Saída de Rossi do time de fábrica da Yamaha encerra capítulo dos mais belos da MotoGP

Muito embora vá seguir como parte da família, o adeus do italiano ao time de fábrica dos três diapasões marca o fim de uma história que marcou a classe rainha do Mundial de Motovelocidade

Uma era da MotoGP chegou ao fim com o GP de Portugal. Depois de 15 temporadas ― divididas em duas partes ―, a história de Valentino Rossi com o time oficial da Yamaha chegou ao fim em Portimão. A partir de 2021, o italiano de Tavullia vai deixar de lado o uniforme azul, mas não perderá de vista a amada YZR-M1, já que seguirá competindo, embora com as cores da satélite SRT.

Mas a história que chegou ao fim no Algarve não diz respeito apenas a Rossi e Yamaha. O casamento mais do que bem sucedido mudou a MotoGP e também serviu para atrair uma legião de fãs, que se identificavam com o desafio do italiano, que trocou a melhor moto da época ― a Honda ― por uma que era vista como aquela que ninguém queria.

A despedida de Rossi na Yamaha (Foto: Yamaha)

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Sob o comando de Masao Furusawa e Davide Brivio ― hoje chefiando a Suzuki ―, a montadora dos três diapasões deu a Rossi uma moto competitiva já no início de 2004. Tanto é assim que piloto de Tavullia venceu logo na estreia, no GP da África do Sul.

O título daquele ano também ficou com Valentino, que renovou a conquista no ano seguinte. Na sequência, vieram duas derrotas dolorosas: em 2006, para Nicky Hayden, por apenas cinco pontos, e em 2007, para um dominante Casey Stoner. A Yamaha, então, voltou a focar no desenvolvimento, acertou a mão com os dois modelos seguintes, guiando o piloto ao heptacampeonato.

A primeira separação, contudo, veio no fim de 2010. Incomodado com a presença de Jorge Lorenzo, que queria não só o posto de número um, mas também orientar o desenvolvimento do protótipo, Rossi acabou seduzido por uma proposta da Ducati. A despedida em Valência é uma das imagens mais memoráveis da MotoGP. O filho de Graziano Rossi e Stefania Palma não só beijou a moto, como também escreveu uma carta de amor.

Mas a aventura italiana deu 100% errado. Em uma Ducati bem diferente da atual, Valentino jamais conseguiu ser competitivo e logo percebeu que tinha cometido um erro. O piloto procurou, então, o caminho de volta para casa. E lá se vão oito anos desde que a Yamaha lhe acolheu de volta.

Os resultados da primeira passagem jamais foram repetidos, mas Rossi lutou pelo título em 2015, quando foi derrotado apenas na corrida final por uma diferença de só cinco pontos. É, foi o ano da grande polêmica envolvendo Marc Márquez e Jorge Lorenzo.

Mas se o título não veio, vitórias e pódios se somaram a uma conta de chega aos 255 GPs: 56 vitórias, 142 pódios e quatro títulos mundiais.

Alex Briggs estava com Valentino Rossi desde os tempos da Honda (Foto: Yamaha)

“Este é um momento importante, porque é o fim da nossa jornada juntos. Nossa história, entre eu e a equipe Yamaha Factory Racing MotoGP, é dividida em duas partes ― acho que quase como um bom filme”, comentou Rossi. “A primeira parte vai do começo de 2004 até 2010. Acho que foi a melhor parte da minha carreira. Nós escrevemos a história da Yamaha. Conseguimos vencer o campeonato para a Yamaha depois de 20 e poucos anos. Com certeza, sempre me lembrarei dessas conquistas, pois são momentos chave da minha carreira também”, seguiu.

“Mas estou também muito orgulhoso da segunda parte. Quero mais uma vez dizer obrigado a Lin [Jarvis] e a toda a Yamaha. Eles me deram a chance de voltar para o time de fábrica depois de dois anos ruins que tive com outra fábrica, quando já estava ficando ‘velho’ para os padrões da MotoGP, então estava desesperado”, reconheceu. “Jamais vou esquecer o momento em que Lin me disse que eu teria a chance de voltar para cá. Serei para sempre grato por aquele momento, pois talvez tivesse parado de pilotar naquela época se não pudesse voltar para cá. Meu retorno ao time de fábrica durou oito anos, então um a mais do que a primeira fase. A segunda parte foi uma pouco mais difícil em termos de resultados, mas nós chegamos perto de vencer o campeonato em determinado momento, o que poderia ter mudado nossa história”, comentou.

