Indy
23/05/2014 10:00

007, nada secreto Davison resgata histórias em Indianápolis e diz que top-10 é como vitória na estreia nas 500 Milhas

Último inscrito para as 500 Milhas de Indianápolis de 2014, James Davison se 'apresentou' dos modos que poderia: usando as redes sociais e o inseparável celular. Resgatou fotos de 15 anos atrás, histórias com o compatriota Will Power, a dureza do esporte a motor caro e já soltou o que será considerado como bom resultado. O James 007 da edição da Indy 500 não é nada secreto
Warm Up, de Indianápolis / VICTOR MARTINS, de Indianápolis
 James Davison em Indianápolis (Foto: IndyCar)
É bastante comum que o povo, inclusos os jornalistas, estejam habituados a colocar um 'D' ali no sobrenome de James Davison — e também não é por qualquer confusão com Anthony Davidson, o escocês que foi um dia da F1 e hoje corre no WEC; a resposta se encontra provavelmente nas motos Harley. Assim que viu no bloquinho da colega americana, James prontificou-se a corrigir. "Não, não... é sem", quase pegando a caneta e riscando.

Davison foi o nome a completar o número de 33 inscritos da edição deste ano da Indy 500.  Australiano, 26 anos, esperou por esta chance nos últimos cinco. No ano passado, chegou a fazer uma corrida em Mid-Ohio pela Dale Coyne, mas só. A vinda tardia ao Speedway significou menos treinos, ainda mais encurtados com a chuva que tanto atrapalhou o povo. A expectativa para entrar no carro era aliviada pelo uso frenético de seu celular, jogando fotos e opiniões nas redes sociais.

Foram elas que mostraram um pouco de sua vida. "Aqui em 1999, em um feriado com a família, eu tirei uma foto sobre os tijolinhos. Foi a minha primeira vez aqui. Meu pai, Jon, me trouxe. Eu tenho a foto aqui...", e Davison mostrou a tela do smartphone com a imagem postada em seu Instagram. 
 

A carreira de Davison começou um ano antes daquela foto, no kart. "Lembro de ter ido à primeira corrida da Indy em Surfers Paradise, também naquele ano. E vim para cá em 1999, com a vitória de Kenny Brack, Robby Gordon ficando sem gasolina na última volta...", lembrou-se. Mas as primeiras 500 Milhas "de verdade" foram com Will Power em 2006. "A gente era parte do Walker Racing/Team Australia, eu correndo na F-Atlantic e ele, na Champ Car, e como havia a separação, a gente só comprava os ingressos para ver a corrida na arquibancada entre as curvas 1 e 2", contou. 
 
Davison foi vice-campeão da Lights em 2009, ficando à frente de James Hinchcliffe, titular da Andretti. O coitado lamentou para então se aliviar. "Eu nunca tive a chance de subir. Finalmente recebi". E como terceiro piloto da KV na Indy 500, Davison colocou o carro #33 na 28ª colocação. 
Este é James Davison (Foto: IndyCar)
Os cinco anos de aguardo não foram vistos como caminho errado. "Não foram passos perdidos, mas é um elemento do automobilismo que sempre vai existir. É um esporte extremamente caro e a equipe mais saudável geralmente vence porque é capaz de ter o melhor conjunto, gastando dinheiro em pesquisa e desenvolvimento, túneis de vento, contratando os melhores pilotos", explicou. James se coloca como azarão. "É isso que somos por não estarmos em um programa completo. Fomos os que menos andamos neste mês de maio", comentou.

Davison aproveitou para fazer a auto-propaganda. "Você pode acessar o @jddavison007". 007 é o número que o piloto corre na United SportsCar, a categoria unificada das corridas de endurance, com um Aston Martin — cujo maior modelo é James Bond.  E certamente as expectativas são menores. "Podemos chegar no top-10 se tirarmos tudo de nosso pacote e se as coisas derem certo. Chegar no top-10 é como uma vitória para nós", admitiu, sem segredos, o agente Davison.

James Davison. 
 

GRANDE PRÊMIO cobre 'in loco' as 500 Milhas de Indianápolis com os repórteres Victor Martins e Evelyn Guimarães. Para acompanhar o noticiário completo, clique aqui.