Quartararo ainda não é ‘novo Márquez’, mas pode ser futuro da Yamaha

Após uma passagem brilhante nas categorias de base, Fabio Quartararo chegou ao Mundial de Motovelocidade carregando o rótulo de 'novo Márquez'. Apagado nas classes menores, subiu para a MotoGP e tem feito bonito entre os grandes para não só se estabelecer na classe rainha, mas se colocar cada vez mais como escolha cada vez mais óbvia da Yamaha para o futuro

Fabio Quartararo, um nome que tem ganhado cada vez mais destaque na MotoGP. Começando tímido em sua temporada de estreia na classe rainha, foi crescendo de rendimento e hoje já se coloca entre aqueles que estão há anos na categoria – e podemos esperar cada vez mais.
 
O francês deu o pulo para a maior das três classes assinando com a SIC, equipe satélite da Yamaha. Fazendo par com Franco Morbidelli e guiando uma moto ligeiramente inferior – apesar de ser a YZR-M1 de 2019, tem menos potência – era esperado que andasse abaixo do já experiente ítalo-brasileiro, mas não é bem esse o cenário.
 
Enquanto que na abertura da temporada o #20 tenha ficado fora dos pontos, terminou dentro do top-10 nas duas provas seguintes. Jerez registrou seu primeiro abandono por problemas no câmbio, mas depois emendou ótimos resultados: mais dois top-10 e seus dois primeiros pódios. Na Alemanha, então, teve sua primeira queda de 2019 durante uma corrida. Ainda, já são três pole-positions – batendo o recorde de Marc Márquez como o mais jovem piloto com 20 anos e 14 dias.

Fabio Quartararo (Foto: SIC)

Com tantos bons resultados já alcançados, o ‘Diablo’, como é conhecido, já soma 67 pontos na classificação, sustentando a oitava colocação da tabela. Enquanto isso, com efeito de comparação, o #21 é ocupa o 11º posto, sustentando uma desvantagem de 15 tentos para o piloto de 20 anos.
 

Olhando para as performances e desempenhos, muitos devem pensar: de onde veio o competidor de Nice? E engana-se quem pensa que surgiu do nada para brilhar no campeonato. Quando chegou ao Mundial de Motovelocidade, em 2015, defendendo a Honda na Estrella Galicia, precisava carregar o nada fácil rótulo de ‘novo Márquez’.
 
Antes de desembarcar na menor das classes do Mundial, Quartararo conseguiu, entre 2007 e 2014, seis títulos, sendo um no Campeonato Espanhol das 50cc, um no Campeonato Espanhol de 70cc, um no Campeonato Espanhol de 80cc, um no Campeonato Espanhol Pré-Moto3 e dois no Campeonato Espanhol de Moto3, sendo um deles tornando-se o mais jovem campeão aos 14 anos e 217 dias. Com isso, a passagem para a Moto3 já estava garantida.
 
Entretanto, a grande promessa e a pressão em cima dos ombros de Fabio e as expectativas pelos bons resultados não se pagaram no começo. Mesmo assinando com a forte equipe de Emilio Alzamora, teve uma segunda colocação como melhor resultado, encerrando o ano em décimo. E então, em 2016, fechou acordo com a Leopard, mas mais uma vez não chegou a brigar, terminando o campeonato em 13º.

Fabio Quartararo (Foto: SIC)
Mas o salto para a classe intermediária veio da mesma maneira. Dessa vez, o francês iria pilotar pela Pons, esquadra de ponta que brigava por vitórias, menos com o ‘Diablo’. Com sua estrela quase apagada, em 2018 se mudou para a Speed Up, e em um ambiente com menos cobranças, começou a retomar a confiança e mostrar performance – inclusive conseguindo sua primeira vitória no Mundial, além de 13 top-10 em 19 etapas. Era o que precisava para o novo salto.
 
E apesar do começo de ano mais tímido, bastou pegar a mão da moto para começar a empilhar os bons resultados e despontar entre os melhores e mais fortes nomes do campeonato – chegando mesmo a, em algumas vezes, se mostrar mais forte que Valentino Rossi.
 
E o próprio Marc já reconheceu a força que o adversário. Além de falar que o #20 mostra o “verdadeiro potencial da Yamaha”, ainda deixou claro que ele ainda pode incomodar na temporada, pois pode roubar vitórias e importantes pontos do espanhol, apesar de estar na briga direta pelo título.

Marc Márquez e Fabio Quartararo (Foto: Repsol)

Não é dúvida que Quartararo tem sido a grande surpresa da classe rainha. Batendo um companheiro experiente e fazendo frente aos titular da fábrica japonesa, o francês vem caminhando para se estabelecer cada vez mais na categoria, esperando crescimento ainda mais na segunda metade do campeonato.
 

Jovem, consistente, combativo e presença constante nas posições da ponta, Fabio pode até não ter assumido o papel de ‘novo Márquez’ do Mundial como era esperado, mas caminha cada vez mais para ser uma opção óbvia e natural da Yamaha no futuro, sendo exatamente o que a equipe precisa: um respiro de novo ar.

Bem, talento já mostrou que tem, né?
 

Paddockast #24
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