Ao contrário do que aconteceu no ano passado, quando a disputa pelo título seguiu ponto a ponto até a prova final, desta vez o campeonato foi definido em favor de Márquez com antecedência, com pouco ainda em disputa nesta reta final.
Com duas provas para o fim da temporada — os
GPs da Malásia e da Comunidade Valenciana —, ainda resta no tacho a briga pelo vice-campeonato — com Maverick Viñales muito disposto a se meter na briga entre Valentino Rossi e Jorge Lorenzo — e também a disputa pelo ‘título’ de melhor piloto satélite — algo bastante encaminhado em favor de Cal Crutchlow.
Sepang recebe a MotoGP neste fim de semana repaginada (Foto: Michelin)
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Mas o clima não é a única coisa que será diferente neste fim de semana. O traçado malaio passou por uma reforma, com melhorias em várias curvas e áreas de escape, além de ter sido recapeado.
O trabalho conduzido pelo Studio Dromo, mesma empresa responsável pelo projeto do circuito da Argentina, preservou o layout original de Sepang, mas tinha como meta tornar a pista mais rápida e suave, com maior aderência, e também melhorando a drenagem.
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Além do novo asfalto, a outra mudança de destaque foi feita na última curva, que teve sua cambagem alterada, o que muda o escoamento da água, a linha rápida e também facilita a ultrapassagem. Esta modificação também foi feita com o intuito de reduzir a velocidade na reta.
Porém, não é fácil apontar favoritos para este que vai ser o 26º GP da Malásia — 18º em Sepang. Em termos de vitórias, a Honda soma cinco no circuito, incluindo nos últimos quarto anos — três de Dani Pedrosa e uma de Márquez —, mesmo número de triunfos da Yamaha. A casa de Iwata, no entanto, venceu por lá pela última vez em 2010, com Rossi.
Do lado da Ducati, são três triunfos, o último com Casey Stoner em 2010. Depois do australiano, o melhor resultado do time de Bolonha na pista malaia foi o quarto lugar obtido por Nicky Hayden em 2012. A Suzuki, por sua vez, tem como melhor resultado em Sepang na era da MotoGP um quinto lugar com Álvaro Bautista em 2010.
Em termos de pilotos, a vantagem é de Valentino, que soma seis vitórias na pista — uma nas 500cc e cinco na MotoGP. Depois do #46, o mais bem sucedido é Dani Pedrosa, que triunfou cinco vezes na Malásia — uma nas 125cc, uma nas 250cc e três na MotoGP. O #26, entretanto, vai estar ausente mais uma vez, já que ainda se recupera das lesões sofridas no segundo treino para o GP do Japão.
Hiroshi Aoyama será o substituto.
Valentino Rossi é o piloto com maior número de vitórias em Sepang (Foto: Yamaha)
Neste mesmo quesito, o cenário é um pouco menos favorável a Jorge Lorenzo, já que Sepang é um dos cinco circuitos do atual calendário onde o #99 nunca venceu na MotoGP, junto com Austin, Sachsenring, Red Bull Ring e Termas de Río Hondo.
Depois do GP da Austrália, Márquez e Lorenzo chegam para este penúltima etapa buscando reação. O primeiro para deixar para trás seu primeiro erro da temporada, o segundo para tentar voltar ao jogo após uma atuação bem apagada.
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Rossi, por outro lado, chega torcendo por um inicio de fim de semana menos tumultuado do que aquele de Phillip Island, mas com um desfecho igualmente positivo, já que conseguiu exibir um bom ritmo na classificação e minimizar sua pior posição de largada desde 2011 com um segundo lugar.
A Yamaha, entretanto, não vive sua melhor fase. A marca dos três diapasões enfrenta uma seca de nove corridas — a última vitória foi com Rossi no GP da Catalunha.
Mas se tem gente que chega em Sepang com a motivação em alta, esses são Cal Crutchlow e Maverick Viñales.
A vitória do #35 na Austrália foi a primeira de um piloto de equipe satélite em uma corrida com pista seca desde o triunfo de Toni Elías no Estoril em 2006. Além disso, Cal é também o primeiro piloto privado a vencer mais de um GP na temporada desde Marco Melandri, também em 2006. Neste período, aliás, é a primeira vez que um piloto que não integra o ‘quinteto fantástico’ — Rossi, Lorenzo, Pedrosa, Márquez e Stoner — vence mais de uma corrida no mesmo ano.
Crutchlow, que é o primeiro piloto que sobe para a MotoGP depois de competir em tempo integral no Mundial de Superbike a vencer mais de um GP na elite do motociclismo mundial, é o segundo piloto que mais pontuou nas últimas oito corridas da temporada. Foram 121 pontos, contra os 20 ganhos nas oito primeiras. Márquez foi o único a colher mais pontos que o titular da LCR neste mesmo intervalo, com 128.