Embora permaneça amplamente apoiado pela Yamaha, Vale vai romper laços com dois antigos parceiros: Alex Briggs e Brent Stephens. O italiano bem que tentou, mas não conseguiu convencer Razlan Razali a contratar toda equipe. Os dois experientes mecânicos, aliás, também não foram mantidos pela casa de Iwata e vão ficar de fora do Mundial em 2021. Apenas Matteo Flamigni, David Muñoz e Idalio Gavira vão seguir com o italiano.

“As coisas aconteceram do jeito que aconteceram, mas ainda só grato pelo apoio que recebi de Lin, Maio [Meregalli] e de todos os engenheiros japoneses. Mas, especialmente, quero dizer obrigado à minha equipe. Estamos juntos há muito tempo. Bernie [Ansiau], Alex, Brent, Matteo, Mark [Elder], David, Idalio e mais. Também quero agradecer aos outros caras da equipe e do hospitality. E, claro, ao meu companheiro de equipe, Maverick: também tivemos uma boa atmosfera com esse lado do box, então quero agradecê-los também”, listou. “Ano que vem, ainda vou guiar uma moto de fábrica com apoio total de fábrica, só que com cores diferentes. É verdade que não estarei sentado na garagem da Yamaha Factory Racing, mas estarei na porta ao lado ― junto com Matteo, Idalio e David ―, então certamente ainda poderemos dar um oi”, completou.

Diretor da Yamaha, Lin Jarvis destacou a história de sucesso de Rossi com a Yamaha, mas ressaltou que não se trata de um adeus, já que o italiano estará no paddock da MotoGP no próximo ano.

A despedida de Rossi na Yamaha (Foto: Yamaha)

“Este é um momento emocionante. É sempre triste dar adeus, especialmente para pessoas que foram uma parte tão vital da equipe. Mas nada na vida é contínuo, nada permanece igual, e essa também é a natureza da MotoGP. A situação no paddock está constantemente evoluindo. As pessoas chegam no time, algumas vão embora, e outras voltam outra vez”, falou Jarvis. “2020 foi a 15ª temporada de Valentino com a equipe Yamaha Factory Racing MotoGP. Tenho memórias vividas deste ano. Tiveram altos e baixos, foi uma montanha-russa, mas a lista de resultados dele com a Yamaha é impressionante: quatro títulos mundiais, 255 GPs, 56 vitórias e 142 pódios. É incrível o que ele conquistou nesse tempo conosco”, exaltou.

“No caso de Valentino, estamos vivenciado aquilo que descreveria como ‘mudança de guarda’. Embora ele esteja deixando a equipe de fábrica, não é o fim da carreira dele. Não é um cenário completo de adeus, é um momento de transição. Mesmo assim, é importante, porque Valentino fez parte do nosso time por muito tempo. Mas no próximo ano ele estará aqui do lado, então vai ficar por perto. O status dele de piloto de fábrica permanece e ele vai continuar guiando uma YZR-M1 com apoio total da Yamaha Motor Co., Ltd. Ele também levará David, o chefe de equipe, Matteo, o engenheiro de dados, e Idalio, o analista de performance, com ele, então estará cercado de rostos familiares na garagem para Petronas Yamaha SRT”, lembrou. “Brent, Alex e Javier [Ullate, do time de Viñales] vão encerrar a colaboração de longo prazo com a Yamaha. A expertise, o profissionalismo e a paixão deles pelo trabalho foi algo que manteve nosso time funcionado por muitos anos, então é muito triste dizer adeus a eles. Desejamos a eles todo o melhor para o futuro e esperamos que eles permaneçam em contato”, completou.

Aos 42 anos, Rossi estará no grid de 2021 para escrever uma nova história. Desta vez, formando par com Franco Morbidelli, um dos pupilos na Academia de Pilotos VR46. Mas, mesmo que a distância, o laço de uniu Valentino e Yamaha permanecerá indivisível.

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