Em ano de estreia na Stock Car, Kanaan se impressiona com grid: “25 Hamiltons juntos”

Agora piloto da Full Time Bassani, Tony Kanaan, em exclusiva ao GRANDE PRÊMIO, projetou suas expectativas para a temporada na Stock Car e comentou acerca da adaptação a esse novo desafio

Daniel Serra e Ricardo Maurício venceram as corridas da rodada dupla e Goiânia da Stock Car (Vídeo: Stock Car)

Campeão da Indy em 2004 e vencedor das 500 Milhas de Indianápolis de 2013, Tony Kanaan dispensa apresentações. Com uma carreira solidificada nos Estados Unidos, o veterano quer mais e, por isso, embarcou em 2021 na jornada de disputar a Stock Car, sonho antigo do piloto baiano de 46 anos. Em sua primeira temporada na principal categoria do automobilismo brasileiro, Tony já sentiu em Goiânia as dificuldades de se adaptar ao novo mundo, mas seus planos são ambiciosos e claros: “Quero ter uma carreira aqui também”.

Em entrevista ao GRANDE PRÊMIO, Tony abriu o jogo a respeito de seu primeiro ano na Stock Car e comentou sobre o processo de adaptação que tem passado para se firmar na categoria. Além disso, o piloto discorreu a respeito do novo regulamento da Stock, que entra em vigor na etapa de Interlagos, que acontece neste domingo (9).

“Eu acho que isso abriu um pouco mais para a estratégia anterior. Você vai poder escolher entre a primeira e a segunda corrida para se dar bem. Do jeito que estava em Goiânia, não dava para fazer isso, em termos de estratégias, pit-stops, enfim. Acho que isso com certeza vai ajudar bastante. A gente ganhou aí 15 minutos de corrida, os fãs, a televisão. A única coisa que preocupa bastante é que nunca tivemos uma corrida de uma hora de duração na Stock Car”, disse Tony, ao GP

“Por isso, os pilotos vão ter que ser mais cuidadosos com o gerenciamento de pneus, o equipamento, que é uma coisa que fazemos em todas as corridas mas, como as provas eram mais curtas, a gente não tinha essa preocupação. Agora pode se ter uma vantagem maior aos pilotos mais experientes que saibam cuidar dos pneus para uma corrida ou outra. As estratégias vão começar a mudar”, completou.

Com uma estreia nada agradável na etapa de Goiânia, na abertura do campeonato – logo no começo da corrida 1, Tony sofreu com problemas no freio e precisou abandonar a etapa -, Kanaan apontou o grande conhecimento sobre Interlagos como um possível trunfo, mas também ressaltou, que assim como ele, que considera a pista do autódromo José Carlos Pace sua ‘casa’, outros pilotos envolvidos no campeonato se sentem igualmente à vontade no circuito.

“Minha expectativa é grande porque, quando você fala de Interlagos é o mesmo que falar de Indianópolis: todo mundo conhece a pista, todo mundo cresceu com Interlagos, correu em Interlagos, deu início à carreira lá. Então, é muito difícil prever alguma coisa mas, em termos de conhecer, é a pista que eu mais conheço. Eu cresci lá. Estou bem confiante, mas com os pés no chão. No mínimo, os 25 outros, senão o grid inteiro, também estão confiantes por ser em Interlagos”, comentou.

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Tony Kanaan acabou se acidentando em Goiânia (Foto: Reprodução)

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Bem humorado, o piloto da Full Time falou sobre a experiência de voltar a correr no Brasil e dos planos futuros. Mesmo sem sentir a vibração dos fãs nas arquibancadas dos autódromos, o estreante da Stock Car não vê a hora de sentir a sensação que o público brasileiro pode proporcionar – e o que, por conta da pandemia, ainda se torna inviável.

“Com certeza, eu já vinha falando isso no GRANDE PRÊMIO, em várias entrevistas que a gente deu nos últimos dois anos, que eu tinha vontade muito grande de voltar a correr no Brasil. Agora vou te falar, que eu não tive, infelizmente, o prazer de sentir isso ainda. Porque eu voltei a correr no Brasil sem nenhum fã. Eu acho que meu reconhecimento, eu me tornei o piloto que sou, pelo público brasileiro e pelo público nos Estados Unidos e ter esse contato com o público para saber quanto reconhecimento eu tenho, ainda não tive esse prazer ainda”, explicou. 

“Não vejo a hora disso passar, espero que se isso não acontecer este ano eu tenha o prazer de  voltar à Stock Car, eu assinei um contrato de um ano só, por enquanto, tenho vontade de vir, vim para ficar, não vim para fazer um ano só. Eu vim porque quero ter uma carreira aqui também, então não estaria fazendo esse sacrifício todo de avião, enfim, longe dos meus pequenos, da minha família, porque eu só vim aqui me divertir um ano. Então, eu não vejo a hora da visitação aos boxes, eu assistindo na TV, vendo o Instagram de todo mundo quanto era aquela vibração, aquela energia legal do público”, afirmou. 

O carro de número #48 será comandado por Tony Kanaan na temporada 2021 da Stock Car

Tony também aproveitou para analisar o restante do grid, que segundo ele é composto pela “nata do automobilismo mundial e nacional”, reiterando assim, a grande competitividade existente na Stock Car. Ao analisar a composição do campeonato, ele enxerga que tal nível de qualidade nos pilotos será algo difícil de se alcançar novamente, reiterando o momento único que a categoria vive.

“Se você olhar o grid, é impressionante o número de títulos que temos, não só nacionais. Se você pegar Rubens Barrichello, Ricardo Zonta, Felipe Massa e eu, a gente está falando de quatro pilotos, desde que Ayrton Senna morreu, trouxeram alegria para o Brasil nos últimos 20 anos, além de Helio (Castroneves) e Gil (de Ferran) que não estão no grid, mas que também marcaram a história. E estão todos ainda ativos. Aí você adiciona outros talentos atuais da Stock Car”, disse.

“A gente colocou na categoria 25 Lewis Hamilton’s juntos, cada um bom no seu negócio e que agora competem juntos. É muito legal. Pra mim, nessa etapa da minha carreira, eu tenho prazer em fazer. Não tenho aquela pressão de mostrar que sou melhor que o Rubens, que o Felipe. Somos muito competitivos, estamos em outro momento da nossa carreira, mas ao mesmo tempo estamos nos divertindo muito”, analisou.

“A gente se olha e pensa: ’que demais isso aqui’. Porque querendo ou não, cada um foi pra um lado, nunca havíamos corrido em um campeonato juntos. Estou me divertindo muito e espero que isso transpareça ao público que assiste à Stock Car, porque acho que, sinceramente, vai ser muito difícil termos um grid com tantos nomes grandes na categoria daqui a 10, 15 anos. Estamos falando da nata do automobilismo mundial e nacional. É muito legal”, concluiu.

A Stock Car realiza neste fim de semana a segunda etapa da temporada 2021, a rodada dupla de Interlagos. Tudo com cobertura do GRANDE PRÊMIO.

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