CEO da F1 defende retorno de motores V8 com combustível sustentável: “Esse é o futuro”
No entanto, Stefano Domenicali reiterou foco nas unidades de potência do regulamento de 2026 e deixou claro que, mesmo com uma mudança futura para os motores V8, a eletrificação continuaria tendo papel importante
CEO da Fórmula 1, Stefano Domenicali voltou a analisar de maneira positiva a possibilidade de a categoria adotar motores V8 com combustíveis sustentáveis nos próximos anos, mas não deixou de destacar como a hibridização “é o próximo passo para o futuro”. Além disso, ao ser questionado sobre os propulsores a hidrogênio, destacou que ainda é “muito prematuro” pensar nessa hipótese.
Válido entre 2026 e 2030, o novo regulamento que entra em vigor daqui a alguns meses apresenta algumas mudanças estruturais nas unidades de potência. A parte elétrica passa a representar até 50% da força total — frente aos 20% atuais — e o combustível será 100% sustentável. As alterações atraíram novos nomes ao grid, como Audi, Ford (em parceria com a Red Bull) e Cadillac, do grupo General Motors.
No entanto, o caminho adotado pela F1 não agradou a todos. Mohammed Ben Sulayem, presidente da Federação Internacional de Automobilismo (FIA), alegou aumento considerável nos custos e, por isso, também defendeu o retorno dos motores V8 “para sustentar o negócio”, um caminho que recebeu apoio até mesmo de Domenicali há alguns meses, quando falou de equipamentos “mais leves e com som melhor”.
“Combustível sustentável e um V8, acho ótimo. E a hibridização, acredito mesmo, é o próximo passo para o futuro”, disse o CEO da categoria em entrevista ao site inglês The Race. “Mas não quero tirar o foco da próxima geração de regulamentos ou da unidade de potência do ano que vem, porque isso seria errado”, continuou.

“Então, vamos manter o foco no que precisa ser desenvolvido nos próximos anos. E aí sim, acho que esse é o futuro. Concordo”, declarou Stefano, que foi perguntado na sequência sobre as chances de a F1 adotar motores a hidrogênio no futuro, uma tecnologia que tem começado a ganhar espaço no mercado automotivo.
No fim do ano passado, a FIA até anunciou o lançamento oficial da Extreme H, competição exclusiva para carros com esse tipo de propulsor. “Isso pode ser uma possibilidade, mas não nos próximos dez anos. Está muito distante. Também existem complexidades de segurança em relação às corridas. Não podemos esquecer que automobilismo é automobilismo — não é mobilidade”, apontou Domenicali.
“Claro que o hidrogênio é um ponto de discussão, mas há muitos elementos envolvidos. É muito prematuro adotar uma abordagem de corrida com essa tecnologia. É muito complicado e não é viável correr esse risco hoje, porque ainda é cedo demais”, encerrou.
A Fórmula 1 volta às pistas apenas após o recesso de verão, entre os dias 29 e 31 de agosto, para o GP dos Países Baixos, em Zandvoort.
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