F1
22/02/2018 09:53

Chefe da Mercedes fala em desafio para manter “caráter de diva, mas melhorar pilotagem” do novo W09

Toto Wolff avisou que, mesmo com a sequência vitoriosa que a Mercedes ostenta desde 2014, não há espaço para comodismo em Brackley e Brixworth e que o trabalho vem sendo feito para manter a supremacia na F1. A meta para o novo W09 foi evitar os altos e baixos que a ‘diva’ W08 apresentou no ano passado
Warm Up
Redação GP, de Sumaré

A Mercedes chega a 2018 otimista e confiante em manter a supremacia na F1. A série vitoriosa vem desde o começo da nova ‘Era Turbo’, em 2014, e já compreende nada menos que oito títulos mundiais, sendo quatro de Construtores e outros quatro de Pilotos — Lewis Hamilton em 2014, 2015 e 2017 e Nico Rosberg em 2016. Mas a temporada passada, mesmo considerando as 12 vitórias em 20 corridas, não foi perfeita, com o agora antigo W08 EQ Power + apresentando oscilações em algumas pistas. Não à toa, o carro foi apelidado de ‘diva’ pela cúpula da equipe prateada.
 
Mas se o ditado diz que ‘ano novo, vida nova’, a Mercedes trabalhou duro para que o novo W09 EQ Power +, apresentado nesta quinta-feira (22), não seja tão temperamental quanto o modelo da temporada passada. Toto Wolff, chefe da Mercedes, falou em entrevista coletiva que o carro que vai buscar o penta em 2018 tem semelhanças com o antigo W08, mas com mudanças “nos detalhes”.
 
“O conceito é muito diferente. Tentamos manter nossa filosofia dos últimos anos e desenvolvê-lo. O regulamento permanece estável, de modo que não há muitas mudanças. As mudanças estão nos detalhes. O mais visível é a estreiteza do conjunto. Esperamos manter o caráter de ‘diva’ do carro. Mas aquele era um carro difícil de entender às vezes. Esse ano queremos entende-lo melhor e melhorar sua pilotagem”, afirmou o austríaco.
Toto Wolff colocou até McLaren e Williams na lista das potenciais rivais da Mercedes (Foto: Twitter)
“O desenvolvimento foi muito desafiador. Se você olhar as estatísticas, o carro de 2017 era mais rápido. Lembro da grande performance em Monza, mas em outras corridas não entendíamos bem o carro. O objetivo é otimizar o pacote para minimizar as dificuldades que o carro tem. Não foi fácil e ainda não conhecemos o resultado. Vamos saber mais em Barcelona”, explicou Wolff, citando o palco dos testes de pré-temporada a partir da semana que vem.
 
Wolff avisou que não há espaço para comodismo nas fábricas de Brackley e de Brixworth, onde são construídos os motores das Mercedes e das clientes Williams e Force India. De modo que ainda há fome para muito mais títulos mesmo na esteira de uma sequência vitoriosa e que, na visão do próprio Wolff, é ruim para o espetáculo em si, mas ótima para a equipe.
 
“Não acho que há falta de motivação na equipe. De fora, a série vencedora da Mercedes é ruim para o espetáculo. Já vimos isso com a Ferrari, a Red Bull e agora a Mercedes. O melhor para a F1 é uma atmosfera muito competitiva, onde o Mundial seja decidido na última corrida. Isso é o que a F1 precisa, mas não é o objetivo de estarmos aqui hoje”, avisou.
 
 
O dirigente evitou apontar uma rival em potencial e citou até mesmo McLaren e Williams na lista das equipes que podem incomodar. “No ano passado disseram que seria a Red Bull, mas foi a Ferrari. É muito perigoso falar antes que se comece a temporada, isso de se reduzir a um ou dois rivais. Tenho curiosidade para ver o que vai fazer a McLaren. A Williams também tem feito um trabalho bem radical. É preciso levar todo mundo a sério”.
 

Sobre o Halo, grande novidade para a temporada 2018, o chefe da Mercedes entende que a peça não é das mais agradáveis aos olhos, mas é importante para aumentar a segurança dos pilotos, os donos do espetáculo.
 
“Se você me desse uma serra elétrica, eu arrancaria. Temos de cuidar da segurança dos pilotos, mas o que introduzimos não é atraente esteticamente e também é um peso extra que compromete o centro de gravidade. Ainda que soe muito bom isso de que ele pode suportar um ônibus. Isso é um carro de F1. A FIA fez testes exaustivos e, no geral, eles acreditam que vai ser mais seguro para o piloto, ainda que tenha sido testado em cenários em que o piloto ficaria preso dentro. Mas, no geral, é mais seguro para o piloto”, finalizou.

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