Na volta do automobilismo, Harvick vence em Darlington com portões fechados e pouca emoção

A Nascar foi a primeira categoria de ponta a retomar atividades em meio a uma pandemia mundial de coronavírus. Em Darlington, com mudanças em algumas operações, poucas emoções no fim em uma vitória de Kevin Harvick

O automobilismo voltou. Neste domingo (17), em meio a uma pandemia mundial de coronavírus, a Nascar retomou suas atividades em Darlington, com portões fechados, as tradicionais bandeiras amarelas, pouca emoção nas voltas finais e diversas mudanças em relação ao que nos acostumamos a ver antes do aparecimento da COVID-19. E quem levou a melhor foi Kevin Harvick, que conseguiu impor um ritmo forte na reta final do último estágio e acabou levando sem sustos.

O piloto da Stewart-Haas foi um dos protagonistas da disputa o tempo inteiro, mas foi no último estágio que se destacou de vez. Na realidade, além de um ritmo forte, Kevin contou também com um grande trabalho do time nos boxes, algo fundamental para superar Brad Keselowski e também Alex Bowman, que foi o segundo.

Harvick já era líder do campeonato, mas descolou de vez do resto do pelotão agora, conseguindo sua primeira vitória na temporada e, automaticamente, a classificação para os playoffs. Também já estão lá Hamlin, Bowman e Joey Logano, único a triunfar duas vezes em 2020, mas que foi apenas 18º em Darlington.

Kevin Harvick venceu em Darlington (Foto: Stewart-Haas)

Kurt Busch, que fez grande corrida de recuperação, acabou com a terceira posição, seguido por Chase Elliott, que também reagiu bem, e Denny Hamlin, que o tempo todo esteve perto do topo, mas não chegou a ser real candidato ao triunfo em momento algum.

O grupo dos dez primeiros ainda teve Martin Truex Jr, Tyler Reddick, Erik Jones, John Hunter Nemechek e Matt Kenseth, que fez sua primeira aparição com o carro #42 da Ganassi que era de Kyle Larson, demitido por comentários racistas durante prova virtual da Nascar.

Foi, sem dúvidas, uma corrida diferente do que estamos acostumados a ver. Entre as medidas que a Nascar adotou em seu retorno, a ausência de público foi a mais perceptível, mas teve oração e hino feitos de fora do autódromo, menos funcionários nas equipes e na pista, todo mundo de máscara fora dos carros e até alguns pit-stops congelados, ou seja, como se estivessem acontecendo fora da corrida, não havia disputa ali.

Os próximos dias vão dizer se o retorno da Nascar foi um sucesso, mas, ao menos por enquanto, a categoria deve seguir firme em seus planos e realizar, já na quarta-feira, a segunda etapa desde que a pandemia começou, no mesmo oval de Darlington, mas agora em modo noturno.

Matt Kenseth de máscara antes da largada (Foto: Reprodução/Twitter)
Confira como foi a etapa de Darlington
 
O grid de largada para o retorno das atividades da Nascar foi definido de forma pouquíssimo usual: sorteio durante a semana. Brad Keselowski levou a melhor e garantiu a pole, com Alex Bowman, Matt DiBenedetto, Kyle Busch e Aric Almirola aparecendo na sequência. 
 
Kevin Harvick, que lidera o campeonato em pontos, ficou com a sexta posição no grid, enquanto Joey Logano tirou a bolinha do nono lugar. Foi Logano quem venceu duas das quatro etapas disputadas antes da paralisação por conta da pandemia de coronavírus.
 
A hora que antecedeu a largada foi marcada por acontecimentos importantes. Kyle Busch tomou uma punição pesada e foi para o fim do pelotão por seu carro ter falhado na inspeção antes da prova. Enquanto isso, as cerimônias tradicionais pré-corrida aconteciam todas de forma adaptada: orações e hino cantados à distância, fora da pista, com os pilotos posicionados ao lado de seus carros usando máscaras, bem como os mecânicos que tomavam alguma separação uns dos outros. 
Depois, os pilotos tiraram suas máscaras ao entrarem nos carros e tiveram o auxílio de apenas um mecânico para todo procedimento. Sem público nas arquibancadas, os spotters de cada carro também se posicionaram distantes em torres.