Viñales, por sua vez, busca um registro importante na Suzuki. Em sua turnê de adeus ao time nipônico, o espanhol somou 181 pontos, o que faz dele o segundo piloto que mais pontuou para a Suzuki na era da MotoGP, atrás apenas de John Hopkins, que chegou a 189 em 2007. Com duas provas para o fim do Mundial, o #25 tem tempo para assumir o topo do ranking.
Cal Crutchlow vive grande fase em 2016 (Foto: Divulgação/MotoGP)
Na Ducati, Andrea Iannone volta às pistas depois de um longo afastamento por conta de uma fratura na vértebra T3. Com as exigências de Sepang, o italiano vai precisar mesmo de uma boa forma para poder aprontar alguma. Andrea Dovizioso também teve bom ritmo no fim de semana passado e tenta repetir a dose.
Assim como aconteceu na Austrália, porém, o clima deve ter um papel importante na Malásia. A previsão para o fim de semana é de uma amplitude térmica de 24°C a 30°C, com chuva com trovoadas prevista para sexta e sábado, e pancadas de chuva no domingo. A chance de precipitação atmosférica está acima dos 75% para todos os três dias.
O treino classificatório do GP da Malásia está marcado para as 4h10 (de Brasília) de sábado. A largada da corrida acontece às 5h.
Moto2
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Único dos três campeonatos com a disputa ainda indefinida, a Moto2 tem apresentado uma temporada imprevisível. No último fim de semana, mais uma vez, Johann Zarco teve uma atuação apagada e viu Tom Lüthi assumir o posto de Álex Rins na caçado pelo título. Ainda assim, com 22 pontos de vantagem na tabela, o #5 tem na Malásia sua primeira chance de conquistar o bicampeonato.
Os três primeiros na classificação, todavia, chegam ao traçado malaio em condições diferentes. Lüthi vem alta depois de, pela primeira vez na carreira, conquistar duas vitórias consecutivas. Além disso, o suíço alcançou seu 34º pódio, o que faz dele o piloto com mais pódios na classe do meio. O #12 também venceu quatro vezes em 2016, igualando seu maior número de vitórias em um mesmo ano, algo que tinha atingido em 2005, ano em que foi campeão das 125c.
Tom Lüthi também está em grande forma (Foto: Divulgação/MotoGP)
Na contramão, Zarco e Rins ainda tentam voltar aos trilhos. Desde o GP da Áustria, onde fez pole, venceu e marcou a volta mais rápida, o titular da Ajo conquistou apenas um pódio, em Motegi. O representante da Pons, por sua vez, sofreu mais com questões físicas e, depois de recuperar 30 pontos de atraso, viu tudo dar errado nessa fase transoceânica da temporada.
A estatística, porém, pesa para Zarco e Lüthi. As seis corridas da Moto2 já realizadas em Sepang tiveram um rodízio de vencedores: Roberto Rolfo, Lüthi, Alex de Angelis, Tito Rabat, Maverick Viñales e Zarco, pela ordem.
Quem também pode fazer a diferença nessa briga é Franco Morbidelli. O italiano, que é filho de mão brasileira e, por isso, carrega a bandeira do Brasil no casco, ainda tem chances matemáticas — embora improváveis — de título e fez seis pódios nas últimas nove corridas e foi derrotado em Phillip Island por Lüthi por apenas 0s01.
Aliás, a margem de 0s01 que separou Lüthi e Morbidelli na pista de Victoria é a menor na classe intermediária desde que Jorge Lorenzo venceu Alex De Angelis por 0s009 no GP da Austrália de 250cc de 2006.
O treino que define o grid de largada da Moto2 acontece às 5h05 (de Brasília) de sábado, com a largada da corrida às 3h20 de domingo.
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Moto3
Também com o título definido com antecipação, a atenção na Moto3 se volta pela briga pelo vice e pelo posto de novato do ano.
Na disputa pelo vice-campeonato, Enea Bastianini e Jorge Navarro estão separados por 21 pontos, mas o titular da Gresini pode ficar fora da corrida deste fim de semana depois de fraturar uma vértebra e uma costela no grave acidente do início do GP da Austrália.
Enea Bastianini pode ficar de fora da corrida por lesão (Foto: Gresini)
Mais abaixo na tabela, os três pilotos que disputam o rótulo de melhor estreante — Nicolò Bulega, Joan Mir e Fabio Quartararo — estão separados por sete pontos e nenhum deles pontuou em Phillip Island.
Falando na prova australiana, a corrida do fim de semana serviu de incentivo para vários pilotos, que conquistaram por lá seus melhores resultados: Arón Canet, Darryn Binder e Marcos Ramírez, por exemplo.
Às 2h35 (de Brasília) de sábado acontece o treino classificatório, com a largada do GP da Malásia agendada para as 2h de domingo.
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