada 2015, o piloto da Ajo só ficou fora do top3 por conta de uma falha mecânica em Losail.
 
Campeão vigente, Tito Rabat encontrou a consistência que vinha faltando, mas Assen, junto com Sachsenring, é uma das únicas das pistas onde o piloto da Marc VDS não tem pódios.
Johann Zarco foi ao pódio em quase todas as etapas da Moto2 em 2015 (Foto: Ajo)
Um dos poucos a tentar quebrar o domínio da Kalex na temporada, Sam Lowes não teve uma boa atuação em Assen no ano passado, quando caiu duas vezes na corrida, mas venceu na Catedral em 2013, quando caminhava em direção ao título do Mundial de Supersport.
 
Quem chega em Assen em um bom momento é Álex Rins. Depois de passar por uma cirurgia no antebraço esquerdo para tratar a síndrome compartimental, o piloto da Pons reapareceu na Catalunha e agora ocupa a quinta colocação no Mundial, 60 pontos atrás de Zarco.
 
Moto3
 
Depois de alguns anos de atuações apagadas, Danny Kent ressurgiu em 2015 e vem quebrando a escrita na Moto3. Com quatro triunfos na temporada, o piloto da Kiefer vem construindo sua vantagem de 51 pontos desde Austin, quando assumiu o comando da disputa.
 
Ao longo da carreira, entretanto, Danny tem um único pódio em Assen, com um terceiro lugar na etapa de 2012 — seu primeiro top-3 no Mundial. Ainda assim, essa não é uma estatística preocupante, até porque, nenhum dos pilotos do grid atual tem vitória na Holanda.
Danny Kent tem um único pódio em Assen (Foto: Xavi Bonilla/Grande Prêmio)
Segundo na classificação, Enea Bastianini vem se destacando, mas ainda busca seu primeiro triunfo no campeonato. Miguel Oliveira, por sua vez, vai para Assen com boas lembranças, já que foi lá que o piloto português conquistou a primeira pole da Mahindra no Mundial, em 2013.
 
Niccolò Antonelli é mais um que vem brilhando aqui e ali, mas o italiano ainda precisa de uma performance mais sólida para poder subir ao pódio pela primeira vez. 

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