Chefe destaca “rica história” da Sauber na F1 e mira título “até fim da década” com Audi
Jonathan Wheatley falou sobre as ambições da Audi para os próximos anos e destacou a importância de preservar o "legado" da Sauber na Fórmula 1 durante o processo de transição
Escolhido para ser o chefe de equipe da Audi no mais novo projeto da montadora alemã na Fórmula 1, Jonathan Wheatley fez questão de destacar a importância de preservar a “rica história” da Sauber durante o processo de transformação da estrutura. Além disso, ao falar sobre as ambições futuras, deixou claro que ainda há muito a ser feito, mas afirmou que o objetivo é brigar por vitórias e títulos “até o fim da década”.
O time de propriedade de Peter Sauber estreou na principal categoria de monopostos em 1993, sempre brigando na zona intermediária do pelotão. Entre 2006 e 2009, a escuderia foi adquirida pela BMW e chegou a subir no degrau mais alto do pódio com Robert Kubica no GP da Canadá de 2008, antes de voltar para as mãos do antigo proprietário em 2010. Nos anos seguintes, os suíços operaram ainda sob outras nomenclaturas: Alfa Romeo, entre 2019 e 2023, e Stake desde 2024 — ambas devido a um acordo de patrocínio.
No cargo de comando desde o GP do Japão de 2025, terceira etapa da temporada, Wheatley mencionou a jornada de mais de 30 anos da escuderia na F1 e falou sobre como será fundamental respeitar tudo que foi construído ao longo desse tempo enquanto os preparativos para a tomada total da Audi acontecem nos bastidores de Hinwil. “Os próximos seis meses são, de muitas maneiras, totalmente sobre respeito”, disse em entrevista ao site inglês The Race.
“Há uma rica história aqui na Sauber, de uma equipe de F1 inacreditável que conquistou muitas coisas incríveis a partir de origens muito humildes. Precisamos cuidar muito bem do legado dessa equipe. Tenho um olho na história, e a Sauber faz parte disso desde que eu era criança. Lembro do primeiro carro na pista [na preparação para a estreia em 1993], quando estava na Benetton — um carro lindo”, continuou.

“Temos de cuidar desse legado com muito cuidado, e sei que é importante para Gernot Döllner (CEO da Audi) que façamos isso. A razão pela qual a Audi tem quatro anéis [no logo] é porque nunca esqueceram as origens, como a Audi se tornou Audi. Essa é uma responsabilidade que Mattia [Binotto] e eu também entendemos. Há muito a fazer nos próximos meses. É ambicioso, mas tudo o que estamos fazendo é ambicioso. Estamos no caminho certo neste momento”, apontou Wheatley.
Desde que passou a liderar Gabriel Bortoleto e Nico Hülkenberg há alguns meses, a Sauber saiu da penúltima colocação no Mundial de Construtores, com 6 pontos, para o atual sétimo lugar e 51 tentos — em uma briga acirrada contra Williams e Aston Martin pela última vaga no top-5. Mas a evolução não ficou evidente somente nas pistas, mas também na parte organizacional.
“Se olhar para trás, desde que comecei em abril, do ponto de vista da equipe de corrida, demos passos enormes em termos de comunicação e estruturas organizacionais. E ainda não terminamos. Ainda há muito que quero alcançar, e estou tendo de lidar com isso em partes menores”, explicou o chefe.
“Ainda estou tentando montar uma equipe sob minha liderança que opere da maneira como gosto que uma equipe opere, para que tenha mais liberdade para fazer o que quero fazer. Mas, na verdade, estou bem feliz em estar um pouco mais operacional no momento, porque isso me permite manter um olho no futuro”, sublinhou.

“Uma das coisas que ficou clara quando cheguei foi que havia uma boa energia criativa crescendo na fábrica, no sentido de entender os desafios de desempenho que tínhamos com o C45 e como evoluir a partir dali. Já havia um bom trabalho sendo feito antes da minha chegada”, prosseguiu Wheatley, que mais uma vez fez questão de destacar a importância do trabalho de Binotto nos cargos de diretor-operacional e diretor-técnico da Audi.
“Como você deve imaginar, Mattia não ficou sentado sem fazer nada no último ano, e acho que o que estou sentindo agora, comparado a abril, é um momento de crescimento em todas as áreas. Isso é muito importante quando se está tentando fazer a transição de uma equipe menor para uma equipe maior, com aspirações maiores. É superimportante que continuemos ganhando impulso”, declarou.
Como uma novata diante de rivais muito mais preparadas em questões estruturais, como Ferrari, McLaren, Mercedes e Red Bull, por exemplo, Wheatley sabe que a tarefa não será nada fácil. De qualquer maneira, mostrou confiança na empreitada e enfatizou que a equipe já estipulou algumas metas na briga por vitórias e até mesmo títulos dentro da categoria.
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“Estamos em uma jornada rumo a vencer corridas e campeonatos até o final da década. Não é uma linha reta, não é uma progressão simples de terminar aqui ou ali no campeonato. Há curvas fechadas nessa linha reta, há altos e baixos e todo tipo de coisa. E estamos passando de uma equipe pequena para uma equipe de fábrica da Audi na F1”, proclamou.
“Haverá momentos de avanços positivos, e outros em que será preciso manter a equipe focada porque as coisas parecem um pouco estagnadas por um tempo. Estou ansioso por essa jornada, já estive nela muitas vezes na F1, e acho que o mais importante é manter os olhos no objetivo”, encerrou o chefe da Sauber.
A Fórmula 1 volta às pistas apenas após o recesso de verão, entre os dias 29 e 31 de agosto, para o GP dos Países Baixos, em Zandvoort.
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