Recordista de vitórias e em busca de reação: quem é a Honda que contratou Moreira?
Dona de 314 vitórias na MotoGP, a Honda tem uma história reluzente na classe rainha do Mundial de Motovelocidade, marcada por anos de domínio e por ter sido abrigo de alguns dos maiores da história. Hoje, a marca da asa dourada rema contra a maré para sair do buraco onde se enfiou
A Honda é praticamente um sinônimo de MotoGP. Mesmo — ainda — longe da melhor forma, a agora casa de Diogo Moreira tem uma história gloriosa no Mundial de Motovelocidade, marcada por vitórias, títulos, períodos de domínio e por ter sido abrigo de dois dos maiores vencedores da classe rainha: Valentino Rossi e Marc Márquez.
A história da Honda no Mundial vem lá de trás. A primeira participação no certame estabelecido pela Federação Internacional de Motociclismo (FIM) aconteceu em 1959, no TT da Ilha de Man. Há 66 anos, a montadora japonesa debutou no palco mundial com uma equipe comandada por Kiyoshi Kawashima, com quatro pilotos correndo nas 125cc.
O início promissor — com os pilotos fechando o ano em sexto, sétimo, oitavo e 11º na classificação — rendeu o aumento do envolvimento, com a Honda desembarcando não apenas nas 125cc, mas também nas 250cc.
Em 1961, a marca fundada por Soichiro Honda provou o sabor da vitória pela primeira vez: Tom Phillis triunfou no GP da Espanha de 125cc, enquanto Kunimitsu Takahashi levou a melhor no GP da Alemanha de 250cc — tornando-se o primeiro japonês a vencer no Mundial. Naquele ano, a Honda levou o título das duas classes.
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Foi em 1966 que a Honda mergulhou ainda mais fundo no campeonato, garantindo presença em todas as classes individuais: de 50 a 500cc. Entre 1959 e 1967, a marca acumulou 138 vitórias no Mundial antes de uma breve retirada.
O retorno aconteceu em 1979, com a NS500, uma moto de dois tempos — antes, a montadora tinha se aventurado apenas com máquinas quatro tempos. Apesar do sucesso da moto, a grande virada veio em 1984, com a chegada da NSR500.
Foi com a lendária NSR500 que a Honda provou o sabor da vitória com mais intensidade. Em 1983, Freddie Spencer conquistou o Mundial de Pilotos das 500cc com a montadora pela primeira vez, mas o triunfo do norte-americano — que foi bicampeão em 1985 — foi acompanhado do sucesso de Wayne Gardner (1987) e Eddie Lawson (1989).
Entre 1994 e 1998, a Honda provou o gosto do domínio, com Mick Doohan faturando cinco títulos seguidos nas 500cc. A aposentadoria do australiano em 1999 não parou a gigante japonesa, que engatou mais uma taça, desta vez com Alex Crivillè.
Depois de uma derrota para a Suzuki de Kenny Roberts Jr. em 2000, a asa dourada voltou a voar alto, desta vez com Valentino Rossi. O #46, ainda no início da carreira, faturou três taças consecutivas entre 2001 e 2003 — a última da era das 500cc e as duas primeiras da história da MotoGP.
O italiano de Tavullia, porém, partiu para a Yamaha, onde faturou os títulos de 2004 e 2005. Em 2006, até de forma inesperada, Nicky Hayden conseguiu derrotar o ‘Doutor’ e ficar com o título. Nos anos seguintes, Casey Stoner surpreendeu com a Ducati, Rossi voltou a reinar a bordo da YZR-M1 e Jorge Lorenzo ganhou protagonismo, com a Honda retomando a coroa apenas em 2011, com Stoner.
No ano seguinte, a Yamaha reagiu e faturou mais uma taça, de novo com Lorenzo. A era Marc Márquez, contudo, começou logo em seguida. Em 2013, o piloto de Cervera fez história ao se tornar o mais jovem campeão da MotoGP, defendendo a coroa com sucesso no ano seguinte.
Em 2015, Lorenzo e Rossi protagonizaram um polêmico campeonato, com o espanhol erguendo o tri. No ano seguinte, porém, Marc botou ordem na casa e foi imbatível até 2019.

As coisas começaram a ficar verdadeiramente difíceis em 2020, quando Marc Márquez sofreu a infame fratura no braço direito e encarou uma longa ausência das pistas. Com o #93 afastado, a ‘Márquezdependência’ ficou evidente e ninguém mais conseguiu ter sucesso com a RC213V.
Depois de quatro cirurgias, o irmão de Álex recuperou a forma, mas a Honda não conseguiu acompanhar o passo, o que levou a uma ruptura antecipada. Sem Marc, a gigante de Hamamatsu foi forçada a reagir.
Tirando proveito de um regulamento de concessões — que oferece benesses a fábricas em dificuldades —, a Honda contratou Romano Albesiano para assumir o posto de diretor-técnico, também trouxe Aleix Espargaró da Aprilia para atuar como piloto de testes. Junto com Joan Mir, Luca Marini e Johann Zarco, a dupla pouco a pouco foi colocando performance na RC213V.
Hoje, a Honda ainda não é aquela montadora dominante de outrora, mas caminha a olhos vistos para retomar o posto de protagonista na MotoGP.
Na história, a fábrica japonesa é recordista de vitórias, com 314 triunfos na classe de elite; de poles, com 309; e de voltas mais rápidas, com 338 registros. A Honda é, também, a dona do maior número de títulos, com 25 coroas.
A MotoGP volta a acelerar entre os dias 17 a 19 de outubro com o GP da Austrália, direto de Phillip Island, 19ª etapa da temporada 2025. O GRANDE PRÊMIO faz a cobertura completa do evento, assim como das outras classes do Mundial de Motovelocidade durante todo o ano.
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