Johnson bate e Byron vence primeiro estágio

A largada para o retorno da Nascar e do automobilismo aconteceu às 16h55 (em Brasília). Keselowski manteve a dianteira, mas nem tirou proveito de uma boa partida porque, antes de completar a primeira volta, Ricky Stenhouse Jr. tentou forçar por fora e bateu no muro interno. Bandeira amarela, a primeira. Harvick já crescia para o segundo lugar e Kyle Busch passava de último para 32º.
 

A relargada aconteceu alguns minutos depois, na volta 7 e, dessa vez, tudo correu bem. Keselowski voltou a sair bem e abriu frente para Harvick, que segurou também o segundo lugar. Denny Hamlin, Jimmy Johnson e Bowman vinham logo atrás. A prova começava dentro da normalidade, após uma primeira volta bem atípica, os pilotos se comportaram mais e a pista, naturalmente, foi ganhando mais borracha.

Ricky Stenhouse Jr. bateu na largada (Foto: Reprodução/Twitter)

Na volta 30, a primeira bandeira amarela de competição, aquela que surge sem qualquer tipo de acidente ou problema na pista. Nos boxes, movimentação intensa com todo mundo lá dentro em momentos diferentes, mas uma regra modificada por recomendação de saúde: as posições estavam congeladas, ou seja, quem entrou em primeiro, saiu em primeiro, o segundo saiu em segundo e por aí foi. Keselowski ainda era líder, pois.

Depois de boas voltas em amarela pelo procedimento bastante demorado nos boxes para seguir as normas de prevenção, a relargada aconteceu no 40º giro e Keselowski voltou a sair bem, mas não escapou como das outras vezes. Johnson atacou e foi para a frente, mas logo Bowman passou Brad e Jimmie e virou o novo líder.
 
Os giros seguintes foram bem tímidos, com promessa de ritmo apertando mais para perto do fim do primeiro estágio, que teria 90 voltas. De destaque mesmo, Kyle Busch, que seguia escalando o pelotão e já aparecia em 19º após largar de 40º e último.

Com dez voltas para o fim do primeiro estágio em Darlington, o bicho começou a pegar. Johnson resolveu pressionar e foi para cima, atacando Bowman na hora e no lugar certos. Se colocou por dentro e encaixou um retardatário no meio da briga, efetuando a manobra e ainda encaminhando o triunfo no estágio.

Só que aí, na última volta do primeiro estágio, Johnson botou tudo a perder. Deu um toquinho no retardatário Chris Buescher e foi com força para o muro. Não apenas deixou escapar o triunfo no estágio, mas também abandonou a corrida, perdendo uma grande chance de sair de um longo jejum sem vitórias.
 
Com isso, melhor para William Byron, que vinha fazendo corrida interessante e ganhando espaço aos poucos até que levou a melhor em briga com Hamlin e Bowman e, como estava em segundo, herdou a vitória no estágio.

Keselowski aparece nos boxes e vence segundo estágio

O segundo segmento começou com Harvick na ponta. Isso porque os pit-stops após o primeiro estágio foram sem posições congeladas, ou seja, com competição normal e trabalho tradicional nos boxes. Harvick, Bowman, Hamlin, Byron, Clint Bowyer, Keselowski, Tyler Reddick, Aric Almirola, Ryan Newman e Chase Elliott virava o novo top-10 após as paradas.

A bandeira verde do segundo estágio foi acionada na volta 8, com Harvick partindo bem e sendo seguido por Bowman e Byron. Hamlin caiu para quarto, com Almirola relargando muito bem e deixando Keselowski para trás.
 

E mais uma amarela veio na 21ª volta da segunda parte da corrida. Tentando dar um troco em Hamlin, Byron perdeu o carro e deu no muro, danificando bastante o carro. O #24 até tentou seguir, mas foi perdendo o controle e, algumas curvas adiante, rodou de vez e causou a paralisação da prova, dando bastante trabalho para a equipe nos boxes.

Após mais uma ida dos pilotos para os boxes e de uma preocupação com potencial chuva, veio a relargada na volta 117, com Harvick na frente de Kurt Busch, após ótimo pit-stop e grande relargada, pintando em segundo, na frente de Bowman. Seu irmão, Kyle, já era 13º.

