Hülkenberg prova ser exatamente o que Audi precisava. E Sauber prepara adeus honrado
Se Gabriel Bortoleto faz temporada de novato impressionante, Nico Hülkenberg se prova como o veterano que a Audi precisava. Dupla no comando, Mattia Binotto e Jonathan Wheatley dão show
Quando Nico Hülkenberg deixou a Fórmula 1, no fim de 2019, sem vaga ou prestígio, a sensação, quase certeza, era de que o bonde da história tinha passado, ingrato que é, sem perdoar o timing que preferira os interesses de qualquer um menos dele próprio. O timing é cruel na F1. Só não é mais forte que a capacidade da história se reconstruir por estradas iluminadas pelas leves penumbras do destino e curvas inesperadas. Hülkenberg, que foi do adeus ao bem-vindo de volta, está aqui, em pleno 2025, vivendo a temporada da vida.
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A história não é, assim, não vestida de novidades: a maioria do público que acompanha a F1 com mais afinco, sabe. Visto com bons olhos pela Ferrari, mas preterido pelo retorno do campeão Kimi Räikkönen, Hülkenberg foi a solução concatenada pela Mercedes nos últimos dias de 2016, quando Nico Rosberg anunciou a bombástica aposentadoria horas após o título mundial.
Mas o timing, sempre ele, não tinha apupos a oferecer. Mudar-se para a equipe campeã mundial em 2017? Não! Hülkenberg, pois, já tinha assinado para trocar a Force India pela Renault. Não havia cláusula que desobrigasse a cumprir o acordo, tinha de ir. E a Renault, com todos as suas questões, não estava no mesmo nível, como nunca esteve nessa vida mais recente. Na Renault, minguou com o tempo e viu as portas fecharem em 2019.

Foram três anos fora. Nico pintou como substituto de emergência em tempos pandêmicos, mas foi só. Virou comentarista, testou carro na Indy, mas a F1 estava cada vez mais distante. Até a Haas convidar para 2023, e os dois anos seguintes mostrarem que tinha mais tempo a passar ali. O projeto da Audi o atraiu. É verdade que assinou enquanto a ainda Sauber viva uma seca de pontos que durou um ano. Mas e daí? A fase Sauber duraria só 2025 e, depois disso, a bonança da Audi.
Mas a reestruturação não esperou a Audi. A Sauber recebeu um aporte de atenção e carinho já para 2025 e os novos pilotos. Se Gabriel Bortoleto impressionou no rendimento, tanto nos momentos ruins de pior carro do grid no começo do ano quanto pós-atualizações, Hülkenberg tem sido justamente o que a equipe precisava.
Um piloto extremamente inteligente e habilidoso no trabalho junto aos engenheiros, esperto quando o assunto é estratégia — como mostrou na Inglaterra — e que trabalha junto ao novato, o futuro. Parece trivial, mas é raridade no automobilismo, especialmente na Fórmula 1. Todo mundo quer ganhar o troféu, não importa que seja do auge dos 38 anos. Hülkenberg nunca foi tido como a personalidade de um grande companheiro de equipe, pelo contrário. Mas é o que tem sido nestes tempos de maturidade.
Mais do que isso, a velocidade. Quando se entende com o carro, é um dos principais pilotos do grid. E como tem guiado. É difícil dizer que é o melhor ano da carreira, que nunca andou tanto na F1. Isso depende do nível de carro e da atenção dispensada ao piloto. Mas é demonstração de como é bom; De como sempre foi bom.

O pódio, que dele fugiu por uma década e meia, e que veio em Silverstone, conta uma história justa. O fato do top-3 escapar por tanto tempo de um piloto deste nível era uma daquelas aberrações matemáticas. A justiça, enfim, está feita.
E nem só de Hülkenberg e Bortoleto vive a Sauber. Mattia Binotto, agora oficialmente como CEO, mostrou de um ano para cá que sabe bem o caminho que quer percorrer. Como chefe, Jonathan Wheatley mostra a tranquilidade para conduzir que teve durante anos como o #2 na Red Bull. Sem gastar demais, mas fazendo o bastante para chegar à fase Audi com a moral alta, com crescimento e confiança. Para a Sauber sair de cima, ao menos o nome Sauber, de maneira honrada e compatível com os mais de 30 anos de história.
Dentro e fora das pistas, a Audi está em boas mãos.
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