Bicampeão em Le Mans e líder da Audi, Lotterer diz que “se fosse brasileiro seria mais conhecido”

Aos 30 anos, André Lotterer já venceu duas vezes as 24 Horas de Le Mans. Apesar de todo o sucesso, o piloto alemão – e que fala português – afirmou que não tem muito destaque na Alemanha

Bicampeão das 24 Horas de Le Mans, André Lotterer vem se tornando uma espécie de ídolo do endurance. Em um esporte em que os principais pilotos já são atletas experientes – visto os 45 anos do octacampeão Tom Kristensen –, os 30 anos do germânico foge um pouco do estereótipo criado. Assim, não seria absurdo dizer que o piloto da Audi é uma espécie de principal representante da nova geração das corridas de longa duração.

“Se você diz isso, então eu concordo”, afirmou Lotterer em meio a risadas. Principal piloto do Audi número 1, o germânico disse em entrevista exclusiva ao Grande Prêmio que o endurance vem se tornando um esporte cada vez mais atrativo para os jovens pilotos e por isso não se incomoda em se tornar uma referência para os mais novos.

André Lotterer é uma espécie de representante da nova geração do endurance (Foto: Audi)

“O WEC está tendo boas corridas, com muitos pilotos experientes, então está se tornando um bom campeonato para que jovens pilotos como eu venham aqui e tenham um bom desempenho. Muitas pessoas ainda pensam apenas na F1, mas é difícil chegar lá. Não há muitas montadoras nem patrocinadores”, declarou.

“Aqui eu acho que se pode ter um futuro porque há um pouco mais da presença das montadoras e é possível chegar a equipes boas como a Toyota e Audi, além da Porsche, que deve voltar em breve. Então, para jovens pilotos, é uma oportunidade fantástica, pois esses carros são incríveis e muito exigentes”, completou o germânico.

No entanto, apesar de todo o sucesso em Le Mans, Lotterer admitiu que ainda não é um nome conhecido em sua terra natal. O piloto explicou que na Alemanha a F1 ganha muito mais atenção pelos nove títulos de Michael Schumacher e Sebastian Vettel, além de as montadoras – como Mercedes, Audi e BMW – terem uma importância muito maior que os próprios atletas.

“Na Alemanha é difícil porque há muito destaque para a F1. Tivemos Schumacher, Vettel, as montadoras e outros bons pilotos alemães, então eu não tenho muita atenção. Acho que se eu fosse brasileiro talvez tivesse mais destaque. E na Alemanha a marca da Audi está acima de tudo, então é claro que eu ganhei mais atenção, mas não é como se eu fosse um piloto de F1”, contou.

O mesmo, porém, não acontece no Japão. Morando no Oriente desde 2003, onde é o atual campeão da F-Nippon e já levou o título do SuperGT em duas oportunidades, Lotterer disse que é aclamado pelo público nipônico, que está cada vez mais antenado no que faz também fora da ilha.

“No Japão eu tenho muito mais destaque porque eles acompanham Le Mans e também seguem a minha carreira por lá, então realmente ficam orgulhosos por eu estar na Audi e tendo um bom desempenho. Também sou embaixador da Audi lá e por isso participo de um monte de eventos, sou capa de revistas sobre estilo de vida e coisas assim, então me usam muito para esses coisas”, afirmou.

Quando questionado pelo GP se gostaria de correr em um campeonato como o DTM para aumentar a popularidade dentro da Alemanha, Lotterer disse que prefere seguir no endurance. “Eu estou aberto a novos desafios, mas no momento eu prefiro focar aqui”, acrescentou.

Por fim, uma curiosidade. Desde que se mudou para o Japão, Lotterer namorou durante três anos com uma brasileira e por isso aprendeu um pouco da língua portuguesa. O piloto da Audi afirmou que consegue entender, mas não tem muita habilidade para se comunicar. “Se não falar muito rápido, eu entendo”, disse o alemão, em bom português, mas carregado de sotaque.

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