Na correria para completarem metade da corrida ao menos antes da potencial chegada da chuva, natural que mais problemas surgissem. Foi quando Daniel Suárez rodou na volta 125 com o carro travado e causou uma nova intervenção de bandeira amarela. Em nova parada nos boxes, Harvick, Bowman, Kurt, Hamlin e Keselowski formaram o top-5. Kyle Busch despencou para 20º.

O grupo dos primeiros colocado se manteve o mesmo enquanto o segundo estágio se encaminhava para a reta final, algo normal, afinal, os pilotos costumam mesmo forçar nas voltas derradeiras. Kyle Busch, enquanto isso, tocava relativamente no muro e perdia rendimento. Pouco tempo depois, não por causa dele, mas de quase todo mundo, amarela por detritos na pista.

A relargada aconteceu já perto das 20 voltas finais do segundo estágio, ou seja, com ritmo e competitividade altos. Harvick na frente, mas Keselowski e Martin Truex Jr. apareciam próximos, com Logano finalmente entrando na briga, em quarto. Christopher Bell beijou o muro e puxou uma amarela pouco esperada, que juntou tudo em novo pit-stop.

Keselowski tomou a dianteira nos boxes e assim manteve na relargada, que contou com apenas oito giros para fechar o segundo estágio. Muitas brigas, boas disputas e, felizmente, bandeira verde o tempo todo. Brad conseguiu manter o ritmo controlado e, assim, triunfou, seguido por Bowman e Truex.

Christopher Bell bateu no fim do segundo estágio (Foto: Reprodução/Twitter)

Harvick leva nos boxes e administra vitória

O primeiro momento de decisão da reta final da corrida em Darlington aconteceu nos boxes. Bowman e seu time trabalharam mais rápido e o #88 passou Keselowski, tomando a dianteira. Harvick, Truex, Kurt Busch, Hamlin, Bowyer, Erik Jones, Elliott e Logano completavam o top-10.

Keselowski relargou na frente e por lá ia ficando, com a corrida entrando em um momento que tradicionalmente é mesmo morno. Mas aí voltou a amarela, com Buescher lento, mas sem culpa por isso. Na realidade, era uma fumaça estranha que saía de fora da curva 2, meio que um princípio de um pequeno incêndio que estava sendo checado por fiscais.

Nos boxes, Harvick deu o bote em Keselowski, levando também a melhor na relargada após uma boa briga com o #2. Bowman, Elliott e Truex cercavam a dupla com pouco mais de 70 voltas pela frente, caso a chuva não aparecesse. Brad foi perdendo ritmo nas voltas seguintes, quanto mais se aproximava da última parada nos boxes. Harvick escapou um pouco na frente, com Bowman, Elliott e Kurt Busch passando o #2 da Penske.

Faltavam 40 voltas quando surgiu uma daquelas amarelas estranhíssimas. Newman começou a passear, parou na grama e a prova parou mais uma vez. Todo mundo para os boxes e a possível última relargada teria Harvick, Bowman, Elliott, Kurt Busch, Kyle Busch, Hamlin, Keselowski, Jones, Truex e Reddick no top-10.

Os pilotos relargaram com 33 giros pela frente e Bowman botou pressão e foi andando lado a lado com Harvick, que precisou de quase uma volta inteira para se livrar do rival. Kurt Busch foi apenas cercando, mas o duelo da frente puxou o #1 da Haas para o bolo. Kyle Busch, enquanto isso, tinha problemas e deixava a briga, parando nos boxes.

Mas o ritmo de Harvick era muito bom e o #4 conseguia se desgarrar dos rivais, que pareciam muito mais se enfrentando do que capazes de ameaçar a dianteira de Kevin. Um susto rolou com cinco voltas para o fim, com detritos na pista causados por Keselowski, mas a direção de prova mandou o jogo seguir e, então, Harvick conseguiu remar para a vitória.

O #4, que já liderava o campeonato, passou a ser ponteiro garantido nos playoffs, afinal, ainda não tinha triunfos em 2020. Bowman, Kurt Busch, Elliott e Hamlin completaram o grupo dos cinco primeiros.

A Nascar segue em Darlington nos próximos dias para mais uma etapa da classe principal e uma da Xfinity Series, no meio da semana. Enquanto isso, os EUA seguem liderando o ranking de casos de coronavírus, com quase 1,5 milhão. Ainda, quase 90 mil pessoas morreram vítimas de COVID-19 em solo americano. 


 

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