Lawson tem de renascer à la Gasly em Racing Bulls que vê Hadjar como futuro
O cenário de Liam Lawson, que caiu da Red Bull para a Racing Bulls, é muito parecido com o que Pierre Gasly viveu em 2019. Agora, cabe ao neozelandês tentar repetir os passos do hoje piloto da Alpine para se manter na Fórmula 1
Liam Lawson foi do céu ao inferno no início da temporada 2025 da Fórmula 1. Escolhido como substituto de Sergio Pérez para formar dupla com Max Verstappen, a passagem do neozelandês pela Red Bull foi curta e o rebaixamento para a Racing Bulls veio antes mesmo da terceira etapa do ano. O piloto nitidamente sentiu o baque em um primeiro momento, mas reagiu de forma interessante nas últimas corridas. O problema, no entanto, é que Isack Hadjar, o novato da garagem ao lado, é quem dá as cartas e surge como o nome para o futuro.
Depois de completar a passagem da Fórmula 2 sem muito protagonismo, Lawson ficou no posto de reserva da então AlphaTauri, nome da atual Racing Bulls numa vida passada — em 2023, mas sequer era cotado para o posto de titular até o fim daquela temporada. Mas uma lesão do titular Daniel Ricciardo, que fraturou o punho durante o TL2 do GP dos Países Baixos, abriu caminho para participar de cinco corridas e impressionar. A partir daí, entrou no radar da equipe de vez.
Mesmo com boas atuações, Lawson ficou de fora do grid em 2024 e só voltou a ser titular quando Ricciardo foi demitido da Racing Bulls após o GP de Singapura de 2024. O #30 teve mais algumas corridas para mostrar que merecia a chance de disputar uma temporada completa. Ao conquistar o nono lugar nos GPs dos Estados Unidos e do Brasil e travar uma dura batalha com Sergio Pérez no GP da Cidade do México, Liam mostrou que estava apto a ocupar um lugar no time de Faenza em 2025.
A Red Bull, em paralelo, cansou-se da falta de desempenho de Pérez e demitiu o mexicano no final de 2024. Entre as opções como substituto estavam Liam e Yuki Tsunoda. Sem estar totalmente convencida por nenhum deles, a Red Bull muito deliberou até bater o martelo e, por enxergar potencial maior em Lawson, promovê-lo para um nova fase.

Lawson começou sob fortes expectativas, mas a coisa se desgastou rapidamente. Logo de cara, caiu no Q1 da classificação do GP da Austrália e, na corrida, abandonou depois de bater durante a chuva. Na China, voltou a andar mal tanto na classificação sprint quando na sessão que definiu o grid da prova oficial e ficou sem pontos. Já era o bastante: a Red Bull, que raramente hesita em dispensar um piloto que não entrega o resultado esperado, apertou o gatilho e mandou Liam de volta ao time ‘B’, puxando Tsunoda como solução.
O desempenho, de fato, foi terrível. Mas é impossível negar o argumento de que que Liam teve tempo quase nenhum para se habituar. Afinal, foi anunciado como titular no dia 19 de dezembro, não participou do desenvolvimento do RB21 e, quando finalmente teve a chance de andar no carro, sofreu com a confiabilidade durante a pré-temporada. Por fim, o campeonato começou com duas pistas onde o jovem nunca tinha andado. Tudo isso, quando somado, ajuda a explicar o cenário de dificuldades.
Mas a Red Bull não quis saber de dar o benefício da dúvida e tempo para que o piloto se desenvolvesse ali. O que sobrou para Lawson foi praticamente terra arrasada e a necessidade de renascer. Além da confiança abalada, tinha ao lado o novato Isack Hadjar, promessa na base e que vinha de vice-campeonato na F2, sempre como membro prestigiado da Academia da Red Bull. E os primeiros pontos do jovem vieram logo em Suzuka, enquanto o novo companheiro tombava, com um oitavo lugar, enquanto Liam foi apenas 17º. A sequência de resultados ruins assombraria Lawson por algum tempo, com os pontos mais baixos sendo o 16º e o 14º lugar no Bahrein e em Ímola, respectivamente.
No mesmo período, Hadjar chamava a atenção por ser um novato consistente que, embora tenha ficado fora do top-10 no Bahrein e em Miami, tinha desempenhos decentes e sete pontos após sete corridas. Longe de ter o desempenho que chamou a atenção em 2023 e 2024, Lawson não deu o braço a torcer e assegurou que a falta de rendimento não era fruto da falta de confiança nas próprias habilidades.
“Uma coisa que devo deixar clara é que com a troca de equipe, mentalmente nada mudou para mim. Há muita especulação de que minha confiança foi afetada, o que é completamente falso. Desde o início do ano, senti as mesmas coisas de sempre. Acho que duas corridas, em pistas onde nunca estive, não foi o suficiente para abalar minha confiança. Talvez seis meses depois do início da temporada, se eu ainda estiver naquele nível, se os resultados ainda forem assim, então eu estaria sentindo”, disse.
E até conseguiu, de certa forma, dar a volta por cima. Com boas atuações quando a F1 entrou na fase europeia, pontuou nos GPs de Mônaco, Áustria, Bélgica e Hungria e colou em Hadjar na classificação. Hoje, Hadjar tem 22 pontos contra 20 do companheiro de equipe. E ainda que a situação tenha melhorado, Liam tenta manter os pés no chão.
“É muito fácil se precipitar no esporte”, iniciou. “Acho que tivemos alguns finais de semana muito bons e a velocidade tem sido boa, mas as coisas mudam muito rápido. Por isso, acho que a abordagem para mim continua a mesma, como tem sido durante a maior parte da temporada, com muita disputa e competitividade. Para mim, é questão de dar o máximo, mas me sinto confortável no carro”, disse ao portal neerlandês RacingNews365.
Porém, não podemos nos apegar apenas aos números para analisar o desempenho dos dois pilotos. Mesmo que nunca tenha feito uma temporada completa na F1, Liam é consideravelmente mais experiente que Hadjar, e, mesmo assim, tem sido menos consistente. A melhora recente é um bom sinal, claro, porque pode ser primeira demonstração de que o golpe já foi absorvido. Há mais dez corridas para provar o ponto e mostrar o poder da própria resiliência.

É por isso que, em meio à fase ruim de Tsunoda, é Hadjar quem aparece como o futuro companheiro de Verstappen para 2026. E Lawson parece estar fora dos planos da equipe dos energéticos, embora seja provável a permanência na Racing Bulls para o próximo ano. Caso queira seguir na F1, Lawson precisa fazer o mesmo que Pierre Gasly fez no passado: transcender como fênix após ser rebaixado e mostrar que pode ser um piloto com capacidade para seguir como titular em outras equipes do grid.
A Fórmula 1 volta às pistas após o recesso de verão, entre os dias 29 e 31 de agosto, para o GP dos Países Baixos, em Zandvoort.
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