Wheatley destaca parceria com Binotto e já vê Audi “virando a chave” em projeto na F1

Chefe de equipe da Sauber, Jonathan Wheatley falou sobre o trabalho que vem desenvolvendo ao lado de Mattia Binotto para alavancar o projeto da Audi na Fórmula 1

Escolhido para assumir o cargo de chefe de equipe do projeto da Audi na Fórmula 1, Jonathan Wheatley falou sobre a parceria com Mattia Binotto e destacou a confiança que Gernot Döllner, CEO da montadora alemã, depositou no trabalho de ambos desde o primeiro momento. Além disso, o comandante da Sauber explicou o equilíbrio que existe entre o processo de contratação de novos profissionais e o de treinamento das pessoas que já estão dentro da própria fábrica.

Após iniciar a carreira como chefe de mecânicos da Benetton na década de 1990, o britânico exerceu o papel de diretor-esportivo da Red Bull por 16 anos. Por causa da crise que se instaurou na base taurina devido ao caso envolvendo Christian Horner, decidiu deixar a base de Milton Keynes e aceitou a oferta da marca da Baviera, que, por sua vez, havia acabado de demitir Andreas Seidl e Oliver Hoffmann das funções de CEO e de presidente do conselho de administração da empresa, respectivamente.

Como resultado, precisou arrumar as malas e se mudar para a Suíça, pois a Sauber é uma das três equipes do grid atual — ao lado de Ferrari e Racing Bulls — que possui sede fora do Reino Unido, tratando-se de questões operacionais. A mudança de país pode até ter sido um problema durante os primeiros passos no novo emprego, mas Wheatley agora enfatizou que já está adaptado.

“A vida na Suíça foi uma das maiores surpresas do trabalho. Estou absolutamente adorando”, disse em entrevista ao site da revista inglesa Autosport. “Moramos em Zug, que não fica longe de Zurique. Temos essa cidade incrível logo ali, e minha esposa e eu frequentemente nos sentamos lá à noite e dizemos: ‘meu Deus, isso não são férias. É aqui que a gente mora'”, brincou.

Jonathan Wheatley assumiu o cargo de chefe da Sauber no GP do Japão (Foto: Sauber)

“Acho que, quando recebi a oportunidade de entrar para o projeto da Audi na F1, estava tão focado nas corridas, tão focado na equipe e em como ela seria, que realmente não parei para pensar sobre como seria a vida na Suíça. Diria que foi mais do que uma grata surpresa”, continuou.

Para evitar repetir o fracasso de Seidl e Hoffmann, responsáveis por gerenciar o projeto da Audi antes das chegadas de Binotto e Wheatley, o britânico reconheceu que precisou entender cada detalhe de como funcionavam os processos dentro da equipe. No passado, outras montadoras decidiram se aventurar na categoria e acabaram fracassando enormemente, como foi o caso da Toyota — e, por isso, o chefe da Sauber afirmou que recebeu total confiança do CEO da marca desde o início.

“É claro que existem metodologias que precisamos adotar. [A Audi] está nos conhecendo. Estamos começando a entendê-los. Mas, no fim das contas, Gernot Döllner nos descreveu como um barco veloz — e estamos aí, fazendo F1, que é a nossa área de especialidade. Temos total apoio do conselho. É fantástico, tenho de dizer. E estou realmente gostando da forma como estamos conduzindo nosso trabalho no momento”, sublinhou.

“Se você considerar por que eu e Mattia estamos sentados aqui agora, pode imaginar que tivemos todas essas conversas ao longo do caminho. Mas foi realmente essa abordagem inspiradora que Gernot me apresentou há 12 meses que me trouxe até aqui”, lembrou. “Essas pessoas são muito, muito inteligentes. Sabem exatamente que essa é uma área em que não se pode aplicar todas as mesmas filosofias que se usam no restante do grupo”, prosseguiu.

Jonathan Wheatley tem trabalhado ao lado de Mattia Binotto na Sauber (Foto: Reprodução/X)

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“Mas ainda assim representamos a marca. E o mais importante — e onde está a maior colaboração — é garantir que a gente se comunique e represente a marca da maneira certa”, completou Wheatley, que também foi questionado sobre a importância de treinar os talentos internos em vez de investir grandes quantias na contratação de novos profissionais.

Chefe da McLaren, Andrea Stella foi citado como exemplo, já que, embora tenha atraído nomes como Rob Marshall, que teve enorme sucesso na Red Bull ao longo de 17 anos, focou principalmente em desenvolver os profissionais que estavam em Woking e realocá-los para setores em que poderiam se adequar melhor e entregar resultados mais promissores ao time.

“Tem de haver um equilíbrio. Existem áreas em que precisamos tomar decisões rápidas e, talvez, onde seja necessário trazer uma nova liderança. Até agora, desde que cheguei, não foram muitas essas situações. E também é preciso identificar os futuros talentos dentro da organização e desenvolvê-los. Porque realmente não sei que tipo de cultura estaremos criando se só buscarmos pessoas de fora o tempo todo”, alertou.

Jonathan Wheatley falou sobre a importância de treinar os profissionais da própria Audi (Foto: Sauber)

“Se quisermos ser uma verdadeira equipe de fábrica na F1, com força e profundidade em todas as áreas, precisamos contratar desde cedo. Precisamos treinar essas pessoas e ensiná-las qual é o ethos — a filosofia — da equipe Audi. Precisamos formar nosso próprio talento, e já estamos bem encaminhados nisso. Mattia tem conduzido alguns programas de engenharia muito interessantes para jovens, e realmente sinto que a organização está virando a chave”, encerrou.

Depois do GP da Hungria, a Fórmula 1 volta às pistas apenas após o recesso de verão, entre os dias 29 e 31 de agosto, para o GP dos Países Baixos, em Zandvoort.

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