Indy
07/05/2017 05:00

Na Garagem: Piquet sofre acidente mais grave da carreira em Indianápolis

Nelson Piquet já era tricampeão mundial de F1, mas quis tentar a sorte nas 500 Milhas de Indianápolis de 1992. Ainda nos primeiros treinos livres, o brasileiro perdeu o controle de seu carro e bateu a mais de 340 km/h entre as curvas 3 e 4, sofrendo o acidente mais grave de toda sua carreira
Warm Up
GABRIEL CURTY, de São Paulo
 
Tricampeão mundial e consolidado como um dos maiores nomes da história do automobilismo, Nelson Piquet ainda queria mais no alto dos seus quase 40 anos. Sem vaga no grid da F1 em 1992, já que a Benetton apostava todas as suas fichas em Michael Schumacher e botava Martin Brundle no outro carro, o brasileiro aceitou o convite de Paul Menard e foi tentar a sorte nas 500 Milhas de Indianápolis daquele ano. Piquet não passou dos treinos livres.
 
Guiando o seu Lola-Buick, Nelson não teve muitos problemas para ser aprovado no programa de orientação dos novatos, cumprindo todos os estágios do teste, mas sua trajetória na edição da Indy 500 daquele ano não durou muito mais que aquilo.
Nelson Piquet acelerando no carro #27 (Foto: IMS)
Durante os treinos livres de 7 de maio, Piquet sofreu o maior acidente de sua carreira. Foi uma pancada horrorosa. O carioca perdeu o controle do carro entre as curvas 3 e 4 e bateu com muita força, acima dos 340 km/h, de frente no muro. Sem Hans, a cabeça do piloto balançou bastante, mas, por incrível que pareça, Piquet não teve a cervical afetada.
 


Foi tudo inacreditável naquela batida. A força e o impacto absurdos que Piquet teve ao se chocar com o muro, a imagem do carro com a frente completamente arrebentada e o fato do brasileiro ter permanecido consciente durante o longo tempo de seu resgate.
 
As lesões que Nelson teve foram incontáveis. Além de algumas mais leves em pulsos, cotovelos e mãos, fraturou pé e tornozelo esquerdos, o joelho direito, além de perder um pedaço de um dedo do pé direito. 
Nelson Piquet batendo um papo em 1992 no IMS (Foto: IMS)
Ainda no estágio inicial de sua recuperação e logo depois de passar por uma série de cirurgias ainda em Indianápolis, Piquet concedeu uma entrevista do seu quarto de hospital para Reginaldo Leme, da TV Globo. O brasileiro enumerou suas lesões, mas em momento algum perdeu o bom humor, brincando até com a perda de um pedaço do dedo.
 
"No pé direito sofri algumas fraturas, mas todas em ossos grandes, fáceis de se recuperar. Perdi ainda a pontinha de um dedo, mas isso não é um problema, fica mais fácil de cortar a unha depois. No pé esquerdo a coisa foi um pouco pior, sofri diversas fraturas, estou cheio de pinos e parafusos. Tirando os dedos, quebrei todo o resto", disse.
Nelson Piquet em 1992 (Foto: IMS)
Apesar do jeito durão, estava estampada no rosto e escancarada na fala a dor que ainda sentia. Os reflexos do acidente, é claro, permaneciam ainda nos primeiros momentos.
 
"Eu tenho diminuído a quantidade de remédios que tomo para sentir menos dor, mas não dá para parar completamente. Se eu não tomar os remédios, pelo menos, nos próximos dois meses, eu morro de dor", seguiu.
 
O carioca confessou a Reginaldo que já estava de certa forma prevendo uma grande pancada e chegou a dizer até que já tinha feito um seguro contra acidentes.
O acidente de Nelson Piquet (Foto: Reprodução)
"Antes de vir para cá, eu já estava com muito medo de sofrer um acidente. As pessoas tentavam me dizer que não ia acontecer nada, mas eu sabia que poderia bater. Então, antes de vir treinar, fiz um belo seguro contra acidentes. Já estava esperando que acontecesse alguma coisa", admitiu.
 
O acidente de Piquet rendeu uma série de consequências, a mais evidente delas a série de lesões que teve e a recuperação longuíssima que foi acontecendo durante aquele ano inteiro. Outra foi uma brincadeira de Alessandro Nannini, companheiro do carioca na Benetton em 1989 e 1990 e que perdeu uma parte do braço em um acidente de helicóptero, nunca mais guiando na F1.
 
“Agora, se juntarmos os seus pés e as minhas mãos, ainda podemos formar um bom piloto”, comentou o italiano.

 
Agora, uma coisa que não mudou foi a relação de Piquet com o automobilismo. Um ano depois, em 1993, lá estava novamente o brasileiro em Indianápolis. Ainda de muletas, com o mesmo Lola-Buick, daquela vez conseguiu se classificar, mas seu motor quebrou ainda no começo da corrida e o obrigou a abandonar.
 
Depois disso, Piquet diminuiu bastante suas aparições nas pistas. Em 1996 e 1997, disputou as 24 Horas de Le Mans, chegando na oitava posição na primeira tentativa de BMW ao lado do venezuelano Johnny Cecotto e do americano Danny Sullivan. 

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